Capítulo Seis (Continuação) - Samantha Stevens
O jantar foi bem divertido e saboroso. Dumbledore e o Sr. Weasley chegaram logo depois e todos puderam comer. A Sra. Weasley preparara uma refeição bastante caprichada: havia saladas, tortas salgadas e doces, um suflê muito bonito de frango, além de outras guloseimas. Fazia muito tempo que Harry não comia uma comida tão gostosa; não que durante sua estada na casa de Remo, a comida não fosse boa, mas a comida da Sra. Weasley era especial; tinha um toque de "comida de mãe".
Gina sentou do lado de Hermione, do outro lado da mesa, enquanto que Harry ficou perto de Rony, Sirius e Remo. A garota parecia um pouco esquiva, e cochichava muito com Hermione. Rony também não gostou muito de Hermione sentar longe dele, mas depois acabou esquecendo.
Sirius já estava totalmente recuperado do encontro com aquela mulher mais cedo. Estava muito alegre, comemorando a liberdade. Remo também estava muito feliz, o que era meio difícil de acontecer, e os dois pareciam adolescentes participando de uma festa escolar.
O Sr. Weasley comprou algumas garrafas de vinho, e quando fez o brinde, depois de dedicá-lo à liberdade de Sirius, explicou que foram comprados com o novo salário dele, de Ministro da Magia. Os olhos da Sra. Weasley brilharam de orgulho. Os gêmeos, Fred e Jorge, soltaram alguns fogos criados por eles mesmos, que eram vendidos na loja de logros, e possuíam todas as cores, além de soltarem fragmentos de músicas quando eram soltos. Mas não deixaram de aprontar as suas, quando colocaram "Essência Incha-Língua", uma variação do Caramelo Incha-Língua, no suflê de Percy, fazendo com que a língua dele inchasse e tomasse o tamanho de uns dois metros. Até a Sra. Weasley riu.
Dumbledore parecia muito diferente do que de costume. Na verdade, parecia ter voltado a ser aquele velhinho maluco de antigamente; sem preocupações. Ele ficou realmente muito engraçado quando tomou alguns cálices de vinho a mais, e suas bochechas ficaram rosadas, e mais ainda quando começou a soluçar de vez em quando. Falava quase tantas besteiras quanto Sirius, que já estava completamente bêbado e se abraçava em Remo, que também não estava em melhores condições. O Sr. Weasley também estava bastante alegrinho e até mesmo Rony estava um pouco vermelho.
- Vamos... Sirius levantou e começou a falar, um pouco tonto, e se apoiando nos ombros de Harry. Vamos ver como é que o filho de Tiago Potter bebe...
- Eu já tomei dois cálices, Sirius, não quero mais... Harry respondeu, enquanto o padrinho enchia seu cálice.
- Ora... hic... Harry... hic... Dumbledore falava arrastado e soluçando. Estava muito engraçado. Não... hic... vai... hic... fazer... hic... mal algum...
- Vocês já beberam demais, isso sim! a Sra. Weasley repreendeu.
- Ah, meu benzinho... o Sr. Weasley deu um beijo carinhoso na bochecha da esposa. Hoje é dia de festa... Faz tanto tempo que não temos uma... Vamos aproveitar...
- Isso! Sirius exclamou. Então beba, Harry!
O rapaz não teve outra escolha senão fazê-lo. Gina e Hermione olhavam para ele com censura. Rony aproveitou e tomou alguns cálices a mais também. Sirius enchia o cálice do afilhado de dois em dois minutos e, no final das contas, Harry nem lembrava direito o que estava fazendo e nem ligava mais. Aquele fora seu primeiro porre...
*******
- Ah...
Harry abriu os olhos lentamente. Sua cabeça estava doendo, estourando... Virou de um lado para outro na cama, mas não conseguiu pegar no sono de novo. Sentou e olhou para o lado. Apertou os olhos para ver melhor. Rony estava dormindo a sono solto na sua cama. Harry, tentando não fazer barulho, pegou seus óculos na mesa de cabeceira e colocou-os. Mas não adiantou muita coisa. Estava tão tonto que nem os óculos ajudavam a ver melhor.
Sentou na beirada da cama e respirou fundo. A cabeça doía muito. Não era dor na cicatriz, era dor de cabeça mesmo. Melhor assim.
Levantou e sentiu o mundo rodar ao seu redor. Apoiou-se no dossel da cama para não tombar. Talvez tivesse mesmo tomado alguns cálices de vinho a mais no dia anterior... Mas não lembrava direito do que tinha acontecido, de qualquer maneira. A última coisa que lembrava era de Rony comentando com ele que estava muito engraçado, ou alguma coisa do tipo...
Começou a andar pelo quarto sem fazer barulho. Vagamente, notou que era o quarto de Rony, cheio de pôsteres do Chudley Cannons, o time de quadribol favorito do amigo. Pela janela fechada, entravam alguns poucos raios de luz matinais. Andou pelo quarto até alcançar a porta e sair. Desceu as escadas tomando cuidado para não tropeçar nos degraus e segurando a cabeça dolorida. Tomar um copo dágua lhe parecia uma boa idéia, por isso seguiu para a cozinha.
No meio do caminho, mais precisamente na sala, encontrou uma cena muito engraçada. Tinham sido montados alguns colchonetes no tapete e, deitados neles, estavam nada mais, nada menos que Sirius, Remo e, por incrível que parecesse, Alvo Dumbledore. Realmente aquilo seria uma coisa para contar aos seus netos, Harry pensou; o diretor respeitado de Hogwarts deitado no chão da sala depois de uma bebedeira.
Lentamente, suas pernas o levaram até a cozinha. Viu que havia duas pessoas ali. O Sr. Weasley apoiava sua cabeça numa mão, enquanto com a outra bebericava uma xícara de café. O Profeta Diário estava sobre a mesa, e ele o lia muito concentrado. A Sra. Weasley estava preparando algumas coisas no fogão, fazendo floreios com a varinha, enquanto muitas coisas voavam pela cozinha.
- Com licença... Harry disse um pouco envergonhado. Bom dia...
O Sr. Weasley levantou os olhos do jornal enquanto a Sra. Weasley se virava. Os dois se entreolharam, sorriram e cumprimentaram o rapaz também.
- Você está com uma cara ótima... o Sr. Weasley disse sarcasticamente e entre risos, enquanto indicava a cadeira à sua frente para que Harry sentasse. Ele assim o fez, grato de não precisar mais ficar em pé.
- Minha cabeça tá doendo... reclamou.
