Este estudo foi extraído do site www.concertoeterno.com por recomendação de um
leitor em uma de suas perguntas. Estaremos intercalando o texto original
(escritos em cor preta) com nossas considerações (escritas em cor verde) para
melhor entendimento das mesmas, que como qualquer outra pesquisa estará aberta
para qualquer consideração e/ou questionamento.
Introdução.
EM QUE DIA JESUS MORREU ?
Embora Mateus, Marcos e Lucas concordem perfeitamente sobre a data
judaica da morte de Jesus, posicionando-a no dia 15 do primeiro mês, a maior
parte dos teólogos da Cristandade tem defendido outra data, a saber, o dia 14 de
Nisan, para o evento da crucifixão. À primeira vista, essa divergência pode
parecer de pouca importância; não obstante, ela é capaz de alterar todo o quadro
profético. Ocorre que o ano 31 tem dificuldades para comportar uma Sexta-feira
14, mas admite com facilidade uma Sexta-feira 15. Por outro lado, o ano 30 não
comporta, de maneira alguma, uma Sexta-feira 15, permitindo, no entanto, uma
Sexta-feira 14. Sendo, pois, que a data da morte de Cristo repercute tão
decisivamente sobre o cômputo dos períodos proféticos, faz-se necessário
aprofundar a investigação no sentido de descobrir que opção (se 14 ou 15 de
Nisan) melhor se harmoniza com o conjunto das informações bíblicas.
Observamos nesta introdução que o autor desse estudo tendo em mente uma
idéia já formada, parte em defesa da mesma, tornando-se assim tendencioso em sua
explanação, procurando desta forma manter de pé um conceito teológico que vem
sendo questionado; esse comportamento no entanto, cega o entendimento do
pesquisador de maneira que o mesmo não consegue perceber o que esta bem nítido
diante de seus olhos.
Testemunho dos Sinóticos.
A Bíblia afirma que "por boca de duas ou
três testemunhas toda questão será decidida" 2 Coríntios 13:1. Ver
Deuteronômio 17:6; 19:15; Mateus 18:16; João 8:17; 1 Timóteo 5:19; e Hebreus
10:28. No que tange ao tempo da morte do Salvador, os registros de Mateus,
Marcos e Lucas não deixam margens para dúvidas: Jesus realmente morreu no dia 15
de Nisan.
O autor do estudo em análise não percebeu o uso errôneo da declaração
bíblica "...por boca de duas ou três testemunhas toda questão será decidida".
Sabemos muito bem que desde os tempos antigos, só pode ser considerada como
testemunha, o indivíduo que tenha presenciado um determinado acontecimento, o
que não foi o caso dos autores dos evangelhos sinóticos pois, o próprio Lucas
afirmou em seu evangelho, Lc 1:1-4, que seus escritos foram baseados no
testemunho de terceiros. Assim sendo, Lucas não pode ser tomado por testemunha,
o mesmo se aplicando aos demais evangelhos sinóticos, tornando desta forma
invalida a declaração acima.
Sendo este o caso, abordaremos apenas alguns dos tópicos deste estudo que
se apresenta bastante confuso e firmado em conceitos teológicos que não se
harmonizam com diversos textos bíblicos e os conhecimentos modernos em relação
as Festas Judaicas.
Ao identificar o dia em que os discípulos interpelaram Jesus acerca do
lugar em que celebrariam a ceia pascal, o evangelista Mateus assim se expressa:
"No primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, vieram os
discípulos a Jesus e Lhe perguntaram: Onde queres que Te façamos os preparativos para comeres
a Páscoa?" Mateus 26:17.
Esse foi, com certeza, o dia 14 de Nisan, pois era nele que se faziam os
preparativos para a celebração da ceia, a qual só ocorria depois do pôr-do-sol,
isto é, já nas horas do dia 15 (Êxodo 12:8 e 42; e Mateus 26:20).
Na manhã seguinte, Jesus foi crucificado, vindo a falecer por volta das 3
horas da tarde (Mateus 26:30, 47 e 57; e 27:1, 2, 26, 31, 33, 35, 45 e 50).
Marcos é ainda mais enfático que Mateus, ao declarar que os discípulos
questionaram o Mestre no próprio dia em que o cordeiro pascal era imolado: "E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro
pascal, disseram-Lhe Seus discípulos: Onde
queres que vamos fazer os preparativos
para comeres a Páscoa?" Marcos 14:12.
O texto é tão claro que exige poucos comentários. Moisés havia prescrito:
"Este mês vos será o principal dos meses; será o
primeiro mês do ano... Aos dez deste
mês, cada um tomará para si um cordeiro,
segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família... e o guardareis até ao
décimo-quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no
crepúsculo da tarde." Êxodo 12:2-6.
