Porque num país onde vigora a liberdade de expressão, um cidadão tem
o direito CONSTITUCIONALMENTE CONSAGRADO de defender e salvaguardar o seu
bom-nome face à injúria, PELA VERDADE E PELA JUSTIÇA
Discussão iniciada no e-mail da FEUP que começou
por ser sobre os abusos na praxe tendo assumido, posteriormente, pela
acção de Nuno Velhote, o tema da inteligência da “menina Iolanda Pinheiro”
Aqui fica uma série de e-mails que
terá de servir de resposta a todos aqueles que me contactaram e que, de outra
forma, não poderão receber outro esclarecimento. Entenda-se por e-mail dinâmico
um serviço que permite enviar um e-mail para vários elementos de uma dada
comunidade. Os e-mails dinâmicos em questão foram
enviados para alunos da FEUP, num total que excede os 7000 alunos. Alguns
pontos dos e-mails originais que lhes enviei sofreram
pequenas correcções, na maioria erros ortográficos ou de continuidade que foram
detectados enquanto criava este documento e que dificultavam a compreensão.
O e-mail imediatamente abaixo está comentado por mim a
vermelho e é a minha segunda resposta ao Nuno Velhote, dado que só ontem me foi
enviado, para um endereço pessoal, o texto que ele fez circular pela comunidade
dos alunos da FEUP. Relativamente a todo este assunto, a leitura desse e-mail
com a minha análise é, na minha opinião, a mais importante (já que foi o e-mail
dinâmico desse sujeito que me obrigou a criar esta página) e complementa a
primeira resposta que lhe enviei. A leitura isolada desta minha resposta pode
não ser suficiente para a total compreensão do que se passou, pelo que sugiro
que se leia os três e-mails a seguir àquele,
respeitando a ordem indicada. De qualquer forma, se lerem apenas o primeiro, já
se faz um pouco de justiça. Leia-se então:
Em 1º lugar: com os meus
comentários a vermelho, a minha
segunda resposta a Nuno Velhote.
Em 3º lugar: o penúltimo
e-mail, que foi a resposta que enviei a XXXXXXXXXXXX;
Quem é da FEUP e leu os e-mails que
originaram esta saga, tendo-me contactado a esse respeito, ter-se-há
de contentar com as respostas que enviei a estes dois senhores, pois este
assunto estaria já encerrado não fosse a natureza excessivamente ofensiva do
e-mail de Nuno Velhote. Se não
coloquei aqui os outros e-mails também, é porque já
não lhes tenho acesso. O e-mail desse Nuno Velhote, em especial, resume-se a
uma rajada de insultos à minha inteligência, tal é a presunção desse indivíduo,
à semelhança de outros tantos que decidiram enviar-me as suas “pérolas de
sabedoria” – digo-o desta forma porque não se tratou de uma contra-discussão
razoável entre alunos, mas sim de uma alegre chuva de insultos dirigidos a mim,
completamente descontextualizados, mas que sempre
anima a plebe. Ave Panem et Circensem!
_______________________________________________________
Decidi
que será mais eficaz comentar este e-mail parágrafo a parágrafo e ponto a
ponto; são tantos os disparates que não quero deixar nenhum escapar.
Tudo o que se encontra vermelho é da minha autoria.
A
todos que possam ter acreditado que Nuno Velhote revolucionou a arte de
ofender, queiram ler atentamente a minha descodificação e clarificação de tudo
o que ele deliberadamente deturpou ou fabricou.
Em 05/10/06, Nuno Velhote escreveu:
Assunto: [si] Apelo à inteligência
(“Apelo à inteligência”?? Tsk tsk…repare-se na presunção
desta criatura…)
“Boa noite, Iolanda e a toda a comunidade da FEUP
Apesar de estar um bocadinho farto do flood
constante de e-mails
dinâmicos que abundam, e que tendem a não acabar, no nosso querido
Webmail vejo me obrigado a fazer este apelo à
inteligência de toda a
comunidade e em especial à menina Iolanda Pinheiro.”
Não precisas de
apelar à minha inteligência, ela é inata. Talvez quisesses dizer outra coisa.
Mas como é que podias saber o que dizer, se não me conheces, não é?
