04 de Outubro de 2006 

Boa tarde, Carlos!

Obrigado por seu e-mail. Durante esses anos tenho me deparado com as mais diversas crenças doutrinárias, inclusive questionamentos referentes à doutrina do Santuário. O que pude ver no site não foi algo novo na controvérsia teológica acerca do juízo investigativo. Ainda quero dedicar tempo para ler todo o material, mas, na olhada que dei, percebi que possuo argumentos bíblicos suficientes para discordar do autor de que "Muitos religiosos cometem um grande erro ao compararem a purificação do Santuário mencionada em Dn 8:13 e 14, com a Expiação relatada em Lv 23:26-32". A relação de IDÉIAS entre os dois livros é muito clara para que nós a ignoremos.

Além disso, a palavra hebraica para "santuário", "Qodesh", usada por Daniel em Dan. 8:14 é também usada por Moisés em Lev. 16 para se referir ao "lugar santo". Purificação do Santuário era um dia de Juízo para o povo israelita.

Estou enviando-lhe em anexo um breve material que preparei sobre Dan. 8, que disponibilizei aos ouvintes da Novo Tempo. Dê uma lida e juntos vamos dialogar sobre o tema.

Bom saber que continua indo na igreja. Deus tem planos para a sua vida. Obrigado por ver sinceridade em mim. Vejo isso em você também, de coração.

Abraços,

Lqrn_t

Algumas informações sobre a purificação do santuário celestial em Daniel 8 

            Fico feliz em ver o seu interesse em entender o assunto da purificação do santuário celestial. Por isso, estou enviando-lhe em anexo uma explicação que dei a uma pessoa, em certa ocasião, quando em uma de suas questões ela me perguntou se a doutrina do juízo investigativo não estaria tornando a expiação de Cristo incompleta. Caso permaneçam mais dúvidas se sinta à vontade para manter contato comigo.

            A seguir lhe darei algumas informações sobre a purificação do santuário em Daniel 8:

1) O santuário a ser purificado não pode ser o terrestre porque no cap. 8 a profecia é colocada NO TEMPO DO FIM (ler versos 17 e 26), ou seja, ao final dos 2300 dias de Daniel 8:14. (no ano de 1844 d.C). Hoje, não existe mais o santuário terrestre para que possa ser purificado. Sendo que a partir do momento em que o véu do templo rasgou-se por ocasião da morte de Cristo (Mar. 15:38), o santuário terrestre perdeu a razão de ser (pois Jesus, o verdadeiro cordeiro, morreu uma vez por todas), não há um porquê de o santuário purificado ser outro (o terrestre) que não seja o celestial;

2) Sendo o santuário terrestre um "modelo" do celestial (Êxo. 25:8, 9), é lógico concluirmos que para entender certos aspectos da purificação do santuário celestial, precisamos analisar a purificação do terrestre;

3) O santuário terrestre tinha a presença da glória de Deus (Exo. 25:21, 22) e mesmo assim precisou de uma purificação. Por isso, não é de estranhar que o celestial também necessite. A importância de uma purificação do santuário celestial é mostrada em Heb. 9:23: "Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores."

4) O santuário terrestre era purificado no Dia da Expiação (Lev. 16; 23:26-32) que correspondia a um dia de juízo. Mesmo que as pessoas já tivessem sido perdoadas por causa do derramamento do sangue do cordeirinho, era necessário o dia da expiação para que os pecados, simbolicamente transferidos para o santuário, fossem removidos.

            Veja que naquela época, o fato de haver um Dia da Expiação (Juízo) não significava para os israelitas que a expiação feita pelo cordeiro havia sido "incompleta". Eles sabiam que aquele era um dia especial de juízo, no qual Deus faria um acerto final de contas com Seus filhos, para comprovar quem CONTINUOU ao lado dEle. É por isso que Lev. 23:29 afirma que os filhos de Deus deveriam "se afligir" no Dia da Expiação, ou seja, humilhar-se através do arrependimento depois de haver sido perdoados e continuar ao lado do Senhor. E isto para que fossem plenamente absolvidos no Dia do Juízo (que é o Dia da Expiação).