O cordeiro pascal era sacrificado na tarde do dia 14 de Nisan; portanto,
foi nesse dia que os discípulos prepararam a última ceia. Depois do pôr-do-sol,
eles se assentaram para comer (Marcos 14:17). Naquela mesma noite, Jesus foi
preso no horto de Getsêmani e levado para ser julgado e morto (Marcos 14:32, 43
e 53; e 15:1, 15, 20, 25, 33 e 37). Tal seqüência assegura que a morte de Jesus
só poderia ter ocorrido no dia 15 de Nisan.
O Evangelho de Lucas também confirma essa idéia: "Chegou o dia da Festa dos Pães Asmos, em que importava comemorar a Páscoa." Lucas 22:7. A expressão genérica "comemorar a Páscoa", que aparece na Versão Almeida
Revista e Atualizada, é tradução da locução grega (thuesthai to pascha) e significa literalmente "sacrificar a Páscoa". O vocábulo "pascha", nesse caso, seria uma alusão ao próprio
cordeiro pascal. Portanto, os discípulos prepararam a ceia no tempo exato que a
Lei Mosaica reservava para esse procedimento, o décimo-quarto dia do primeiro
mês. A ceia foi celebrada depois do pôr-do-sol, o que coloca a crucifixão de
Cristo no décimo-quinto dia do mesmo mês (Lucas 22:14, 39, 47, 54 e 66; e 23:1,
7, 11, 24, 25, 33, 44 e 46).
Vale ressaltar ainda o vigor com que Lucas identifica o dia em que a ceia
pascal foi preparada. Segundo ele, os discípulos questionaram o Mestre no dia
"em que importava comemorar a
Páscoa". O verbo "importava" é tradução
do vocábulo grego (dei), que significa
literalmente "obrigatório por força de lei",
"imperativo".
Destarte, a atitude dos discípulos foi determinada pelo que estava
estipulado na Lei Judaica e não por qualquer outro motivo. Isso coloca um selo
de garantia sobre a equação Sexta-feira = 15 de Nisan, para o ano da morte de
Jesus.
A interpretação que é apresentada em relação a declaração de Mt 26:17 e
que é reforçada nos parágrafos seguintes, nos mostra a grande confusão que se
desenvolve ao darmos ouvidos a declarações de terceiros; tanto Mt 26:17, Mc
14:12 e Lc 22:7, mencionam que no primeiro dia dos Pães Asmos Yehoshua orientou
a Seus discípulos para prepararem a Páscoa. O autor em questão interpreta o
primeiro dia dos Pães Asmos como sendo o dia 14 de Nisan, pois era nele que se
preparava a Páscoa, o que torna mais confuso o assunto pois em Lv 23:6-7, o
Eterno declara que o 1º dia dos Pães Asmos é o dia 15 de Nisan. Onde estará a
verdade ? Não temos a menor dúvida de que a verdade se encontra com o
Eterno.
De acordo com Lv 23:6-8, o 1º dia dos Pães Asmos corresponde exatamente
ao dia 15 de Nisan e não ao que foi interpretado no 3º parágrafo do tópico em
questão; desta forma, o princípio mencionado no 1º parágrafo: "... por boca de
duas ou três testemunhas toda questão será decidida", pode ser aplicada ao
evangelho de João pois tanto ele em Jo 19:14 e 31 quanto o Deus Eterno em Lv
23:6-8 dão o mesmo testemunho quanto aos acontecimentos em relação à
Páscoa.
Outro fato que é mencionado em Lv 23:6-8 e foi omitido na interpretação
em consideração, é o fato de que tanto o 1º e o 7º dias dos Ázimos são
considerados como feriados sabáticos (Sábado cerimonial), sendo portanto
observados como se fossem um Sábado semanal, o que tornaria inviável a prisão,
julgamento e crucificação de Yehoshua, como também o preparo de aromas e
perfumes pelas mulheres conforme Lc 23:56.
A Tipologia das Festas Judaicas.
O testemunho dos Sinóticos referente à data judaica da morte de Jesus é
confirmado por uma análise pormenorizada da tipologia das festas de Israel.
Embora essas festas tivessem o propósito de relembrar aos judeus fatos
memoráveis de seu passado ou aspectos importantes do ciclo agrícola anual,
visavam também a um fim profético.
O apóstolo Paulo, por exemplo, fala de Cristo como "nosso Cordeiro pascal" (1 Coríntios 5:7) e como
"as primícias dos que dormem" (1 Coríntios
15:20), alusões inconfundíveis às festividades da Páscoa e dos Pães Ázimos, no
primeiro caso, e à Festa das Primícias, no segundo. Assim, cada festa tinha um
significado tipológico especial.