Também não podes
dizer que ficaste com a ideia de que o meu QI é baixo ao ler os meus e-mails – caso contrário, ou terei de ser eu a apelar à tua
Razão, ou vais ter de ser objectivo e metódico, como eu estou a ser, e referir
exactamente ONDE é que a burrice transparece no meu discurso.
“A toda a gente a quem este mail não
interessar desde já apresento
as minhas sinceras desculpas, não é meu hábito realizar este tipo de
respostas através deste meio.”
Muito escrupuloso…
o rapaz deve ter-se penitenciado e jejuado com remorsos por ter aumentado o flood, contra a sua vontade, e assim ter assumido o
comportamento que tão veementemente condena no 2º parágrafo. Ou isso ou estava
tão cheio de medo que lhe bloqueassem a conta que pensou que desdobrando-se em
desculpas deixavam-no passar.
“Agora directo ao assunto, apesar de pensar que o mail que origina
esta confusão do menino Daniel Durães ser de uma
falta de consideração
pelas pessoas que têem uma crença numa tradição e que
têem a vontade
de a manter (por muito absurda ou desrespeitosa perante os novos
caloiros que qualquer pessoa possa imaginar), essas pessoas têem
tanto
direito a essa prática como qualquer católico, muçulmano, ateu,
agnóstico ou hindu que pretende praticar os seus credos em solo livre
como é da nossa Faculdade, tanto como as pessoas (caloiros) que
pretendem integrar-se nessa tradição.”
Quanto a praxe e
compará-la a religião leia-se o e-mail que dirigi em resposta a XXXXXXXXXXXX.
Relativamente à
praxe na “nossa Faculdade” ser assim tão livre, não o será para quem escolhe
não ser praxado. A minha própria experiência de praxe
na “nossa Faculdade” mostrou-me que uma pessoa só é livre de ser praxada, nunca é livre do contrário. Sobre isso leia-se o
mesmo e-mail, onde relato dois episódios bem elucidativos desta realidade.
“Agora, em relação às respostas da menina Iolanda. A tua
estupidez
atroz surpreende qualquer pessoa que imaginava que o nível de
inteligência, perspicácia e sobriedade dos alunos pertencentes a uma
das melhores faculdades do país.”
Vai chamar estúpida
ao teu reflexo.
Tu que não me
conheces até tens a pretensão de falar por todas essas pessoas? Mas quem é que
te elegeu? Nem sequer sabes quanta gente, dessa mesma comunidade, me contactou
a concordar com o que escrevi.
E novamente, vais
ter de ser específico: se existe estupidez no que eu disse vais ter de me dizer
exactamente onde; se até existe estupidez atroz, aí menino Nuno, creio que vais
ter de te esforçar muito mais para isso.
Quem pretende
fazer apelos à inteligência não atira papaias e foge. Se tiveste a petulância de ir tão longe agora tens de ter dignidade
e fundamentar as tuas alegações. É assim que se deve proceder. O insulto
gratuito vale tanto quanto quem o pratica.
“Primeiro, acho difícil nos
tempos que correm, em que toda a gente
está habituada ao tipo de comédia cínica e irónica, especializada por
exemplo pelo Gato Fedorento, que uma pessoa minimamente atenta saberia
distinguir a posição do menino Daniel Durães em
relação às tradições
da praxe. E então tal pessoa não seria tentada a responder a esse mail
com o único propósito de insultar e enxovalhar deliberadamente a praxe
sem pensar antes no que poderia essa resposta envolver. E já agora a
menina podia pelo menos tentar usar um tipo de linguagem menos "copy &
paste" dos seus anteriores posts nos Webforos da FEUP, também não
demonstra uma grande desenvoltura escrita que deveria caracterizar um
aluno de engenharia.
Segundo e último, (prometo ser breve) acho que a menina
conseguiu provar com o seu segundo mail que realmente
era sem intenção
e impropositada, apesar de ter aproveitado para dar
uma nova "achega"
à tradição da praxe. Infelizmente, toda a comunidade da FEUP também
conseguiu comprovar a insuficiente capacidade de raciocínio da menina,
já que toda a comunidade (que resolveu "aproveitar" o seu tempo para
ler uns mails e até talvez para os responder) já
sabia que a menina se
tinha enganado redondamente na resposta e principalmente na assunpção
de que o menino Daniel Durães era praxista. É pena
que tal nível de
Q.I. possa existir na faculdade.”