- É isso que acontece quando se toma um porre como o que você tomou, querido. a Sra. Weasley explicou, dividida entre a censura e o riso. Ela virou uma xícara e a encheu até a boca de café. Depois colocou-a na frente de Harry. Tome, querido, vai te fazer bem.
O rapaz tomou um gole do café e fez uma careta. Estava sem açúcar. O Sr. Weasley reparou e deu uma risadinha baixa.
- Nem me peça para colocar açúcar! a Sra. Weasley parecia adivinhar os pensamentos do rapaz. Tem que ser assim. ela encheu uma xícara para ela e dessa vez colocou açúcar. Depois se sentou.
Harry, enquanto isso, tentava tomar, sem fazer careta, o café. O Sr. Weasley ria. A Sra. Weasley questionou exatamente o que Harry estava pensando.
- Do que você tá rindo, Arthur?
O bruxo olhou para o rapaz à sua frente e deu outra risadinha. A Sra. Weasley pareceu entender.
- Você ficou realmente engraçado ontem, Harry... ele comentou.
Harry ficou intrigado... e envergonhado.
- Por quê?
- Você sempre é tão tímido, mas... ficou diferente... digamos, quando estava... alto...
- O que eu fiz? o rapaz perguntou se sentindo ridículo.
A Sra. Weasley riu um pouco alto demais e depois tapou a boca. Controlando-se para não rir mais, ela contou:
- Você e seu padrinho cantaram uma música muito engraçada juntos...
- O quê? Harry sentiu suas bochechas corarem. Mas eu não lembro...
- É claro que você não lembra, estava de porre. o Sr. Weasley explicou.
- Eu não acredito que fiz isso... o rapaz se encolheu na cadeira.
- Ora, não se preocupe, querido... a Sra. Weasley ainda tentava controlar a risada. Rony também estava bastante cômico, e Dumbledore... nem se fala... Por falar nisso, nenhum deles ainda acordou?
- O Rony não. Harry respondeu, bebendo mais um gole do café amargo. E quando eu passei na sala, vi Sirius, Remo e o professor Dumbledore dormindo.
- Realmente é pra ficar na história... o Sr. Weasley comentou. Alvo Dumbledore deitado no tapete da minha sala, bêbado...
Nesse instante, ouviram passos, e quando olharam para a porta, o próprio Dumbledore entrava. Estava com olheiras circundando os olhos azuis, e os óculos de meia lua estavam um tanto tortos no rosto. Ele olhou para os presentes na cozinha, e suas bochechas se avermelharam de vergonha.
- Ah... Lamento, Arthur e Molly... Não sei como fui beber tanto... Desculpem-me.
- Não tem do que se desculpar, Dumbledore... o Sr. Weasley se levantou e conduziu o velhinho até uma cadeira, do lado de Harry.
- Mas eu fui muito imprudente... ele disse enquanto sentava, parecendo profundamente envergonhado. Beber desse jeito e ainda depois dormir aqui, atrapalhando vocês...
- Ora, o senhor sabe que adoramos quando a casa está cheia... a Sra. Weasley disse, servindo uma xícara de café sem açúcar para o diretor também.
O Sr. Weasley voltou a sentar. Dumbledore olhou de esguelha para Harry ao seu lado e sorriu. Harry sentiu-se corar e não agüentou:
- Eu tava tão ridículo assim?
- Ridículo é pouco.
Sirius, autor dessa frase, entrou seguido de Remo. Os dois parecendo um pouco tontos também.
- Você estava muito cômico... Remo riu.
Os dois se sentaram na mesa também e, como de costume, foram servidos de café pela Sra. Weasley. Durante o café da manhã, eles tiveram uma conversa agradável relembrando sobre os acontecimentos do dia anterior. Dumbledore contou a história de seu primeiro porre, em sua juventude, tentando animar Harry, que até agora não acreditava que tinha sido tão ridículo a ponto de cantar uma música que nem conhecia abraçado ao padrinho. Para seu alívio, ele não era o único que tinha sido idiota; Rony logo desceu, xingando o mundo por causa da dor de cabeça, e seu pai rapidamente fez questão de relatar-lhe como ele participou da cantoria também.
Percy aparatou na cozinha, já arrumado para ir trabalhar. Fred e Jorge, por incrível que parecesse, também já estavam prontos para ir para a loja, mas não aparataram na cozinha como o irmão mais velho. As meninas foram as últimas a descerem, bocejando muito. Gina parecia mais animada e sorriu para Harry quando o viu; ele só não sabia se ela já estava mais feliz com ele ou se foi a lembrança que ela provavelmente teve do porre do rapaz. Hermione sentou do lado de Rony, tirando muito sarro dele pelo porre.
Quando o Sr. Weasley tinha subido para se trocar, a lareira crepitou, e uma cabeça apareceu flutuando nela. Todos se assustaram um pouco e Harry reconheceu quem era; o rosto cheio de cicatrizes, dando a aparência de que era talhado em madeira, a juba de cabelos grisalhos e o olho azul mágico, que girava em todas as direções: Olho-Tonto Moody.
- Alastor? Dumbledore perguntou parecendo educadamente intrigado.
- Ah, você está aí, Dumbledore? ele perguntou com sua voz que parecia um rosnado. Parecia um pouco transtornado quando perguntou, voltando-se para a Sra. Weasley. Onde está Arthur?
- Foi se trocar para ir trabalhar. Ele já vai descer, por quê?
Moody suspirou.
- Preciso falar com ele. É urgente.
- Espere só um minuto. a Sra. Weasley saiu da cozinha, e todos puderam ouvir seus gritos ecoando pela casa, quando chamava o marido. Enquanto isso, Dumbledore perguntou, retomando sua postura séria:
- O que aconteceu, Alastor?
- Ah, você nem vai acreditar, Dumbledore... Pettigrew escapou.
- O quê? Sirius exclamou. Como?
Nesse instante, o Sr. Weasley entrou afobado na cozinha, seguido da esposa.
- Eu ouvi direito? ele perguntou.
- Sim, Arthur. Moody respondeu. Pettigrew fugiu.
- Mas como?
- Como você mesmo recomendou, deixamos ele por essa noite na mesma prisão subterrânea do Ministério, como estava antes, mas o prédio foi invadido.
- Invadido?
- Por seguidores do Lord das Trevas.
- Como é que é? Fred deixou escapar.
- Voldemort... Dumbledore murmurou e a maioria dos presentes se arrepiou, todos exceto Harry, Sirius e Remo. Era de se esperar...
- Eles prepararam um "resgate" para Pettigrew? o Sr. Weasley perguntou.
Moody assentiu.
- E não foi só isso. O seu escritório foi revirado, Arthur, e teve muita coisa destruída. E roubada também.