O mais surpreendente é descobrir que os acontecimentos tipificados por
essas festividades se cumpriram não somente quanto ao
modo de sua celebração, mas também quanto ao tempo. Esse fator é
extremamente relevante, pois serve de valioso auxílio para a determinação do dia
da morte do Salvador.
Em sua explanação o autor parece seguir uma tradição teológica herdada da
ICAR, na qual se crê que os autores das Escrituras são infalíveis e
inquestionáveis, mesmo quando segundo o seu entendimento (dos autores bíblicos),
discorrem sobre o cumprimento das profecias. Esquecem-se que eles foram homens
como nós, e sujeitos às influências dos conhecimentos teológicos de sua época,
assim como nós o somos aos de nossa época, como se dá no caso do autor do estudo
em análise.
Podemos observar nas análises apresentadas sobre a tipologia das festas
judaicas, Paulo colocando as Primícias como sendo um símbolo da ressurreição de
Yeshua; no entanto, os conhecimentos atuais indicam que as Primícias não
simbolizam a Yeshua; vejamos:
Ao analisarmos estes três itens acima relacionados, veremos que Yehoshua
não se ajusta às Primícias pois:
Os conhecimentos teológicos atuais indicam que as Primícias corresponde
aos ressuscitados por ocasião da morte de Yeshua (Mt 28:52-53), e o sacerdote
corresponde a Yeshua que após a Sua ressurreição os apresentou diante do Deus
Eterno como penhor dos que hão de herdar a salvação.
Paulo expressou sua crença baseando-se nos conhecimentos de sua época não
somente no caso das Primícias, mas também sobre a volta de Yeshua como podemos
verificar em I Ts 4:16-18 o apóstolo ensinando que a volta de Yeshua ainda se
daria em seus dias. Com o passar dos anos e uma melhor compreensão das
profecias, passou a ensina-la como sendo um evento ainda para o futuro.
O
autor do livro de Hebreus revelou o mesmo princípio quando mencionou que o altar
de incenso se
localizava
no segundo compartimento junto ao propiciatório, o que os teólogos em todas as
épocas tentam justificar devido a crença na infalibilidade e inquestionabilidade
dos ensinos dos autores bíblicos, mas não conseguem visto que tal localização do
altar alteraria toda simbologia dos rituais pertinentes ao Tabernáculo.
Ainda neste tópico, existe uma forte contradição entre as declarações do
2º e 3º parágrafos quando comparadas ao que esta escrito no 7º parágrafo do
tópico Testemunho dos Sinóticos .
De acordo com os textos do tópico A Tipologia das Festa Judaicas o
apóstolo fala de Yeshua como sendo nosso cordeiro pascal, e o autor deste estudo
comenta que os acontecimentos tipificados por estas festas se cumpriram não
somente quanto ao modo, mas também quanto ao tempo. Sabendo que o Cordeiro
Pascal era sacrificado no dia 14 de Nisan, como entender o autor desse estudo
insistir que Yeshua, nosso Cordeiro
Pascal, foi sacrificado no dia 15 de Nisan ?
1) Analisando 1 Coríntios 5:7 e 8.
A passagem de 1 Coríntios 5:7 é freqüentemente citada em prol da posição
que coloca a morte de Cristo no dia 14 do primeiro mês. Os proponentes dessa
interpretação traçam a simples equação: o cordeiro pascal tipificava Cristo; o
sacrifício do cordeiro pascal ocorria no dia 14 de Nisan; portanto, Cristo foi
crucificado numa Sexta-feira, 14 de Nisan. Ocorre, no entanto, que esse suposto
silogismo profético não leva em consideração o contexto da passagem paulina, bem
como outros detalhes da tipologia das festas.
O texto bíblico destaca, pelo menos, 2 momentos importantes em relação ao
cordeiro pascal: 1) o sacrifício, na tarde do dia 14 (Êxodo 12:5 e 6); e 2) a
ceia, na noite que inicia o dia 15 (Êxodo 12:7 e 8). Isso demonstra que a figura
do cordeiro pascal, no aludido texto paulino, não precisa estar vinculada,
necessariamente, à tarde do dia 14; o paralelismo profético poderia ser com a
noite do dia 15. O contexto deve determinar o sentido da referência:
"Lançai
fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem
fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso,
celebremos
a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da
malícia, e sim com os asmos da sinceridade e
da verdade." 1 Coríntios 5:7 e 8.
Conforme Levítico 23:5 e 6, a Festa dos Pães Ázimos só começava no dia
15: "No mês
primeiro, aos catorze do mês, no crepúsculo da
tarde, é a Páscoa do SENHOR. E aos quinze dias deste
mês é a Festa dos Pães Asmos do SENHOR; sete
dias comereis pães asmos.". Isso revela que Paulo não estava pensando em
Cristo como Cordeiro Pascal num contexto de dia 14, quando o sacrifício era
realizado, mas num contexto de dia 15, em cuja noite o cordeiro era comido, com
pães asmos e ervas amargas.