A velha questão da
posição do Daniel Durães: se leres o e-mail enviado a
XXXXXXXXXXXX vais ver como esta questão é completamente irrisória e como, pela
ambiguidade do modo que escolheu para tomar uma posição, o seu e-mail é objecto
para diferentes e subjectivas interpretações possíveis.
Enxovalhar a praxe?
Mais uma vez, colocas o teu poder de interpretação em cheque: se eu enxovalhei
alguma coisa foi os ABUSOS na praxe, não a praxe em si. Penso que abusos, seja onde for, são condenáveis tanto por praxistas,
anti-praxe e liberais como eu, assim como por qualquer pessoa de bom senso.
Entende liberal no contexto, como alguém que não tem interesse na praxe – nem
em ir, nem em acabar com ela, consciente de que há pessoas que têm gosto em
seguir essa tradição. Penso que deves ter saltado a parte em que eu disse que
não era anti-praxe – foi até no meu primeiro e-mail dinâmico. Lê com mais
atenção porque ela está lá.
Quanto à parte do copy & paste, essa teve piada. E digo-te porquê: quando
uma pessoa faz uma citação deve manter a integridade textual da fonte, ou seja,
não deve reformular, reescrever, fazer qualquer alteração ao texto original.
Ora se eu me estava a citar, até indiquei que o excerto se encontrava numa entrada
minha no Webforos da faculdade, querias tu que eu
ignorasse as regras de citação só para te ilustrar a minha “desenvoltura
escrita”?! Regras as quais, tendo tu tanto aprumo na expressão escrita, que até
dizes ser exigido a todo o aluno de engenharia, pareces desconhecer. Por isso o
que eu fiz foi uma citação: mantive a integridade do texto-fonte.
Provavelmente, assim como acusaram a Margarida Rebelo Pinto de “auto-plágio”,
um novo conceito literário, achaste que ia ser divertido enfiar-me no mesmo saco,
não foi? Vai dar lições a outro. Receio bem que estejas agora a receber mais
“desenvoltura escrita” do que aquela que o teu estômago aguenta.
Uma vez que és tão
omnisciente a ponto de estares dentro da minha cabeça – e cito: “acho que a
menina conseguiu provar com o seu segundo mail que
realmente era sem intenção e impropositada” – as
minhas acções são bem ponderadas, premeditadas e intencionais. A subtrair aos
teus talentos, não sei se tens muitos, tira também o de adivinho, porque o que
dizes a respeito do que eu faço e mais concretamente do que escrevi, não se
aplica. (E já agora, com tanta “desenvoltura” na escrita, talvez estejas
interessado em saber que a palavra “impropositada”
não existe, será algum neologismo teu. Acho que querias dizer “despropositada”.)
“Finalizando o mail, na última vez que
reparei vivemos num país
livre de pensamentos, raças, crenças e tradições. A partir do momento
em que não existirem queixas que realmente sejam reconhecidas como
verdadeiras aí sim deveremos ponderar se realmente a praxe deverá
exisir, até lá penso que deveríamos ser mais
tolerantes com as opções
de cada um (doutor, caloiro, católico, ateu...............)”
Sim, tens razão, a
tua cabeça, pelo menos, parece-me livre de pensamentos. (É impossível resistir
a fazer essa observação ainda que não passe de uma insignificância quando
confrontada com os teus insultos.)
Quanto à veracidade das queixas, lê o e-mail a XXXXXXXXXXXX e o mesmo sugiro relativamente ao tópico da tolerância; não vejo necessidade de fazer mais citações.
“Com os melhores cumprimentos e desculpas, saudações
académicas!
Nuno Velhote”
Prometias ser
breve. Se calhar, depois de descortinado tanto despautério, estás arrependido
de não teres sido ainda mais breve.
Para além de teres
alimentado o flood que desaprovavas, o teu apelo à
inteligência acabou, esse sim, por causar um verdadeiro flood
de estupidez e pedantismo. Bravo!
