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Empresário nacionalista brasileiro,
nascido na fazenda Boa Vista, município
de Ipu, Ceará, pioneiro na introdução de
benefícios sociais para os
trabalhadores, conhecido como o rei do
sertão no Nordeste brasileiro, por sua
riqueza, filantropia e coragem de
desafiar o poder econômico dos ingleses
no Nordeste. |
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De
origem humilde, Delmiro Augusto da Cruz Gouveia era filho
ilegítimo de um fazendeiro e negociante de gado, Delmiro
Porfírio de Farias, que morrera na Guerra do Paraguai, e de
Leonilda Flora da Cruz Gouveia. De família pobre, teve que
trabalhar cedo para se manter e ajudar a mãe e aos 19 anos,
mudou-se com ela para a cidade de Goiana, em Pernambuco e depois
para o Recife. Foi bilheteiro da estação Olinda do trem urbano
chamado maxambomba, trabalhando também na estação de Apipucos,
bairro do Recife, e trabalhou ainda como despachante de
barcaças. Interessado na compra e venda de couro e peles de
cabras e ovelhas vai para o interior de Pernambuco, onde
casou-se (1883) com Anunciada Cândida de Melo Falcão, na cidade
de Pesqueira.
Trabalhou inicialmente como intermediário entre os produtores de
peles de cabra, carneiro e couros de boi espalhados por todo o
sertão nordestino e os comerciantes estrangeiros sediados no
Recife. Trabalhou depois para a Keen Sutterly & Co., da
Filadélfia, e tornou-se gerente de sua filial (1892). No ano
seguinte, quando a matriz faliu, ele comprou seus escritórios no
Recife e fundou a Casa Delmiro Gouveia & Cia (1896). Ligou-se à
firma L. H. Rossbch, Brothers de Nova York e, com seu apoio
financeiro e com postos de compra espalhados por todo o
Nordeste, enriqueceu e tornou-se conhecido como o Rei das peles.
Partiu para outros empreendimentos e pela urbanizou o bairro do
Derby, no Recife, onde só havia manguezais, abrindo ruas,
construindo casas e um grande mercado modelo sem similar no
Brasil, o Mercado Coelho Cintra (1899), incendiado (1900),
reformado (1924) e hoje sede do quartel general da Polícia
Militar de Pernambuco, e construiu uma refinaria de açúcar que
chegou a ser a maior da América do Sul.
Autoritário e de temperamento difícil, à medida que enriquecia
criava mais inimigos, especialmente entre os políticos
pernambucanos, o que o levou a se separar da esposa (1901) e a
refugiar-se durante um ano na Europa. De volta ao Brasil, no ano
seguinte fugiu com uma adolescente, Carmela Eulina do Amaral
Gusmão, fixando-se em Vila da Pedra, uma localidade a cerca de
280 km de Maceió, hoje Delmiro Gouveia, perto do rio São
Francisco, no sertão alagoano (1904), e voltou ao comércio de
peles. Era um povoado formado por uma meia dúzia de casebres em
torno de um terminal da ferrovia que unia Piranhas a Petrolândia,
pela qual circulava um trem por semana. Com apoio financeiro dos
irmãos Rossbach, uniu-se a dois sócios italianos, Lionelo Iona e
Guido Ferrário, fundando a firma Iona e Cia., com sede em
Maceió. Para Pedra eram levadas peles e couros dos estados do
Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia
e Sergipe, onde elas eram tratadas e enfardadas. Seguiam de trem
até Piranhas, desciam o São Francisco até Penedo e por mar
seguiam para Maceió, de onde eram exportadas para os Estados
Unidos.
Em pouco tempo recuperou-se financeiramente e viajou diversas
vezes à Europa e aos Estados Unidos, onde conheceu a nova
revolução industrial provocada pelo uso da energia elétrica.
Quando ele conheceu a cachoeira de Paulo Afonso, teve a idéia de
realizar ali um grande projeto e trouxe um grupo de engenheiros
e investidores estadunidenses (1909-1910), para o projeto e a
construção de uma grande
hidrelétrica, que
geraria energia suficiente para iluminar e abastecer o Recife e
um grande um empreendimento agro-industrial nas terras em torno
da cachoeira, em áreas da Bahia, Alagoas e Pernambuco a serem
adquiridas pela empresa. Porém o governador de Pernambuco,
Dantas Barreto, desconfiou da enormidade do projeto e ele foi
forçado a reduzir as dimensões do projeto. Com o apoio dos irmão
Rossbach, ele organizou a Cia. Agro-Fabril Mercantil e com
turbinas e geradores alemães e suíços, instalou, num dos saltos
da cachoeira de Paulo Afonso, o de Angiquinho, no lado alagoano
do rio, uma usina hidrelétrica que gerava 1.500 HP, com uma
voltagem de 3 KV. Pessoalmente, escolheu, na Inglaterra,
máquinas da indústria Dobson & Barlow, para uma fábrica, a Cia
Agro-Fabril, que iniciou (1914), a produção de linhas de coser,
para rendas e bordados, fios e cordões de algodão cru em
novelos, fios encerados e fitas gomadas para embrulhos. Essa
indústria tinha características revolucionárias, no campo
social, com uma vila operária, assistência médica, escola e
cinema.
Este empreendimento, porém, passou a
prejudicar o monopólio dos ingleses no
setor, pois com o início da Primeira
Guerra Mundial, seus produtos escassearam no mercado e a
produção da Pedra, a marca Estrela, logo se tornou conhecida por
sua qualidade e resistência e obteve aceitação imediata.
Produzindo mais de 20 mil carretéis por dia as linhas Estrela
ganharam o Brasil e entraram nos mercados da Argentina, Chile,
Peru e outros países andinos. A inglesa Machine Cotton,
produtora das Linhas Corrente, reagiu registrando (1916) no
Chile e Argentina a marca Estrela, forçando o produto brasileiro
a ser reembalado com seus rótulos trocados, e em seguida, tentou
comprar o parque industrial de Pedra. Pressionado e irredutível,
resistiu às propostas de compra da fábrica e acabou sendo
assassinado misteriosamente em Vila de Pedra (1917), município
que hoje tem seu nome, aos 54 anos de idade, no terraço da sua
casa, um crime que jamais foi esclarecido.
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Usina de
Angiquinho
primeira hidrelétrica do Nordeste,
construída por Delmiro Gouveia |
Depois de sua morte, a Machine Cotton
exerceu um dumping criminoso vendendo suas linhas pela metade do
preço de produção, sob as vistas passivas do governo brasileiro,
durante tempo suficiente para serem liquidadas as fábricas
instaladas no país. Sob a complacência do governo Washington
Luis, o complexo fabril de Pedra acabou sendo vendido (1929) em
Paislay, Escócia, na sede da Machine Cotton, por 27 mil libras,
seguindo-se sua destruição a marretadas por uma equipe de
demolidores especialmente contratados (1930) e os destroços das
máquinas inglesas ali instaladas, transportados em carretas
puxadas por juntas de boi e jogados penhasco abaixo do São
Francisco.
(Origem: Net Saber
Biografias)
Delmiro
Gouveia no cinema
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Coronel Delmiro Gouveia
(BRA, 1979 - 90 minutos)
Direção:
Geraldo
Sarno
Intérpretes: Rubens de Falco, Nildo
Parente, Jofre Soares, Isabel Ribeiro, Sura
Berdichevski, José Dumont
Prêmio: Gran Premio no
Festival Internacional del Nuevo Cine
Latinoamericano, Havana-1979 |
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