- Mas... deixamos aurores de guarda, não foi? Você estava lá, não é, Olho-Tonto?
- Estava. Mas éramos poucos perto dos Comensais. Além disso, não podíamos utilizar Maldições Imperdoáveis também, o que dificultou o trabalho. ele disse com irritação. Tivemos duas baixas no nosso grupo também.
- Quem?
- Stuart e Daniels.
O Sr. Weasley suspirou desanimado.
- Eles eram bons...
- Precisamos de você aqui e agora, Arthur. Moody disse com urgência na voz.
- Eu estou indo.
Um "puf" foi ouvido, e Moody desapareceu da lareira sem ao menos se despedir. O Sr. Weasley colocou a capa sobre os ombros e, enquanto a esposa a ajeitava e lhe dava a pasta, ele perguntou:
- Você vem também, Dumbledore?
- Não, Arthur. Sinto muito, mas não posso. Tenho que voltar urgentemente para Hogwarts, não posso mais deixá-la sozinha.
- Tem razão. Então eu já vou indo.
- Nós podemos ir com você, Arthur. Remo disse solícito, referindo-se a ele e Sirius.
- Isso, talvez possamos ajudar em alguma coisa. Sirius confirmou, claramente irritado com a fuga de Rabicho.
O Sr. Weasley pareceu ponderar.
- Sim, podem vir. ele disse por fim.
Percy se levantou, pomposo:
- Eu vou com o senhor, papai. Tenho um relatório para entregar ao Sr. Diggory.
Ouviu-se um sonoro "tsk, tsk, tsk" de Jorge.
- Amos Diggory é o novo chefe de Percy. Rony explicou ao pé do ouvido de Harry.
O Sr. Weasley concordou um pouco indiferente, despediu-se com um "tchau" dos jovens e da esposa, e um aperto de mão em Dumbledore, para depois desaparatar junto com Sirius, Remo e Percy.
- Não posso acreditar... a Sra. Weasley comentou aflita. Aquele Pettigrew fugiu... Como isso pôde acontecer, Dumbledore?
- Eu não sei, Molly... o diretor lamentou, levantando-se a seguir. Só sei que era de se estranhar que Voldemort estivesse tão quieto...
Novamente, todos, excetuando-se Harry, tremeram à menção do nome.
- Mas... e agora? ela insistiu.
- Temos de esperar para ver o que aconteceu. A propósito, Molly, peça por mim a Arthur que me envie uma coruja, para me deixar informado, quando ele puder. ela assentiu. Eu agradeço. Devia ter pedido isso antes de ele sair, mas esqueci. Gostaria de ter ido junto também, mas realmente tenho que retornar a Hogwarts. Confio em Minerva para cuidar de lá, mas prefiro não estar ausente quando Voldemort resolve atacar.
- O senhor está certo.
- Além disso, logo os alunos retornarão das férias... ele olhou rapidamente para Harry, Rony, Hermione e Gina. - ...e tudo deve estar pronto.
- O senhor não vai terminar de comer?
- Não, preciso mesmo ir. Agradeço por tudo, Molly, você e Arthur foram muito gentis e hospitaleiros, como sempre. ele sorriu. E me desculpem por... bem, vocês sabem. ele parecia novamente encabulado.
Despediu-se com um aceno de cabeça dos jovens e já ia desaparatar, quando parou, coçou a barba longa e branca, e aproximou-se de Harry:
- Você não teve nenhum sonho esta noite, Harry?
Harry levantou as sobrancelhas.
- Não, professor. Nenhum. Dormi a noite inteira... ele fora sincero. Dormira como uma pedra.
Dumbledore coçou novamente a barba e disse pensativamente:
- Deve ter sido o porre. as meninas e os gêmeos abafaram risadinhas. Harry se sentiu muito idiota. Dumbledore olhou profundamente para Harry antes de dizer: - Ou... talvez não...
Todos ficaram em silêncio. Harry ia abrir a boca para perguntar alguma coisa, mas Dumbledore desapareceu. Um clima pesado se estabeleceu na sala. Harry reparou que todos olhavam para ele. De repente, Fred levantou e disse:
- Acho melhor irmos também, maninho.
- É. Temos que abrir a loja.
- Mas vocês vão... mesmo depois de tudo isso? a Sra. Weasley perguntou preocupada.
- Temos que trabalhar, mamãe! Jorge disse tentando parecer sério.
- Somos homens de negócios, agora! Fred completou.
- Bem que a gente podia ir também! Rony sugeriu. Assim o Harry conhecia a loja e...
- Não mesmo! a matrona dos Weasley foi categórica. Vocês ficam! Não quero mais ninguém fora de casa a não ser que seja estritamente necessário! Já não bastam seu pai e seus irmãos!
Rony fez uma careta. A Sra. Weasley beijou cada um dos filhos e lhes deu várias recomendações antes de, assim como os outros, desaparatarem. Ela suspirou e olhou para os quatro garotos que restaram.
- Vamos, saiam! disse com a voz mais aguda que o normal. Eu preciso arrumar a cozinha! e desabou na cadeira, desanimada.
Os quatro se entreolharam, e foi Gina que falou primeiro, chegando-se à mãe e abraçando-a.
- Não fica assim, mãe. Eles vão ficar bem... Todos eles.
- Ah... filha... assim espero... ela olhou para o relógio que mostrava onde todos os Weasley se encontravam. Os ponteiros do Sr. Weasley e Percy indicavam "trabalho", assim como os de Gui e Carlinhos, os irmãos mais velhos de Rony, que trabalhavam e moravam em outros países. Fred e Jorge indicavam "viagem", e depois também passaram para "trabalho". Rony, Gina e Sra. Weasley indicavam "casa".
- Mas vão se divertir! ela parecia ter saído de um transe. Aproveitem os últimos dias de férias! Só não quero que vão muito longe, senão fico preocupada.
- Pode deixar, mãe. Rony a acalmou, e os quatro saíram para o jardim.
Quando já tinham deixado a casa, Rony e Hermione se abraçaram carinhosamente. Harry olhou para Gina, e ela sorriu. Ele segurou a mão dela. Não ousou fazer mais depois do que acontecera na noite anterior. Os amigos olharam para os dois e depois se entreolharam. Sorriram e inventaram que precisavam fazer algo. Logo, deixaram Harry e Gina sozinhos.
Harry levou a garota para debaixo da sombra de uma árvore, e os dois sentaram na grama. O rapaz ficou olhando para ela por alguns instantes, observando como ela ficava bonita sendo iluminada pelos raios de sol que penetravam pela copa da árvore. Ela notou e sorriu. Depois disse, como se tentasse quebrar o clima que estava se formando:
- Você acha que eles vão ficar bem? Quer dizer, depois desse ataque... dele...