Não reitero os teus
cumprimentos por razões óbvias,
Iolanda Pinheiro
_______________________________________________________
Em 05/10/06, Iolanda escreveu:
Ao Nuno Velhote
Tive conhecimento de um e-mail dinâmico que enviaste.
Como o assunto me diz respeito – aliás, parece que te esquivaste do tema principal e decidiste enveredar por outro tema do qual, não me conhecendo, és completamente ignorante – envio-te uma resposta a um colega da feup que também decidiu fazer-se ouvir, já que esse e-mail também te menciona.
É pena que o resto da comunidade que teve acesso ao teu e-mail não tenha acesso a isto também, talvez te obrigasse a reduzir à tua mediocridade. Mas descansa: não vou fazer como tu e despejar um monte de insultos ad hoc, fica apenas o da mediocridade, como quem diz “pôr-te no teu lugar”.
Aqui tens a minha resposta ao e-mail de um tipo a quem vou chamar XXXXXXXXXXXX. Mais abaixo tens o e-mail que ele me enviou e sugiro que o leias primeiro.
Que isto te sirva de resposta, pois não pretendo perder mais tempo com esta saga ridícula já que, se a única discussão que um tema sério suscita é uma troca de insultos, vai jogar ténis com outra pessoa. Se tiveste vagar para escrever aquela resposta tão inócua, de certo tempo livre não te faltará.
Poderá o teu QI ser mais elevado do que o meu, mas és capaz de aprender algumas coisinhas, nem que seja o valor da contra-argumentação válida – inexistente no teu e-mail, ou que o meu QI baixo não permitiu identificar no meio de tanto insulto infundado.
Agora sim, acho que me ficas a conhecer um nadinha melhor, e depois diz-me se realmente sou assim tão obtusa ou se aquilo foi tudo uma manobra de diversão retórica.
No entanto, se até me responderes, não tiveres melhorado as tuas capacidades argumentativas e insistires nos insultos gratuitos, não percas o teu tempo e, pior ainda, o meu.
"a menina Iolanda"
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Em 05/10/06, Iolanda escreveu:
Caro XXXXXXXXXXXX
Não é que o teu e-mail, em particular, mereça resposta por qualquer faísca de genialidade que tenhas demonstrado, mas mais pela tua pretensão em "abrires-me os olhos". Até porque, dada a natureza dos e-mails que recebi, a maior parte nem terá o privilégio do meu escrutínio, quanto mais da minha resposta.
Não sou "nova no assunto" se o assunto é um e-mail com o tema da praxe e que, autêntico ou não, irónico ou não, veio parar à minha caixa e, muito convenientemente, numa altura em que os media divulgam acontecimentos ligados à praxe – e sempre que isso acontece nunca é coisa boa. Acho que até aqui, pelo menos, estaremos de acordo. A menos, claro, que conheças notícias que alguma vez tenham dado prestígio à praxe. E se, como dizes, alguém "novo no assunto" pode não reconhecer a ironia no e-mail e nele identificar uma ameaça real, então aí também estaríamos de acordo no sentido em que, uma falsa ameaça (ou inexistente) acaba por traduzir-se, simplesmente, em efeito de coacção – e coacção é crime. Deixa-me explicar melhor para não haver equívocos: um caloiro que, sendo "novo no assunto", leia o e-mail, pode não ser tão perspicaz e a ironia passar-lhe ao lado, acreditar na autenticidade da convocatória e "ameaça" implícita e sentir-se coagido a comparecer nessa convocatória – ainda que fictícia (e que, na volta não esteja lá mais ninguém para além de outros potenciais caloiros que assim tenham interpretado a mensagem) – mas comparecerá noutras futuras (e reais) convocatórias de praxe sob pena de retaliações.
Relativamente ao artigo no jornal, estás a presumir demais, já que eu informei-me sobre esse assunto, não me tendo limitado à notícia só por si.
