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A UMBANDA
O nome do menino ali do lado é Paulo
e ele tem nove anos. Conheça esse personagem e aprenda
um pouco mais sobre a Umbanda. Ele é brasileiro e mora no mais
belo dos estados que se chama Santa Catarina,
localizado na região sul do Brasil.
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Nossa Crença
Meus pais, para que eu consiga aprender, continua-mente explicam como é a nossa religião, já que é muito complexa por ser formada de elementos pertencentes a outras religiões.
Da ÁFRICA trouxemos o culto dos orixás e o Ser Supremo OLORUM; da ÍNDIA adotamos a lei do CARMA, as idéias da REENCARNAÇÃO e da EVOLUÇÃO; do CRISTIA-NISMO buscamos a vivência do AMOR, da CARIDADE, a prática das BEM-AVENTURANÇAS e o culto as imagens dos santos; do ESPIRITISMO buscamos a MEDIUNIDADE e a POCESSÃO (Omulubá, 1987, p.13) e dos INDÍGENAS o emprego das ervas, das defumações, dos instrumentos e outros objetos (Piazza, 1991, p. 415).
Eles me lembram continuamente que a Umbanda se constitui um geito brasileiro de expressão religiosa e que ela se constitui numa religião MONOTEÍSTA, sendo nosso deus conhecido com o nome de OLORUM ou ZAMBI. (Omulubá, 1987, p.10).
OLORUM é o criador de tudo quanto existe. Ele não teve princípio e não terá fim. Dele tudo surgiu e a ele voltará e todo homem, do selvagem ao civilizado, sente sua presença dentro de si mesmo. (Omulubá, 1987, p.10).
Ele se manifesta através de três aspectos: ENERGIA - VIDA - CONSCIÊNCIA, fazendo-se presente em toda parte e em todos os seres. Oramos por nossos mortos já que a oração é de grande valia só que essa oração é um feixe de vibrações que nascem nos nossos corações, vindo do mais íntimo da alma cheia de amor por aquele que se foi. O pensamento fraterno se expressa aravés de palavras ternas, nos mais fervorosos votos pelo progresso do espírito desencarnado. (Omulubá, pg 44)
Uma das nossas orações
É a nossa profissão de fé que chamamos de:
Credo Umbandista
Creio em Olorum, Onipotente e Supremo; creio nos Orixás e nos Espíritos Divinos que nos trouxeram para a Vida por vontade deste majestoso Pai.
Creio nas Falanges Espirituais, orientadon os Homens na vida terrena; creio na Lei da Reencarnação e na Justiça Divina, Segunda a Lei do lCarma; creio na comunicação do Guias Espirituais, encaminhando-nos para a Caridade e a prática do bem; creio na Invocação, na Prece e na Oferenda, com atos de fé, e creio na Umbanda, como religião redentora, capaz de nos levar pelo caminho da Evolução ate nosso Pai Olorum.
Gloria a Olorum
Essa combinação, essa fusão, essa mistura, chamada SINCRETISMO, foi que possibilitou aos escravos chegados ao Brasil, prestar cultos aos seus Orixás e, fazendo coincidir as características até mesmo nas festas dos padroeiros, a igreja fechava os olhos ao culto aceitando-os como homenagem aos santos católicos (Araújo, pg. 17)
Nossos lugares de adoração
São dois os nossos locais de oração: no templo (terreiro) e na família.
Muitas vezes vamos fazer homenagens e orações nas matas, nas cachoeiras, nos rios e no mar quando são jogadas flores e reverenciadas as divindades desses locais.
Praticamos a caridade e procuramos fazer o bem tal como o grande orixá Oxalá nos manda fazer.
Como vemos a morte
É a preciosa porta que nos abre o caminho da evolução que todo espírito almeja alcançar e que termina com a reali-zação da plenitude no Ser divino. Mas isso só acontecerá pela poderosa lei do Carma que favorece o aperfeiçoamento pela vivência de muitas vidas através das múltiplas reencarnações.