Harry se aproximou um pouco mais, devagar, e colocou para trás da orelha dela alguns fios de cabelo que lhe caíam no rosto. Ela inclinou a cabeça para o lado onde estava a mão dele, tocando-a.
- Vai ficar tudo bem. Vol..., quer dizer, ele já conseguiu o que queria e provavelmente não vai tentar nada... pelo menos por agora.
- Você acha? Quero dizer... você sabe... Não é?
Harry ficou sério e tirou a sua mão de perto da cabeça dela.
- Está falando dos meus sonhos?
- Desculpe falar sobre isso, mas... é que eu fico preocupada também...
- Eu entendo. Mas eu não sei direito, Gina... Às vezes eu sei, outras não. Eu não sabia de ontem...
Gina riu, quebrando o gelo.
- "Deve ter sido o porre".
- Ah, não! Harry lamentou-se. De novo, não! Eu fui tão ridículo assim?
- Não... mas tava engraçado...
Ele suspirou.
- Não fica assim... ela passou a mão delicada no rosto dele. Me desculpe por ontem...
Harry se surpreendeu, mas logo se recompôs.
- Não precisa. Eu é que...
- Não! Você não me deve desculpas, eu é que fui uma tola... Você deve tá me achando uma idiota...
- Claro que não, Gina! Eu nunca acharia isso de você... Eu só... fiquei... preocupado... Achei que tivesse te magoado...
- Você não fez nada de errado, Harry. Eu é que sou uma boba...
Ele ia protestar, mas ela o calou colocando o dedo indicador sobre os lábios dele.
- Eu prometo nunca mais te chatear assim, Harry...
Ela sorriu, e ele também. Ela se aproximou mais dele e, dessa vez, a iniciativa foi dela. Primeiro os lábios se juntaram meigamente, mas depois mais ardentemente. Ela colocou os braços por cima dos ombros dele, mas ele não se atreveu a abraçá-la novamente pela cintura, preferindo deixar as mãos apoiadas na grama. Ela soltou uma das mãos do abraço e forçou-o a colocar a mão dele na cintura dela, como se adivinhasse o que ele estava pensando. Ele preferiu subir a mão e colocá-la no meio dos cabelos macios dela, bagunçando-os. Ele mesmo interrompeu o beijo e ficou olhando para ela, um com a testa apoiada no outro. Ela sorriu e o abraçou e, dessa vez, ele se sentiu feliz e completo, não mais sem saber o que fazer. Algo muito gostoso e quente corria dentro de si. Sorriu. Tinha tudo o que queria agora. E não importava Voldemort lá fora... Nem nada mais...
*******
Naquele dia, o Sr. Weasley voltou muito tarde do trabalho. Tanto os gêmeos, quanto Percy, já tinham voltado do serviço. Sirius e Remo não voltaram com ele. O Sr. Weasley explicou a Harry que eles preferiram ficar no apartamento de Remo, mas que mandaram lembranças ao rapaz. Porém, no dia do embarque a Hogwarts, Sirius prometera que iria se despedir de Harry e levar junto os pertences do rapaz que ainda estavam no apartamento de Remo.
Entrementes, Pedro Pettigrew tinha sido mesmo "resgatado" pelos Comensais da Morte. Na noite posterior ao julgamento, o Ministério fora invadido e, segundo o que o Sr. Weasley contara, muita coisa foi destruída e roubada no prédio, e principalmente na sua sala. Parecia que o "resgate" de Rabicho tinha sido apenas um dos motivos para a invasão.
Por outro lado, o último dia de férias foi bastante alegre. Fred e Jorge voltaram mais cedo da loja e, por isso, jogaram quadribol junto com os outros. Jogaram três de cada lado: Harry, Gina e Jorge versus Rony, Hermione e Fred. Harry e Rony jogaram de apanhadores e goleiros ao mesmo tempo, mesmo que o primeiro não fosse muito habilidoso como goleiro e o segundo tampouco como apanhador. Fred e Jorge eram batedores, e Hermione e Gina, artilheiras. O time de Harry ganhou, muito por causa dos gols de Gina, que conseguia enganar Rony muito bem, mesmo ele sendo bom no que fazia.
Porém, as férias terminaram, e o dia de embarque finalmente chegara. Como sempre, foi aquela confusão costumeira na casa dos Weasley, um pouco menos confusa pelo fato de Fred e Jorge não irem mais para Hogwarts, mas ainda assim, uma bagunça geral. Gente subindo e descendo as escadas, corujas piando, gatos miando, o vampiro do sótão fazendo barulho... Harry era o único que não tinha muito o que fazer, já que suas coisas ainda estavam no apartamento de Remo e seriam levadas por Sirius na hora do embarque, então o rapaz estava ajudando Rony a arrumar seus pertences. Porém, logo lhe foi designada uma tarefa bastante difícil por Hermione: segundo ela, Spi, o pequeno Splooty que ela tinha ganhado de Hagrid, um bichinho que mais parecia ser uma bola de pêlos e achava qualquer coisa que se quisesse, não parava quieto e não a deixava arrumar suas coisas. Então, Harry teve que cuidar do bichinho, o que era um pouco complicado, porque ele vivia pulando de seu colo e saía correndo e saltitando à procura da dona.
No final das contas, tudo deu certo, e eles conseguiram sair. O Sr. Weasley tinha ido trabalhar, mas mesmo assim, deixara um carro bastante espaçoso do Ministério para que seguissem para a Plataforma 9 e ½. Percy preferiu ficar em casa, alegando ter trabalho extra. Os gêmeos quiseram ir junto.
Na estação Kings Cross, eles procuraram apressados pelas plataformas 9 e 10, tentando não chamar atenção dos trouxas. De dois em dois, cruzaram a barreira mágica entre as duas plataformas. E do outro lado estava o Expresso de Hogwarts, soltando fumaça atrás de si. Milhares de alunos barulhentos se despediam dos pais e familiares. Harry viu Neville Longbottom ao longe, levando uma bronca da avó; provavelmente por ter esquecido alguma coisa. Simas Finnigan e Dino Thomas estavam conversando e acenaram quando os viram chegar. Mas quem Harry mais gostou de ver mesmo foi Sirius. Ele estava parado perto de uma das portas do Expresso, junto com as coisas do afilhado, e um sorriso bobo no rosto por estar no meio das pessoas, e todas elas ficarem lhe olhando admiradas.
- Harry! ele gritou quando viu o rapaz chegando com os outros. Todos se aproximaram do bruxo. Nesses dois dias, Sirius tinha aproveitado para cortar melhor o cabelo e comprar roupas novas e decentes. Algumas garotas o olhavam com admiração.