Ao considerarmos os dois momentos importantes em relação ao Cordeiro
Pascal, não devemos nos esquecer que:
1 Coríntios 11:23-27 revela, com clareza, o momento em que Cristo assume
a posição profética do Cordeiro Pascal: "Porque eu
recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que
foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o Meu corpo, que é
dado por vós; fazei isto em memória de Mim. Por semelhante modo, depois de haver
ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este
cálice é a nova aliança no Meu sangue; fazei
isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de Mim.".
Páscoa é para ser comida. Nenhum sentido faria o mero sacrifício do
cordeiro se ele não fosse servido numa refeição, como símbolo do concerto de
Deus com Seu povo. Jesus é o Cordeiro Pascal enquanto está oferecendo Sua carne
e Seu sangue para Seus discípulos.
O Cordeiro Pascal era definido no dia 10 de Nisan, quando entre o povo
havia o costume de separar um cordeiro para essa finalidade. (Ex 12:3-6).
Este ritual teve o seu cumprimento no dia 10 de Nisan quando Yehoshua fez
Sua entrada triunfal em Jerusalém.
Jamais o Cordeiro Pascal era definido quando já devidamente morto e
assado, era o alimento principal da ceia.
Destarte, a equação que deve ser entendida do texto em comento não é a de
"morte de Cristo (Sexta-feira) = sacrifício do
Cordeiro (tarde do dia 14 de Nisan)" e, sim, a de "Cristo instituindo a Santa Ceia (noite de Quinta-feira,
pelo cálculo civil) = Ceia Pascal (noite do dia 15 de Nisan)".
·
"morte
de Cristo (Sexta-feira) = sacrifício do Cordeiro (tarde do dia 14 de Nisan)"...
è
equação de fácil explicação e assimilação.
·
"Cristo
instituindo a Santa Ceia (noite de Quinta-feira, pelo cálculo civil) = Ceia
Pascal (noite do dia 15 de Nisan)". è
Equação com explicação incompatível com as Escrituras, e de difícil ou mesmo
impossível assimilação.
Para o apóstolo Paulo, enquanto Cristo agonizava na Cruz do Calvário, Sua
posição não era a de Cordeiro, mas a de Maldito: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se Ele próprio maldição em nosso lugar
(porque está escrito: Maldito todo aquele que
for pendurado em madeiro)." Gálatas 3:13.
Ademais, se a morte de Cristo tivesse que ocorrer na tarde do dia 14 pelo
simples fato de ser Ele o antitípico Cordeiro Pascal, por que não teria que
ocorrer também, por exemplo, no Dia da Expiação (décimo dia do sétimo mês)? Não
era o "bode para o Senhor" igualmente um
símbolo de Cristo? E por que estaria a morte de Jesus vinculada apenas ao
sacrifício da tarde? Não havia também o sacrifício da manhã? Essas considerações
revelam a inexistência de relação tipológica entre o dia em que o cordeiro
pascal era sacrificado (14 de Nisan) e o dia da morte de Jesus.
O uso da simbologia profética aplicada a Yeshua merece um melhor estudo
pois a afirmação feita pelo autor e por nós destacada no texto acima, é muito
profunda, e sua consideração final deveria ser: "Essas considerações revelam a
inexistência da relação tipológica entre alguns símbolos proféticos e o Messias"
ao invés de "Essas considerações revelam a inexistência de relação tipológica
entre o dia em que o cordeiro pascal era sacrificado (14 de Nisan) e o dia da
morte de Jesus".
No momento não nos aprofundaremos sobre este assunto pois o objetivo
desta análise é o dia 14 de Nisan. Além do mais, o apego aos ensinos teológicos
tradicionais muitas vezes nos vendam os olhos de tal maneira que não conseguimos
enxergar o verdadeiro sentido das profecias, e são muitos os que ainda não estão
preparados para remoção dessas vendas.
Por outro lado, o 15 de Nisan se encaixa perfeitamente com o quadro
tipológico retratado pelas Escrituras. Foi nessa data que a escravidão no Egito
chegou ao fim: "Partiram, pois, de
Ramessés no décimo-quinto dia do primeiro
mês; no dia seguinte ao da páscoa saíram os
filhos de Israel corajosamente aos olhos de todos os egípcios". Números
33:3. Essa data pode ser considerada como o dia da
libertação.
Haveria outra ocasião mais apropriada para a morte do Salvador? Não
trouxe Cristo libertação do cativeiro do pecado ao render a Sua vida na Cruz do
Cálvário? Sim, e por isso "digno é o Cordeiro que foi
morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e
louvor." "Àquele que nos ama, e, pelo Seu
sangue, nos libertou dos nossos pecados... a
Ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!" Apocalipse
5:12; e 1:5 e 6.
