Uma
vez eu casei !
Tive
filhos,
Fui
esposa e mãe dedicada.
Fazia
tudo para agradar
Gregos
e troianos.
Discussões,
Reclamações,
Nada
ia bem.
Me
esforçava para dar o máximo.
Em
vão... sempre estava mal...
Decidi:
Vou
ser a outra !
Isso
é bom !
É
preciso pouco para ser a outra...
Basta
uma bela camisola,
Um
bom perfume,
Duas
taças de cristal,
Um
bom vinho...
Uma
lareira, ou mesmo sem lareira.
A
expectativa de uma bela cama,
Com
lençóis de seda,
Macia,
fofinha...
Uma
música romântica de fundo,
E
está feito o cenário.
Entre
um beijo e outro,
Juras
sem fim,
Amor
eterno.
Problemas
não existem,
Somos
nós e o mundo...
Colorido,
feito de ternura apenas.
Devemos
fingir que acreditamos !
Presentes
lindos,
Carinhos
mil.
Finalmente
o ato em si...
Sempre
maravilhoso !
Ele
se doa inteiro...
Precisa
mostrar seu desejo, sua ternura.
Nunca
pode abandonar a esposa...
Ela
depende dele.
Os
filhos, o cão, enfim...
O
casamento vai mal,
Mas
ficará lá,
Se
penitenciando...
Devemos
acreditar nisso também !
E
trata-lo com muito carinho.
Ter
dó, coitado !
Quer,
mas não consegue
Sair
deste casamento.
Mas
nos ama acima de tudo !
Finalmente,
Depois
do amor,
Do
vinho,
Dos
lençóis perfumados,
De
juras eternas,
Promessas
mil,
Ele
se vai...
No
outro dia flores,
Cartões,
Telefonemas,
Isso
é maravilhoso !
E
em casa a esposa.
Limpando...
Lavando
roupa,
Cabelos
em desalinho,
Filhos
chorando...
E
ele chega...
Taciturno,
Mal
humorado...
Pede
o chinelo,
O
jornal...
Manda
as crianças,
Calarem
a
boca.
E
fala:
-
Tive um dia de cão...
Vou
jantar e dormir...
Reclama
da comida,
Da
casa em desalinho,
Do
salário, que é pouco,
E
vai para o quarto... e dorme...
Ronca...
É
muito bom ser a outra !
Sem
estas coisas,
Que
a esposa tem que aturar,
Em
nome do amor...
Kátia Bulcão
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