E dizes-me que provavelmente eu não conheço a praxe? Enganas-te. Eu própria fui "convidada" a participar. Como, desde o início, não tive interesse nisso, cercaram-me, bloquearam-me o caminho (mesmo estando eu a pedir, cordialmente, que me deixassem passar) e insultaram-me apesar de eu ter sido correcta e dessa mesma forma ter, eventualmente, expressado as minhas razões pessoais para não ir (ainda que não tivesse qualquer obrigação de me justificar) – era a minha escolha pessoal e esse meu direito foi desrespeitado. Pelos vistos, na praxe da feup desconhece-se o Direito Humano universal do livre-arbítrio. Agora diz-me se isso não foi pressão psicológica e coacção. Provavelmente tive sorte em estar muita gente presente, caso contrário não é de excluir a possibilidade de que poderia ter sido vítima de algo mais grave. E não te iludas, estas coisas deixam marca e eu própria, não sendo anti-praxe, tendo-me limitado apenas a não querer participar, fui discriminada e insultada. Diz-me então qual é a tua definição de coacção.
E tu dizes-me que exagero quando uso os termos "contornos e comportamentos criminosos". Se coacção é crime – e é – não descrevem esses termos a situação supracitada? Pode não ter ainda acontecido nada a nenhum caloiro, pode até ter acontecido muito e ter sido suprimido: é especulativo, mas há histórias de praxe todos os anos, de alunos queixosos e eu, tendo também a minha experiência de praxe – e desagradável –, acredito que não há fumo sem fogo. E sob ameaça, real ou fictícia, aberta ou dissimulada, uma vítima pode desmentir o que lhe for exigido e pode mesmo, com receio, ponderar se deve ou não apresentar uma queixa, e até retirar uma. E julgo ser senso comum poder afirmar que uma pessoa não acorda uma dia, decidindo "vou apresentar uma queixa" ou "vou denunciar que me fizeram isto e aquilo", perfeitamente consciente de que irá ter de enfrentar o que vier, seja discriminação, seja escárnio dos colegas, e tantas outras situações em que será marginalizada.
Quanto às palavras fortes do vosso colega Nuno Velhote, que dedica grande parte do seu discurso a questionar a minha inteligência – e infundadamente, sem dúvida para não aborrecer o público com contra-argumentação válida ou mesmo algo de concreto sobre a minha pessoa até porque, não me conhecendo, não tem bases para focar esse tópico, um facto que parece escapar aos que com ele concordam e que, muito convenientemente, serve o seu propósito de me injuriar recorrendo a uma demagogia insultuosa que muito diverte as massas e em nada refuta o que eu disse, divergindo mesmo do assunto principal, que deixa de ser a praxe e passa a ser a minha inteligência. Uma diversão, não há dúvida, para impedir que as pessoas pensassem no que eu disse. Mas já os Romanos usavam a famosa estratégia do Panem et Circensem e o Velhote assim lhes deu espectáculo, usando-me como subterfúgio. Afinal, é muito mais divertido chamar burra (ou pessoa de QI baixo) até porque, como se sabe, para a maledicência há sempre muitos adeptos. E quem sabe se alguns caloiros reconsideraram a praxe pelo que eu disse. Tinham de me silenciar, claro, face ao perigo de que os caloiros pensassem. Isto até me faz recordar um episódio em que eu estava a tentar ir almoçar e os doutorzinhos de praxe não me queriam deixar ir; os caloiros estavam com as antenas sintonizadas no que se estava a dizer e veio uma doutorazinha muito zelosa repreender os colegas por estarem a conduzir uma discussão que em nada favorecia a causa praxística, dentro do campo auditivo dos caloiros, não fossem alguns seguir o meu exemplo. Por isso vamos dizer todos, dêem as mãos e repitam – mas não pensem! – "A menina Iolanda não é inteligente, e vamos meter isto na cabeça que é o que interessa". Mais ainda quando a praxe é mesmo vista e comparada a religião (como disse o Velhote) – um fanatismo, na minha modesta e legítima opinião, incompreensível. É que eu também tive a minha breve experiência com a praxe, como disse, por isso posso falar do que sei e do que se sabe, pelo que não é nisso que me vais "abrir os olhos", o que lamento imenso, pois eu também gosto de aprender qualquer coisa nova cá e lá. Terão de se esforçar mais, ou ficará para uma próxima vez ou para um novo tema, já que da praxe ninguém tenha pretensões de me ensinar seja o que for.