5) O que é a purificação do santuário celestial A purificação do santuário Celestial corresponde ao Juízo Investigativo. Podemos ver isto ao analisar o paralelismo, a relação temática entre os capítulos de Dan. 7 e 8. Dan. 7 menciona que o resultado do Juízo Investigativo é a destruição do chifre pequeno. O cap. 8, diz que o resultado purificação do santuário é a quebra do chifre que atingiu o Príncipe do Exército (versos 10, 11).

Portanto, Juízo Investigativo = Santuário Purificado. O Juízo Investigativo em Dan. 7 e Purificação do Santuário em Dan. 8 são a mesma coisa.

 

6) Como poderia um lugar perfeito ser purificado de algo? Veja o que diz o livro "101 Respostas a Perguntas do Dr. Ford", na pág. 24:

             “Segundo Dan. 8:11, 13 a ponta pequena (o papado) fez com que "o lugar do seu santuário" fosse "deitado abaixo" e "o santuário e o exército... pisados". Isto dever ser retificado pela restauração do santuário celestial a sua legítima posição no coração e na mente dos filhos de Deus. Há também o registro dos pecados do professo povo de Deus que dever ser tratado na purificação, ou julgamento, que ocorre. 1Tim. 5:24”.

            De acordo com este comentário, o propósito da purificação do santuário (o mesmo que juízo investigativo) é:

a) Fazer com que o santuário celestial e o sumo sacerdócio de Jesus ocupem o seu devido lugar na mente das pessoas. Isso é feito quando no juízo investigativo o chifre pequeno (papado) é condenado e a obra de Cristo no Céu (de único intercessor e perdoador de pecados (1Tim. 2:5; Dan. 9) , no lugar dos sacerdotes ou “santos mortos”) é reivindicada perante todo o universo;

b) Analisar os registros no Céu, dos pecados dos filhos de Deus. Os pecados já foram perdoados. Estão registrados não para nos condenar, mas, para servir de testemunho ao universo que acompanha com expectativa o desenrolar da historia desse mundo (Rom. 8:19). Vou explicar: Deus é onisciente (1Ped. 1:2), não precisa de livros (Dan. 7:10), mas, os anjos não são oniscientes. Eles não sabem o que vai no íntimo de uma pessoa. É por isso que eles estão acompanhando com expectativa o desenrolar do plano de redenção. Os livros no céu servem para os anjos ver como um Deus amoroso lida com os transgressores de modo justo.

            No dia do juízo, Deus abre os livros onde estão registrados nossos pecados já perdoados para que todos possam testemunhar a forma justa com a qual Ele lida com o pecado e os pecadores. Ele mostra ao universo expectante: “Meu filho, fulano de tal, aceitou de coração a minha graça e continuou seguindo os meus caminhos. Portanto, os pecados dele que já foram perdoados podem ser riscados porque agora todos têm certeza da fidelidade dEle”.

            Veja que a doutrina do juízo investigativo não torna a expiação incompleta. Ao invés disso, ela mostra que Deus está lidando corretamente com o pecado ao (a) condenar o chifre pequeno e (2) reivindicar o caráter dos santos perante os outros seres, que também fazem parte do grande conflito entre o bem e o mal.

            Deus deseja que todo o universo esteja seguro para sempre e, por isso, permite que todos avaliem a forma justa dEle lidar com os pecadores: “... segundo está escrito: Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado.” Rom. 3:4. É por isso que a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” 1 Pedro 4:17.

            Você gostaria de ouvir na rádio outras respostas sobre o santuário? Suas sugestões são importantes, pois me ajudará a detectar as dificuldades que os ouvintes têm no estudo da doutrina do Santuário. Fico no aguardo.

 

            Um abraço,

Lqrn_t

Apresentador do Lições da Bíblia – diário

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