O nosso viver está submetido a três leis: REENCARNACÃO, CARMA e EVOLUÇÃO.
Na reencarnação nascemos muitas vezes buscando o aperfeiçoamento da vida anterior. O carma é a lei da retribuição, ou seja, prêmios ou castigos em função das ações boas ou más que tivermos vivido. A evolução nos impulsiona ao aperfeiçoamento de geração em geração até alcançarmos ao aperfeiçoamento final quando seremos um com o Ser divino.
Nossos Livros Sagrados
Não temos livros sagrados porque nossa religião é transmitida oralmente, mas em novembro de 1978, setenta anos depois da fundação, surge o livro Fundamentos de Umbanda, Revelações Religiosas, que contém a mensagem do astral e traz as bases teológicas e norteadoras da doutrina umbandista, expondo sua extrutura e funcionamento como religião (Omulubá, 1987, p.73).
Quem codificou nossa religião foi um jóvem de dezessete anos chamado Zélio de Morais, da cidade de Niterói, bairro de Neves, em 15 de novembro de 1908, tendo sido trazida do plano astral por um espírito que a si mesmo deu o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas (Omulubá, 1987, p.09)
Nossos Gestos Sagrados
Todas as Segundas-feira acompanho meus pais ao culto que se chama GIRA onde eles vestem roupas coloridas e diferente daquelas que usam normalmente. O colorido das roupas representam as cores da entidade que eles incorporam no desenvolver do culto.
Meu pai fica numa fileira de homens e minha mãe na de mulheres, todos vestidos com roupas diferentemente do normal e bem coloridas. Eles ficam voltados para um altar que se chama GONGÁ, onde estão as figuras dos Orixás, representados pelas imagens de santos católicos, de índios, de pretos velhos escravos e de entidades de religiões africanas.
O culto, a gira, tem início com a entrada da Mãe de Santo, que é a Ialorixá, ou seja, a sacerdotiza, a chefa do terreiro. Ela invoca o orixá Oxalá dizendo: saravá ao nosso Pai Oxalá, a que todos respondem: SARAVÁ!
É feita a defumação do templo, do gongá (o altar) e dos médiuns (médiuns são as pessoas que estão vestidas coloridas e diferente do normal), é feita a saudação ao Exú (Exú é a entidade que é o mensageiro dos orixás), para que o mesmo não venha a atrapalhar o culto. Depois os tambores vão determinar o compasso da dança e a chamada (que é cantar o ponto) dos orixás para a incorporação.
São entoados cânticos invocando o orixá que vem incorporar uma das pessoas que estão dançando.
Minha mãe incorpora, ou seja, recebe uma entidade (um guia espiritual) chamada Iemanjá, que é a rainha das águas, e meu pai, Oxossi, que é o senhor das matas e da caça. No final do culto há um momento de orações e bênçãos (passes) e a gira termina com os orixás indo embora, ou seja, desincorporando.
Nossas Festas
São celebradas muitas festas na Umbanda, entre as principais, temos: (Altair Pinto, p. 86/87)
Natal de Jesus - celebrada na intimidade do lar, com simplicidade e respeito a família sagrada que modificou a historia dos homens.
Cosme e Damião - celebra o advento da criação do homem no seu duplo aspecto: físico e astral.
Outras festas são: Convocação de Xangô (São Jerônimo) é o deus do raio e do trovão. Festa de Ogum (São Jorge), Festa de Oxóssi (São Sebastião), Festa de Oxum (Santa Ana), Festa de Iemanjá (Nossa Senhora da Conceição) e Festa de Pretos-Velhos.
Nomes e imagens de santos católicos são usados e invocados nos nossos rituais porque as características deles se assemelham muito com as dos nossos Orixás, como por exemplo, Ogum, que é o senhor das batalhas, das lutas, das guerras, em muito se assemelha a São Jorge.
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Professor Napoleão Souza - email do professor -
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