De facto, o Velhote deve ter pensado que, e não querendo cair na vulgaridade do insulto comum por receio de perder crédito e apoio, um ataque ao meu QI serviria o seu propósito de me desacreditar. E devo admitir, e por conhecimento em primeira-mão da amostragem de alunos que me enviou reacções ao que eu disse, que a sua retórica animada foi de fácil digestão e aprovada pelos QI's da generalidade dos alunos, se é que a amostragem daqueles que me contactaram é representativa dos alunos da faculdade o que, agora digo-o eu, sendo verdade é preocupante.
Também tens outras pretensões, a de achares que já me conheces, muito ao estilo do Velhote, quando dizes que eu me acho "superior a toda a gente". Meu caro, aqui quem revela ter dessas pretensões és tu. Achas mesmo que me vais "abrir os olhos"? Podes dizê-lo sinceramente porque eu não mostro a ninguém. E agora, entre nós, claro, porque eu fico surpreendida, será a minha maneira de falar assim tão críptica que um tipo do ensino superior ache que eu realmente não sou inteligente? Sejamos razoáveis, digam antes que sou feia, já que me conhecem tão bem, mas não questionem o inquestionável. Lendo o que eu escrevo só mesmo um Forrest Gump chegaria a uma conclusão tão absurda.
Quem sabe até se não serás tu, que estás convencido de que me vais "abrir os olhos", a beneficiar mais em termos de enriquecimento intelectual (ou outro) com a minha resposta? Espero que sim, embora não garanta nada, já que não partilho a tua pretensão de dar lições, muito menos a quem não conheço. Mas como o mundo e o inferno estão cheios de boas intenções não vou levar a mal, mesmo com o veneno no teu discurso, e vou persuadir-me a pensar que, de facto, só querias livrar-me da minha ingenuidade e até da minha alegada mania da superioridade. E agradeço os teus escrúpulos no teu sábio conselho, veneno à parte, para que eu "reflicta antes de agir em público". Eu vou continuar a agir em público sempre que achar necessário, como qualquer cidadão interventivo. Quanto a reflectir antecipadamente, meu caro, isso nem tinhas de me lembrar. Deve ter sido a parte do veneno. E quando dizes que devo "crescer no meu percurso académico", não estás com certeza a implicar que é a praxe que me vai dar lições de vida. Uma pessoa cresce – entenda-se "amadurece" – antes, durante e após o percurso académico. Pode nunca ter participado na praxe, pode nem sequer ter frequentado o ensino superior e não é por ter perdido os preciosos ensinamentos praxísticos que é menos pessoa. Por isso, esse peixe eu não compro. Isto só para esclarecer que crescer e praxe não andam, de forma alguma, de mãos dadas. Eu posso ser "caloira" no meu primeiro emprego e não vou ter de rebolar na lama nem brincar às caçadinhas para crescer, para ser aceite, para fazer amigos.
Acerca do uso dos e-mails dinâmicos, essa parece-me, afinal, a grande questão, até porque a praxe é intocável, tal é a tolerância de quem é a favor. Desde que entrei na feup, só usei o e-mail dinâmico 2 vezes: no primeiro e-mail que achei (ainda que isso seja discutível) ser de interesse geral por razões que não vou repetir, e no último em que pretendia (por não saber, como é compreensível, quem se estava a preparar para me enviar outro e-mail descabido) encerrar o assunto. Como, mais uma vez, não sou nova nisto, estava perfeitamente consciente dos riscos que corria, sendo o mais grave o de ver o meu acesso ao sifeup bloqueado. Ainda assim, e pelas razões acima mencionadas e outras circunstâncias que não interessa adiantar, essa possibilidade não me deteve.
E agora termos práticos, a quem teve o trabalho de eliminar o meu e-mail para que a sua caixa de entrada ficasse mais leve e que, efectivamente, não tinha qualquer interesse no conteúdo das mensagens, a esses deveria um pedido de desculpas. Posso, talvez, nestas 2 únicas vezes em que usei o e-mail dinâmico ter causado transtorno, dizem os lesados. Mas como disse, mesmo correndo riscos, era a única maneira e certamente a mais eficaz de rematar o assunto. Podes julgar-me por isso se quiseres.