Sim, há; o dia 14 de Nisan conforme estabelecido pelo Eterno!
2) Ferindo o Primogênito de Deus.
O paralelismo profético existente entre a experiência de Cristo no
Getsêmani e a morte dos primogênitos do Egito provê outra forte evidência em
favor do dia 15 de Nisan para a data da crucifixão. Após comemorar a Páscoa com
os discípulos (Mateus 26:30 e Marcos 14:26), fez Jesus a advertência: "Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito:
Ferirei o Pastor, e as ovelhas do rebanho
ficarão dispersas." Mateus 26:31.
O anúncio de Cristo estava baseado na profecia de Zacarias 13:7: "Desperta, ó espada, contra o Meu Pastor e contra o Homem
que é o Meu companheiro, diz o SENHOR dos Exércitos; fere o Pastor, e as
ovelhas ficarão dispersas; mas volverei a mão para os pequeninos.". Em
Zacarias 12:10, o "Pastor que é ferido" aparece
sob a figura do "Primogênito que é
traspassado": "E sobre a casa de Davi e sobre
os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas;
olharão para Aquele a Quem
traspassaram; pranteá-lO-ão como quem pranteia
por um unigênito e chorarão por Ele como se chora amargamente pelo
primogênito". Portanto, "ferir o
Pastor" equivale a ferir o Primogênito de Deus.
"Aconteceu
que, à meia-noite, feriu
o SENHOR todos os primogênitos na terra do Egito,
desde o primogênito de Faraó, que se assentava no seu trono, até ao primogênito
do cativo que estava na enxovia, e todos os primogênitos dos
animais." Êxodo
12:29. A profecia de Zacarias 13:7 toma esse acontecimento como um tipo da
experiência pela qual Cristo teria que passar: na posição do Primogênito de Deus
(Hebreus 1:6), Jesus seria ferido em lugar dos primogênitos deste mundo. É por
esse motivo que o profeta Isaías fala dEle como o "ferido de Deus" (Isaías 53:4).
Para melhor entendimento, seria importante atentar para a seqüência
indicada pelo profeta: "Fere o Pastor, e as ovelhas
ficarão dispersas". Primeiro, o Pastor seria ferido; depois, as ovelhas
ficariam dispersas. Isso não pode ser aplicado ao momento da Cruz, quando os
discípulos já se encontravam dispersos e perturbados, e Pedro já havia negado a
Seu Mestre.
Na verdade, Jesus fora ferido no horto de Getsêmani, quando os pecados de
toda a humanidade foram misteriosamente postos sobre Ele, obstruindo
completamente Sua ligação com Deus. Tamanha foi a angústia mental suportada pelo
Salvador que "Seu suor se tornou como gotas de sangue
caindo sobre a terra" (Lucas 22:44). Pouco depois, naquela mesma noite,
Jesus foi aprisionado. Foi, "então", que "os discípulos todos, deixando-O, fugiram." Mateus
26:56.
Esse paralelismo é deveras importante, pois, se a morte dos primogênitos
ocorreu na noite em que os israelitas celebraram a Páscoa – noite do dia 15 de
Nisan – a misteriosa experiência de Cristo no Getsêmani também teria que
acontecer no mesmo dia e mês, o que constitui um valioso argumento em prol da
cronologia dos Sinóticos.
Este tópico apresenta-se muito confuso e sem o devido suporte bíblico
pois o que foi apresentado apresenta-se distorcido.
Se observarmos com diligência, não encontraremos nenhum paralelismo
profético entre os primogênitos dos egípcios e os primogênitos do Eterno;
vejamos:
Primogênitos dos egípcios
Primogênitos de Israel
Primogênito do Eterno
PARA REFLEXÃO:
Se a morte dos primogênitos no Egito ocorreu à meia noite do dia 15 de
Nisan, porque os que defendem esta data para o dia em que Yeshua foi morto não
mantém o mesmo horário da morte dos primogênitos, e sim o horário do sacrifício
do Cordeiro Pascal que era realizado na tarde do dia 14 de Nisan ? Ou seja:
Porque para os defensores do dia 15 de Nisan, Yeshua deveria morrer no 1º dia da
Festa dos Pães Asmos, porém no horário do sacrifício do Cordeiro Pascal; dia 14
de Nisan ?
Muito confuso; não! ?
3) A Entrada Triunfal.
Ensina a tradição cristã que a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
ocorreu no primeiro dia da semana. Uma análise criteriosa dos textos
neotestamentários sobre os eventos da última semana de vida do Salvador confirma
essa posição. Se, como propõe esta série de estudos, Jesus foi crucificado numa
Sexta-feira = 15 de Nisan, a entrada triunfal de Jesus ganha profundo
significado antitípico, pois, nesse caso, aquele Domingo teria sido o décimo dia
do primeiro mês.