- Vocês demoraram! ele exclamou quando se aproximaram.
- Nos atrasamos. a Sra. Weasley explicou, olhando ameaçadoramente para os gêmeos. Fred e Jorge resolveram soltar uma bomba de bosta no quintal!
Sirius riu.
- Mas mãe! Nós tínhamos inventado aquela bomba com cheiro de frutas ontem! Fred protestou.
- Precisávamos testá-la! Jorge continuou.
- Mas não precisava ser hoje! ela recriminou.
Enquanto isso, Harry se abaixou para acariciar Edwiges, que estava empoleirada na sua gaiola.
- Oi, Edwiges!
- Como ela é temperamental, Harry! Sirius reclamou. Ficava me bicando porque eu não deixava ela voar atrás de você. Eu achei melhor que ela não fosse te procurar, mas ela não queria entender!
- Bem, pelo menos ela não fica fazendo isso. Rony disse, mostrando para Sirius a gaiola de Pichitinho. A corujinha voava de um lado para outro, batendo nas grades.
Sirius riu novamente.
- Mas ele é uma boa coruja de entregas, que eu saiba. Pelo menos, quando me levava cartas, não errava de endereço.
- Isso é verdade. Rony admitiu olhando para a sua coruja, que piava feito louca.
- Não liga pra ele, Sirius. Hermione disse. Rony reclama demais.
- Também não é assim!
O apito tocou, chamando os alunos para o embarque. A Sra. Weasley foi se despedir dos dois filhos, dando-lhes inúmeras recomendações e deixando Harry e Sirius a sós. O rapaz, então, aproveitou a oportunidade:
- Sirius, eu precisava te perguntar uma coisa.
O padrinho fez uma expressão desconfiada e respondeu:
- Acho que agora não vai dar, Harry. Você logo vai embarcar e...
- Não, dá tempo se você não me enrolar. Sirius revirou os olhos. Eu preciso saber, Sirius... Do que aquela mulher que encontramos no Ministério estava falando? O que ela sabe sobre você e... sobre meu pai?
Sirius fechou a cara.
- Eu não quero ser grosso, mas isso não é da sua conta.
- Nem vem, se ela queria falar é porque me diz respeito!
- E você prefere acreditar naquela cobra a acreditar em mim, que sou seu padrinho?
Harry se sentiu muito envergonhado e não disse mais nada. Sirius recomeçou a falar num tom menos duro.
- Olha, Harry... Não quero que você fique chateado, mas... ele bufou. Eu sei que deve ter muitas coisas que você quer saber, mas também tem coisas que simplesmente você não pode! Isso é um assunto muito pessoal, meu, e eu não quero falar sobre isso. Sinto muito, mas é assim. Ela só falou aquilo porque queria me provocar. Nada mais que isso.
- Desculpe. Harry murmurou se sentindo muito mal de ter chateado o padrinho.
Sirius fez uma expressão de desânimo e bagunçou o cabelo do afilhado.
- Não quero que você fique chateado. Você não tem culpa, e eu não estou bravo com você. Não tem do quê pedir desculpas.
O rapaz não disse nada.
- Harry? o padrinho insistiu.
- Tá... ele olhou para o padrinho. Tudo bem...
- Eu não quero que você vá embora, e a gente esteja brigado...
- Tudo bem, Sirius. Harry sorriu, e o padrinho o acompanhou.
Eles se abraçaram, e o padrinho bagunçou ainda mais o cabelo do afilhado, para, a seguir, tomar uma postura bastante paternal quando recomendou:
- E vê se você se cuida! Não quero te ver metido em encrencas!
Harry riu.
- Já falei um milhão de vezes que não me meto em encrencas! Elas vêm até mim!
- Tá bom... o outro disse descrente, para depois completar, em um tom que parecia confidencial: - Harry... Não fica dando trela para "certas pessoas" que você vai encontrar em Hogwarts esse ano.
Harry ia perguntar o porquê, mas não conseguiu porque a Sra. Weasley logo veio se despedir dele, dando-lhe um abraço muito apertado e também muitas recomendações, como fez aos filhos e à Hermione. Logo, os quatro embarcaram com as coisas e todos os animais no Expresso, o que foi o mais difícil, porque Pichitinho não parava de piar, e Spi de pular, Bichento não queria ficar no cesto e Edwiges piava indignada com o alvoroço. Depois, ficaram acenando quando o trem começou a andar, e assim que ele fez uma curva, Sirius, a Sra. Weasley e os gêmeos desapareceram.
Harry, Rony, Hermione e Gina pegaram uma cabine vazia no final do trem e ficaram conversando sozinhos por um bom tempo. Porém, logo, várias pessoas entraram e ficaram lhes acompanhando durante a viagem, e a cabine encheu. Entraram Neville Longbottom, Simas Finnigan e Dino Thomas, seguidos depois de Colin Creevey (que insistiu em tirar uma foto de Harry, e o rapaz deixou, mas de todos juntos) e uma garota do quinto ano, baixinha e de cabelos castanhos que batiam no ombro, que Gina apresentou como sendo uma amiga sua. O chato era que a garota fazia milhares de perguntas para todo mundo. Gina contou a Harry que ela era um pouquinho... fofoqueira.
- Ai! Tô com fome! Rony reclamou no meio de uma inflamada conversa sobre o campeonato de quadribol.
- Credo, Rony, você só pensa em comer? Hermione censurou, mas logo foi traída, porque seu estômago roncou na mesma hora. Ela ficou muito vermelha e mais ainda quando Rony, rindo, beijou-a rapidamente na frente de todos.
- A moça do carrinho de doces ainda não passou... Já não era sem tempo... Dino comentou.
- Da última vez que eu a vi, ela estava lá nos primeiros vagões. a garota meio fofoqueira, que se chamava Peta Spencer, disse.
- Puxa, mas o Rony tem razão... Eu tô com fome também. Neville comentou.
- Eu vou ver onde ela tá e falo pra ela vir aqui. Harry disse se levantando. Alguém quer que eu traga alguma coisa?
Todos concordaram que era melhor esperar quando a moça viesse depois de Harry chamá-la, já que os pedidos eram muitos. Então, Harry saiu da cabine, procurando pela moça.
Os corredores estavam muito cheios, e vários alunos andavam de um lado para outro, falando alto e rindo. Alguns até discutiam, como um grupo de garotos grifinórios e sonserinos do terceiro ano. Quem estava no lugar para acabar com a briga era a bela monitora da Corvinal, do sétimo ano, Cho Chang, pela qual Harry chegara certa vez a sentir uma "quedinha". Ele a cumprimentou com um aceno de mão, mas ela estava muito ocupada com os alunos briguentos, e a única coisa que pôde fazer foi lançar-lhe um sorriso.