Para concluir: sobre o uso dos e-mails dinâmicos não tenho mais nada a acrescentar, nem mesmo sobre a questão da minha inteligência – como é óbvio não vou publicitar as minhas capacidades uma vez que essas têm de ser reconhecidas, se for o caso, e corroboradas pelas minhas acções. E não querendo parecer arrogante, acho que é razoável dizer que quem, a esta altura, questiona a minha inteligência, deve sentir alguma frustração em não encontrar outra coisa qualquer para me insultar. Quem não leu os meus e-mails ou leu apenas o desse Nuno Velhote até ficaria com a ideia de que eu não sei do que falo, ou não sei falar, que sou algum "Dâmaso Salcede" ou que escrevi algum monte de inépcias. Esse Nuno Velhote deve, na sua eloquência e entusiasmo em dirigir-se à comunidade feup numa tentativa de me expor ao ridículo, ter-se congratulado a pensar que usar o meu QI (que ele desconhece tanto quanto à minha pessoa) seria suficientemente inteligível e ganharia o apoio de uma comunidade que é maioritariamente apoiante fervorosa da praxe. Uma nova e sofisticada forma de insulto, sem dúvida. Eureka para ele! Parece-me que o "Pão e Circo" ainda é actual. Talvez estivesse à espera que eu lhe fizesse uma vénia e saudasse a sua própria inteligência. Que não conte com isso.
Acho que este e-mail é esclarecedor. Quanto à minha deixa de "faíscas de genialidade" podes entendê-la como um pouco do meu veneno ou antídoto do teu, porque também tenho algum ainda que só o use quando absolutamente necessário.
Se achares que precisas de mais discussão, sugiro que envies para este mesmo endereço já que, como referi acima, futuros e-mails da conta da feup relativos a este assunto vão ter de ser ignorados ou se, como é o teu desejo, a conta for bloqueada nem sequer vou ter de me dar ao trabalho de enviá-los direitinhos para a lixeira. Podes julgar-me por isso também, mas assim como os meus e-mails podem ser difíceis de digerir, também outros que tenho recebido de seres muitos inteligentes o são. Em todo o caso, o que os alunos que não concordam comigo pensam de mim é irrelevante; não os conheço e não preciso da sua boa opinião, e ainda que isso fosse preferível não é necessário. O que importa é fazer o que penso ser correcto, obstante de potenciais retaliações.
Cumprimentos,
Iolanda Pinheiro
_______________________________________________________
Em
05/10/06, XXXXXXXXXXXX escreveu:
Viva,
Para além de não concordar que se responda por e-mail dinâmico a uma
pessoa (o que fizeste foi a solução fácil e tentadora, responder de
forma a que toda a gente visse) que disse idiotices (neste caso o
nosso "colega" que desconheço) gostaria de te abrir um bocado os
olhos
visto tu também me pareceres um bocado "nova" no assunto.
Já acabei o curso e fui ligado à praxe enquanto estudante, e ainda
mantenho contacto com algumas pessoas, só para saberes a minha
posição, assim como disseste a tua.
Agora lê antentamente o mail
do nosso "colega". Tu achas mesmo que ele
é ligado À praxe? Ele é alguém que não gosta de praxe e está
claramente a "gozar" com a situação.
Apesar de achar as palavras do colega Nuno Velhote um bocado
fortes
relativas a ti, vejo-me obrigado a concordar com ele, e que se as
pessoas te respondem em privado é porque não querem inundar as pessoas
de lixo, e daí tu voltas a responder com um e-mail dinâmico. Muita
falta de bom senso. Se te achas superior a toda a gente, ainda tens
muito a aprender no teu percurso académico.
E por fim, se achas que a praxe, na nossa casa pelo menos, tem
contornos criminosos, também estás bastante longe da realidade
(tenta-te informar correctamente do que acontece, como eu o fiz quando
li a notícia no jornal antes de começares a falar, nem tudo que se lê
é o que parece).
Como te disse, tenta crescer um bocado no teu percurso académico e
reflectir antes de fazer as coisas em público, ou vais ser muito
pisada e com razão,
Saudações Académicas,
XXXXXXXXXXXX
p.s.: fiz CC para o teu mail pessoal porque sinceramente espero que a
esta altura já te tenham bloqueado a tua conta do sifeup
por uso
indevido deste.