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DOM 10 |
SEG 11 |
TER 12 |
QUA 13 |
QUI 14 |
SEX 15 : : : + |
Sabemos que não devemos confiar apenas na tradição cristã, e como não foram apresentados os textos bíblicos em que se baseia o Domingo como sendo o dia 10 de Nisan, cremos que esta ausência de provas bíblicas é o suficiente para dispensar qualquer comentário sobre o referido tópico. No entanto, desejamos lembrar que João declara que seis dias antes da Páscoa Yeshua se dirigiu a Betânia e no dia seguinte Ele fez Sua entrada triunfal em Jerusalém, sendo este dia uma Segunda-feira, e não um Domingo como ensina a tradição; Vejamos:
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1º dia |
2º dia |
3º dia |
4º dia |
5º dia |
6º dia |
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DOM |
SEG |
TER |
QUA |
QUI |
SEX |
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09 de Nisan |
10 de Nisan |
11 de Nisan |
12 de Nisan |
13 de Nisan |
14 de Nisan |
· 1º dia => visita a Lázaro em Betânia.
· 2º dia => entrada triunfal em Jerusalém.
·
6º
dia => Páscoa, sacrifício do Cordeiro Pascal.
No entanto se seguirmos a tradição cristã mencionada pelo autor, teríamos
Yeshua iniciando Sua viagem para Jerusalém em pleno Sábado quando visitou Seu
amigo Lázaro na aldeia de Betânia e no dia seguinte fez Sua entrada triunfal em
Jerusalém. Assim sendo, o sexto dia mencionado em Jo 12:1 coincidiria com uma
Quinta-feira 14 de Nisan, e não conforme o vosso gráfico que ignorou o primeiro
dia dos seis mencionados por João.
Consoante a Lei Mosaica, "aos dez deste mês, cada um" deveria tomar "para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família", o qual deveria ser guardado até o dia 14, quando, então, seria sacrificado. Ver Êxodo 12:2-6. O simbolismo é perfeito. Noutras ocasiões, Jesus recusara fazer qualquer aparição pública em Jerusalém; nas vezes em que Se dirigiu até lá, manteve-Se em oculto. Dizia sempre que Seu tempo ainda não havia chegado. Ver, por exemplo, João 7:3-10. Entretanto, "aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia Ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém" (Lucas 9:51). Nessa ocasião, Jesus permitiu que os discípulos O aclamassem como o Enviado de Deus, o que resultou nas vigorosas manifestações de triunfo às portas de Jerusalém. Foi através desse acontecimento que Ele Se colocou à parte como oblação, identificando-Se como o verdadeiro sacrifício da Festividade que, dentro de alguns dias, seria realizada.
Fixar a morte de Cristo no dia 14 do primeiro mês faria daquele Domingo o
dia 9 de Nisan, de nenhuma relevância no calendário cerimonial, transtornando,
assim, toda a simbologia.
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DOM 9 |
SEG 10 |
TER 11 |
QUA 12 |
QUI 13 |
SEX 14 : : : + |
Vide comentário acima pois exatamente este gráfico esta em harmonia com o
que João escreveu em seu evangelho Jo 12:1.
4) A Festa das Primícias.
Como já ficou evidente, para cada momento importante de Sua missão, Jesus
assumia um papel profético peculiar: na entrada triunfal, Ele era o "Cordeiro sendo separado"; na refeição pascal, Ele
era o "Cordeiro sendo comido"; um pouco mais
tarde, no Olivete, Ele era o "Primogênito/Pastor sendo
traspassado/ferido"; enquanto pendia na Cruz, Ele era o "Maldito"; e, agora, na manhã da ressurreição, Ele é
chamado de "as primícias dos que dormem" (1
Coríntios 15:20).
Antes que a colheita pudesse ter início, comemorava-se a Festa das
Primícias, quando um pequeno feixe, constituído dos primeiros grãos amadurecidos
da seara, era agitado pelo sacerdote perante o altar. Cristo explicou que "o campo é o mundo", que "a
ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são anjos" (Mateus
13:36-43). Nessa perpectiva, a colheita pode ser encarada como o arrebatamento
dos fiéis por ocasião do segundo advento de Cristo. Ver também Apocalipse
14:14-16. A Bíblia diz também que "os vossos mortos...
viverão e ressuscitarão" (Isaías 26:19); dessa ressurreição geral, a
ressurreição de Cristo foi, ao mesmo tempo, um tipo e um penhor. Ensina o
apóstolo Paulo: "Cada um, porém, na sua própria ordem:
Cristo, as prímicias; depois os que são de Cristo, na Sua vinda." (1
Coríntios 15:23).