Durante o caminho, Harry cumprimentou outros alunos que conhecia, até chegar onde estava a bendita moça do carrinho de doces. Ela estava ainda nos vagões da frente, saindo de uma das cabines. Quando chegou perto dela, Harry aproveitou para, além de pedir que ela fosse para a sua cabine, comprar um pacote de caramelos e um de Feijõezinhos de Todos os Sabores.
Quando estava voltando, mordiscando os caramelos e ainda surpreso que não tivesse encontrado com nenhum sonserino desagradável no caminho, como por exemplo Draco Malfoy, Harry esbarrou em uma garota que saía de uma das cabines sem olhar por onde andava. Os dois caíram no chão, e alguns caramelos de Harry se espalharam.
- Não olha por onde anda?
Harry lembrou vagamente desse tom de voz arrogante. Quando olhou para quem era, viu que a garota era aquela mesma que encontrara na Floreios & Borrões e lembrou que também tinha esbarrado da outra vez nela. Mas não gostou nada do tom que ela utilizara, ainda mais porque ela é que fora descuidada. Além disso, agora que sabia que ela era prima de Draco Malfoy, não via problema algum em retrucar.
- Você é que não tava olhando por onde andava, garota!
- Eu?
- Você mesma! Você que é descuidada e depois fica colocando a culpa nos outros. Harry disse um pouco irritado, recolhendo os o pacote de feijõezinhos e o de caramelos, avaliando o estrago.
- Descuidada? Como você ousa? ela perguntou numa voz aguda, levantando-se e colocando as mãos na cintura. Harry reparou que ela ainda usava uma luva preta na mão direita, como da outra vez.
Harry se levantou também e a encarou.
- Sim, descuidada!
- O que é que foi, Kathy? uma voz arrastada perguntou abrindo a porta da cabine. Draco Malfoy.
- Nada, Draco. E não me chame de "Kathy".
- É você, Potter? ele perguntou com os olhos estreitos. Você está incomodando minha prima?
Harry bufou e revirou os olhos.
- Não tenho culpa se ela é uma descuidada. e deu as costas para os dois, saindo andando.
- Volta aqui, Potter! ainda ouviu a voz de Malfoy.
- Não tenho nada pra falar com você, Malfoy. Harry respondeu sem ao menos olhar para trás.
- Furnunculus!
Harry ouviu a voz de Malfoy exclamar e rapidamente se encostou na parede, os pacotes de doces caindo novamente no chão, mas evitando o feitiço por um triz, que acertou em um garoto do segundo ano que estava andando na direção deles. Rapidamente brotaram furúnculos do nariz dele, e ele gritou de dor.
Harry olhou para Malfoy e viu que fora ele mesmo que conjurara o feitiço, pois estava com a varinha apontada. De imediato, Harry procurou a varinha nas vestes, mas não foi tão rápido quanto Cho Chang, que vinha naquela direção e gritou, assim que viu a confusão:
- Expelliarmus!
A varinha de Malfoy voou da mão dele e foi parar na dela. Ela olhou com censura para o rapaz e depois para Harry.
- Já não basta ter que apartar briga de crianças do terceiro ano, tenho que fazer isso também com garotos do sexto? Harry! Até você?
Harry ficou bastante irritado e cruzou os braços.
- Não fui eu quem sacou a varinha, Cho! e indicou a varinha de Malfoy.
- Isso vai ser relatado ao diretor da sua casa, Sr. Malfoy! ela informou ao sonserino, que bufou.
Harry se abaixou para recolher os pacotes de doces e foi embora, enquanto Cho cuidava do garoto com furúnculos. Ainda ouviu a última frase de Malfoy, dizendo:
- Da próxima vez eu não vou errar, Potter! E não serão apenas furúnculos!
Harry se virou e encarou Malfoy nos olhos. Eles faiscavam. A prima dele estava encostada na parede, revirando os olhos, como se não acreditasse no que estava acontecendo. Harry estava pronto para dizer mais alguma coisa, porém, Cho disse:
- É melhor você ir, Harry. e sussurrando, ela completou. Não ligue.
O rapaz suspirou e girou nos calcanhares. Irritado, caminhou batendo os pés até chegar na última cabine. Abriu-a estrondosamente e viu quando todos os que estavam ali o olharam com curiosidade.
- Pega! Harry disse jogando o pacote de feijõezinhos para Rony, que o agarrou assustado. Eu trouxe para ir enganando o estômago de vocês enquanto a moça do carrinho não chega. e sentou do lado de Gina, jogando-se no assento e dando o pacote de caramelos para ela, que o olhou com uma expressão um pouco preocupada.
- Que bicho te mordeu? Simas perguntou.
- Nenhum.
- Pára com isso, Harry! Hermione censurou. É óbvio que aconteceu alguma coisa, dá pra notar.
Harry olhou para a amiga e disse apenas uma palavra:
- Malfoy.
- Ah, não liga pra ele! Gina recomendou. Ele não presta.
- Ele e aquela "priminha" dele... Harry bufou. Dupla de desagradáveis...
- Aquela que a gente encontrou na Floreios & Borrões? Rony perguntou, abrindo o pacote de feijõezinhos.
- Ela mesma.
- Ah, agora você viu como aquela Willians é irritante. Hermione comentou.
- Willians? Simas perguntou. Katherine Willians?
- É ela sim. Gina confirmou.
- Vocês sabem da última? aquela menina, Peta, perguntou com os olhos brilhando.
- E qual é? Colin perguntou com uma risada. Qual é a última fofoca fresquinha de Peta Spencer?
- Não é fofoca! ela retrucou com toda a dignidade que conseguiu reunir.
- Fala logo, Peta! Gina pediu.
- Tá, aí vai! ela disse como se fosse soltar uma bomba. Hermione revirou os olhos. Dizem as más línguas que essa Willians e Malfoy estão namorando, ou ficando, sei lá...
- Mas ele não tava com a Pansy Parkinson? Dino perguntou.
- Estava. ela afirmou. Não está mais. Parece que deu um grande chute nela.
- Também, com aquela cara de buldogue que ela tem... Hermione riu.
- E o que isso importa? Rony perguntou. Só mostra que há mais garotas loucas no mundo pra ficarem com o Malfoy.
- Mas... tirando ele ser um sonserino... até que não é de se jogar fora...
- Peta! Colin censurou. Todos olharam para a garota como se ela fosse de outro mundo.
- Eu, hein? Não falei nada de mais... e foi embora, batendo os pés. Colin foi atrás dela.