|
DOM 10 |
SEG 11 |
TER 12 |
QUA 13 |
QUI 14 |
. SEX . 15 : : : + . |
SAB 16 |
DOM 17 |
|
DOM
- 10 de Nisan |
=>
ENTRADA TRIUNFAL: "Cristo - o Cordeiro sendo separado" | |
|
|
* |
=> SANTA CEIA: "Cristo - o Cordeiro sendo comido" |
|
SEX
- 15 de Nisan |
*
|
=>
GETSEMANI: "Cristo - o Primogêniro sendo Ferido"
|
|
|
* |
=> CRUCIFICÇÃO: "Cristo - o Maldito" |
|
DOM - 17 de Nisan |
ð
MANHÃ
DA RESSURREIÇÃO: "Cristo as Primícias" | |
A Lei de Moisés prescrevia que os primeiros frutos deviam ser apresentados no Templo, "no dia imediato ao Sábado" (Levítico 23:12). A despeito de os defensores da equação 14 de Nisan = morte de Jesus alegarem ser esse Sábado o primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos, fazendo do Domingo da ressurreição o dia 16 de Nisan, as evidências demonstram ser ele um Sábado semanal. A regra funcionava do seguinte modo: as Primícias eram sempre apresentadas no Domingo da semana dos Pães Ázimos, não importando em que data do mês tal dia caísse (Ver quadro abaixo). Isso concorda perfeitamente com o evento antitípico da ressurreição de Jesus, que, segundo os evangelistas, aconteceu no primeiro dia da semana, dentro do período em que os judeus estavam comemorando a Festa dos Pães Ázimos.
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14 = QUI |
15 = SEX . |
16 = SAB |
17 = DOM |
18 = SEG |
19 = TER |
20 = QUA |
21 = QUI |
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QUI = 14 de Nisan => Páscoa |
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SEX = 15 de Nisan => SÁBADO CERIMONIAL |
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DOM = 17 de Nisan => PRIMÍCIAS |
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QUI = 21 de Nisan => SÁBADO CERIMONIAL |
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Não
achamos necessidade de comentar este tópico visto que já abordamos a Festa das
Primícias no tópico "Testemunhos dos
Sinóticos"; só gostaríamos de comentar os dois gráficos acima onde o autor
dos mesmos colocou no primeiro gráfico a Sexta feira 15 de Nisan como sendo o
dia da crucificção de Yeshua, e no segundo gráfico, a mesma Sexta feira como
sendo um Sábado cerimonial. Ora, sabendo que um Sábado cerimonial é observado
como se fosse um Sábado semanal, e que os judeus foram intransigentes com Yeshua
no tocante a observância do Sábado, será que eles violariam o Sábado só para
prender, julgar e matar a Yeshua ?
Evidentemente não, pois tanto Mateus (Mt 26:3-5) quanto Marcos (Mc
14:1-2), mencionam que os judeus planejavam matar a Yeshua antes das Festas, e
não durante as mesmas.
"Não Vim para Revogar, Vim para Cumprir".
Diante da clareza do testemunho dos Sinóticos, os defensores do 14 de
Nisan precisam forjar uma explicação para a ceia pascal celebrada por Jesus e
Seus discípulos na noite de Quinta-feira. Para tanto, alegam que Cristo teria
antecipado a celebração da Páscoa, pois já antevia Sua morte na tarde do dia
seguinte, quando, segundo os mesmos teólogos, os judeus ainda estariam
sacrificando o cordeiro pascal. Assim, ao passo que os judeus celebraram sua
Páscoa na noite de Sexta-feira (primeiras horas do Sábado, pelo cálculo
bíblico), Cristo e os apóstolos a teriam celebrado cerca de 24 horas antes, na
noite de 13 para 14 de Nisan.
Esse, contudo, de modo algum pode ser o caso, pois Cristo mesmo afirmou:
"Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não
vim para revogar, vim para
cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o
céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se
cumpra." Mateus 5:17 e 18. Se houvesse antecipado a celebração da Páscoa,
a submissão de Jesus à Lei não poderia ser considerada perfeita em todos os
sentidos.
Outrossim, a Bíblia testifica de que "todo
homem que se deixa circuncidar está obrigado a guardar toda a lei"
(Gálatas 5:3). Jesus foi circuncidado (Lucas 2:21); portanto, estava ligado à
Lei, tanto a moral quanto a cerimonial. Paulo afirma que Ele havia "nascido sob a lei" (Gálatas 4:4). Durante toda a Sua
vida, esteve à altura de todas as reivindicações da Lei (João 8:46; 15:10; e
Hebreus 4:15). Dessa forma, não estava na liberdade de antecipar a comemoração
de qualquer festividade prescrita pela Legislação Mosaica. E que Ele não o fez,
está claro de Seu próprio testemunho, ao declarar aos discípulos: "Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta
páscoa, antes do Meu sofrimento." Lucas 22:15. Essa passagem situa a ceia pascal
antes do sofrimento do Salvador. Uma Sexta-feira, 14 de Nisan, não se harmoniza
com essa informação.