O restante do pessoal ainda ficou esperando pelo carrinho de doces, que chegou logo depois. Todos ficaram conversando e, só quando estavam quase chegando em Hogwarts, Neville, Simas e Dino foram embora da cabine. Estava uma noite nublada quando Harry, Rony, Hermione e Gina desceram do trem e pegaram uma carruagem, depois de cumprimentarem Hagrid por cima das cabeças dos alunos do primeiro ano, que atravessariam o lago. Na carruagem, puderam ver novamente o esplendor do castelo visto de fora, com todas as suas torres e torrinhas iluminadas.
Assim que atravessaram as portas de carvalho e chegaram ao saguão de entrada, notaram que havia um pequeno tumulto. Pirraça, o poltergeist, estava jogando terra molhada na cabeça dos alunos. Harry teve que se desviar quando o fantasma jogou um punhado bem grande bem na sua direção.
- Pirraça! Hermione exclamou, tomando sua posição de monitora. Pare com isso já ou eu vou chamar a professora McGonagall!
Como resposta, veio uma rajada de terra na direção de Hermione, que só não a acertou porque Rony a puxou rapidamente pela mão.
- Nós vamos chamar o Barão Sangrento! Rony ameaçou.
- Não será preciso. uma voz disse atrás deles. Era a Profª. McGonagall. Eu já o chamei, Pirraça, e ele está disposto a vir aqui falar com você.
O poltergeist fez um som de indignação e, antes de ir embora, ainda soltou a terra que tinha nas mãos em cima de um grupo de garotas do quarto ano, que escaparam por pouco. A Profª. McGonagall soltou uma risadinha breve.
- Como é medroso...
- Por quê, professora? Hermione perguntou.
- Eu ainda nem vi o Barão Sangrento hoje, Hermione.
A garota corou ao ser chamada pelo primeiro nome. Tinha uma profunda admiração pela diretora da Grifinória e professora de Transfiguração.
- A propósito. a professora disse. Tenho umas coisas a resolver com a senhorita e com o Sr. Weasley. Assuntos da monitoria. ela olhou para Harry e Gina. Os senhores podem ir para o salão principal.
Harry e Gina não tiveram outra escolha e seguiram para o local indicado. O salão estava muito bonito, decorado com velas flutuantes e o teto refletindo o céu de fora, mesmo que estivesse nublado. Os vários alunos estavam acomodados e todos falando muito alto. Harry e Gina se sentaram quase na ponta da mesa da Grifinória, guardando dois lugares para Rony e Hermione.
Assim que se sentou, Harry começou a olhar ao seu redor, como sempre fazia todos os anos. Na mesa da Grifinória, pôde ver os amigos com quem já tinha conversado no trem. Foi nessa hora que sentiu falta dos gêmeos Weasley e sua contagiante animação. Na mesa da Corvinal, Cho Chang conversava com as amigas e sorriu para Harry. Na da Lufa-lufa, Harry acenou para Ernie McMillan, Justino Finch-Fletchley e Ana Abott. Já na da Sonserina, Harry pôde ver que Draco Malfoy tentava falar alguma coisa para Katherine Willians, sendo observado pelos olhos rancorosos de Pansy Parkinson.
Então, o rapaz transportou seu olhar para a mesa dos professores. Dumbledore estava conversando animadamente com a Profª. Sprout. No cálice do diretor, Harry notou sorrindo, havia água ao invés de vinho. O miudinho Prof. Flitwick tentava dizer alguma coisa ao mais assustador professor de Hogwarts, Severo Snape, mas ele não estava prestando atenção; olhava para um ponto do outro lado da mesa com um olhar de... Harry sabia que olhar era aquele... era o mesmo que o mestre usava quando olhava para ele: desprezo. O rapaz acompanhou a linha de visão do professor e viu... não podia ser! Era aquela mulher, aquela que encontrara no Ministério e que discutira com Sirius! A mulher pareceu notar que Harry a estava olhando, porque virou o rosto e bateu o olhar no rapaz. E, novamente, daquele jeito que o incomodava.
- Boa noite! Nick Quase Sem Cabeça, o fantasma da Grifinória, que tinha esse apelido devido a ter sido "quase" decapitado, cumprimentou.
- Boa noite, Nick! Gina respondeu o cumprimento.
- Ah, oi, Nick. Harry disse, ainda olhando para a mulher, que desviou o olhar. Harry também o fez, mas para perguntar para o fantasma:
- Nick... Você sabe quem é aquela mulher? Na mesa dos professores?
Gina olhou intrigada para o namorado, e depois observou, curiosa, a mulher que Harry indicava com a cabeça. Nick também fez isso e depois questionou:
- A Profª. Stevens? Ela assumiu o cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas.
- Professora? Harry repetiu, entendendo. Então era a esse emprego que Remo se referiu naquele dia...
Nesse instante, Rony e Hermione chegaram, sentaram nos lugares guardados pelos amigos e cumprimentaram Nick.
- O que a Profª. McGonagall queria? Gina perguntou a eles.
- Nada de mais. Rony respondeu. Era só pra dizer a senha do salão comunal e mandar que nós conduzíssemos os alunos do primeiro ano.
- Como "nada de mais", Rony? Hermione se manifestou. Isso é muito importante!
Rony fez um gesto impaciente.
- Tô com fome, quando é que vão servir o jantar?
Hermione bateu a mão na testa.
- Ainda tem a seleção, Rony... Gina falou. Pode esperar sentado.
- Que foi, Harry? Hermione perguntou, percebendo que o amigo estava distraído.
- Nada... ele respondeu, finalmente desviando o olhar da mulher, que agora conversava com Hagrid, que acabara de entrar. Nada, não.
Pela porta do salão, entraram a Profª. McGonagall, encabeçando uma grande fileira de alunos do primeiro ano, todos nervosos e ansiosos. Ela os conduziu até a frente da mesa dos professores, onde estava um velho chapéu em um banquinho, o Chapéu Seletor. Depois da música que ele cantou, os alunos foram selecionados. Rony reclamava a todo instante que estava demorando muito e que ele estava com fome. Porém, depois que o último aluno foi selecionado, Rony suspirou desanimado quando Dumbledore pediu a atenção dos alunos para falar:
- Bem-vindos, alunos e alunas. Estamos aqui para iniciar mais um ano letivo e, espero que entre alguma coisa nas nossas cabecinhas ocas durante ele. Tenho alguns avisos para fazer: como de costume, a floresta é proibida para todos os alunos; a lista de objetos proibidos está na sala do Sr. Filch... ele indicou o enojante Argo Filch, que estava acompanhado com sua gata, não menos enojante, Madame Nor-r-ra. É permitida a visita ao vilarejo de Hogsmeade a todos os alunos que tiverem autorização dos responsáveis, do terceiro ano para cima. E mais uma coisa muito importante: gostaria de apresentar-lhes a professora que lecionará Defesa Contra as Artes das Trevas durante esse ano, a professora Samantha Stevens.
Dumbledore indicou a professora, que se levantou e cumprimentou os alunos com um sorriso enigmático, debaixo de uma salva de palmas dos alunos, na maioria dos garotos. Rony batia palmas com entusiasmo, o que fez Hermione lhe dar um sonoro tapa no braço. Ele parou na mesma hora e mudou de assunto, perguntando baixinho para Harry:
- Mas essa não é aquela mulher que vimos no Ministério? A que discutiu com Sirius? Harry concordou com um aceno de cabeça.
- Agora... Dumbledore recomeçou a falar quando as palmas silenciaram. Que o banquete se inicie...
Imediatamente, as travessas se encheram de comida dos mais variados tipos. Todos se puseram a saborear a deliciosa comida de Hogwarts e a conversar em altas vozes. Rony comia muito rápido.
- Você vai se engasgar! Hermione disse preocupada.
- É que eu tô com fome! ele respondeu, ainda mastigando as batatas.
- Não fala de boca cheia!
Enquanto comia, Harry não pôde deixar de notar que, às vezes, a Profª. Stevens ainda o encarava. Ela conversava animadamente com Hagrid, mas às vezes desviava o olhar para Harry e o encarava. O rapaz estava começando a se incomodar.
Ao mesmo tempo, Snape era um que, além da maioria dos garotos, não tirava os olhos da professora. Mas ele não a olhava porque ela era atraente, era por outra coisa...
- Vocês sabem do que estão dizendo por aí? Peta Spencer, que estava ao lado de Gina, perguntou. Colin, que também estava por perto, suspirou desanimado.
- O que é, Peta? Gina perguntou com toda a paciência do mundo.
- Tão dizendo que o Snape não gosta da Profª. Stevens.
- Isso não é novidade... Rony comentou com a boca cheia de suco de abóbora. Ele odeia tudo quanto é professor de Defesa Contra as Artes das Trevas... Todo mundo sabe disso.
- É, mas tão dizendo que não é só pelo cargo. a menina continuou. É pessoal.
Era impressionante como a garota era uma fonte de informações, Harry não deixou de perceber, mas também não pôde admitir que ela talvez estivesse certa. Aquele olhar que Snape dirigia à professora não parecia ser meramente inveja profissional... Era mais que isso... Era mais do que cobiçar o cargo que ela ocupava. O pior era que, às vezes, a professora percebia que Snape a olhava e ainda lhe lançava sorrisinhos irônicos, fazendo Snape bufar de raiva. Parecia que não era somente Sirius que não gostava da mulher...
Quando a maioria dos alunos já estava terminando seus jantares, Hermione e Rony saíram, conduzindo os alunos primeiranistas para a torre da Grifinória. Harry e Gina foram mais tarde, aproveitando o finzinho de noite que ficariam juntos. No dia seguinte começariam as aulas, e eles provavelmente se veriam bem menos, já que eram de anos diferentes.
Durante o caminho, Gina começou a falar, e Harry percebeu que Rony estava certo: a caçula dos Weasley era mesmo muito ciumenta:
- Quer dizer que a professora de Defesa Contra as Artes das Trevas é aquela mulher que vocês encontraram no Ministério?
- É ela mesma.
- E posso saber por que você ficou olhando para ela várias vezes durante o jantar?
Harry riu.
- Porque estava curioso.
- Não era pelo mesmo motivo que todos os outros garotos estavam olhando para ela?
- Não, Gina, não era. ele respondeu, dando-lhe um selinho.
- Tá... ela respondeu, rindo.
Quando chegaram ao quadro da Mulher Gorda, Harry admitiu:
- Não sei qual é a senha... Você sabe?
- Unicórnio Prateado. ela disse, e o quadro girou, mostrando a entrada do salão comunal.
- Como você sabia?
- A Mione me disse. Se você não estivesse tão preocupado em ficar olhando para a professora, saberia também. ela alfinetou e entrou.
Harry suspirou e seguiu-a. Quando entraram, Rony e Hermione estavam explicando para os alunos novos quais eram os dormitórios femininos e masculinos. Depois da explicação, os primeiranistas começaram a subir.
- Ah, vocês chegaram! Hermione disse, vendo Harry e Gina.
Gina se aproximou de Hermione e começou a empurrá-la.
- Preciso conversar com você, Mione.
Hermione estava tão confusa quanto Harry e Rony, mas não teve outra escolha senão subir para os dormitórios femininos depois de dizer um "Boa noite, meninos".
- Essas duas andam conversando demais, você não acha? Rony perguntou a Harry, que apenas deu de ombros.
Os dois amigos, então, começaram a subir as escadas para os dormitórios masculinos e, quando chegaram ao quarto, encontraram Simas, Dino e Neville, de pijamas, discutindo com quem ficariam as camas.
- Eu quero essa! Simas reclamou, apontando para a cama do lado direito, perto da janela.
- Mas eu quero essa! Dino insistiu.
- Mas essa cama era minha! Neville choramingou. Eu sempre dormi nela!
- Que tá acontecendo? Rony perguntou ao entrar.
- Estamos decidindo com quem ficam as camas. Dino explicou.
- Discutindo, você quer dizer... Simas insinuou.
- Resolve isso, Rony! Neville pediu. Afinal, você é o monitor.
Rony olhou para Harry e sorriu marotamente. Você acha que é abuso de poder fazer o que eu quero fazer?
- Sei lá, Rony. Faz o que você quiser...
- Eu escolho as camas de cada um!
- Não acredito! Simas suspirou.
- Obrigado, Neville! Dino disse sarcástico.
Rony riu.
- Tô brincando. Por que cada um não pega a cama que tinha nos outros anos? e sentou na sua cama de costume, a do lado esquerdo, do lado da de Harry, que dormia na do lado da janela.
Simas, Dino e Neville não disseram mais nada e resolveram se enfiar no meio das cobertas. Harry e Rony, depois de se trocarem, fizeram o mesmo. Antes de dormir, Harry ainda colocou na mesa de cabeceira algumas coisas suas que gostava muito: o retrato seu e de Gina, o de sua mãe quando criança e o globo de vidro que continha Hogwarts dentro, que ganhara da avó. Olhando para o globo, que continha uma neve rala caindo sobre o minúsculo castelo, Harry adormeceu num sono sem sonhos.