No tópico "Testemunho dos
Sinóticos" já abordamos o valor dos mesmos como testemunha de uma
ocorrência; portanto, cabe a cada um de nós escolhermos uma das opções:
O Evangelho de João e o 14 de Nisan.
Aparentemente, o Evangelho de João destoa dos Sinóticos com respeito à
cronologia dos eventos finais da vida de Jesus, deixando a impressão de que a
crucifixão realmente teria ocorrido no dia 14 de Nisan. Conforme seu relato,
Jesus foi conduzido, na manhã de Sexta-feira, da casa de Caifás para o pretório;
porém os judeus não quiseram entrar no prédio romano "para não se contaminarem, mas poderem comer a
Páscoa" (João 18:28). Essa precaução dos judeus seria uma evidência de
que a celebração da Páscoa só teria vindo a acontecer após o pôr-do-sol de
Sexta-feira, o que se contrapõe ao relato dos Sinódicos, que situam a ceia
pascal na noite de Quinta-feira. Além disso, João denomina a Sexta-feira da
semana da crucifixão de "preparação pascal"
(João 19:14). Como os preparativos para a comemoração da Páscoa eram realizados
no dia 14, essa declaração faria daquela Sexta-feira o dia em que o cordeiro
devia ser sacrificado. Por fim, o dia em que Jesus permaneceu no sepulcro é
chamado de "Sábado grande" (João 19:31).Para
muitos comentaristas, isso se explica pelo fato de que, no ano da morte de
Jesus, o dia 15 de Nisan (Sábado cerimonial) teria coincidido com um Sábado
semanal. A conjugação de 2 sábados de naturezas diferentes teria tornado aquela
ocasião especialmente solene.
Sendo que tais informações discordam dos relatos de Mateus, Marcos e
Lucas, como interpretar os dados cronológicos do Evangelho de João?
Analisando a Cronologia de João.
A bem da verdade, a contradição existente entre a cronologia dos
Sinóticos e a do Evangelho de João é apenas aparente e pode ser desfeita
mediante uma leitura mais atenciosa do texto joanino.
Embora se diga que os judeus não quiseram entrar "no pretório para não se contaminarem, mas poderem comer a
Páscoa", o texto nada diz quanto ao dia exato em que o cordeiro pascal
foi imolado. Além disso, essa afirmação não precisa ser interpretada,
necessariamente, como uma indicação de que a ceia pascal ainda não tivesse sido
realizada. Ocorre que, na época de Jesus, todo o período dos Pães Asmos já era
comumente conhecido como a Festa da "Páscoa".
Exemplo desse uso se observa no Evangelho de Lucas: "Estava próxima a Festa dos Pães Asmos,
chamada Páscoa."
Lucas 22:1. Os judeus poderiam estar preocupados não com a celebração da ceia
pascal, mas com outras refeições cerimoniais que eram realizadas durante aquele
período festivo. Outra possibilidade seria a de que os líderes judaicos não
teriam celebrado a ceia pascal no tempo determinado pela Lei – que, no caso,
teria sido a noite de Quinta-feira – já que estavam empenhados na caçada a
Jesus. Por isso, teriam deixado para celebrá-la um dia depois, na noite de 15
para 16 de Nisan. Seja qual for o motivo que determinou o comentário de João, a
passagem em análise é insuficiente para destruir a sólida cronologia esboçada em
Mateus, Marcos e Lucas.
O mesmo é verdade com respeito a João 19:14, que denomina a Sexta-feira
da crucifixão de "preparação da páscoa". A
palavra "preparação" é tradução de (paraskeue), que no grego bíblico é o termo comumente
utilizado para denominar a Sexta-feira como dia de preparação para o Sábado. A
base dessa expressão se encontra em Êxodo 16:22-30. Portanto, quando João fala
do dia da morte de Jesus como a "parasceve da
páscoa", sua intenção era simplesmente de retratar aquele dia como uma
Sexta-feira dentro da semana dos Pães Ázimos e não como o dia 14 de
Nisan.
Resta analisar ainda o sentido da expressão "Sábado grande" (grego: –
megale he hemera ekeinou tou sabbatou; tradução: grande o dia daquele
Sábado). Afirmar que aquele Sábado foi chamado de "grande" por causa da combinação de um Sábado semanal
com um Sábado cerimonial (no caso, o 15 de Nisan) é extrair do texto mais do que
ele pode oferecer. A expressão só ocorre uma vez em toda a Bíblia, impedindo,
assim, que se verifique seu real significado; e adotar como certa uma posição
sem considerar outras possibilidades de interpretação é cometer uma
arbitrariedade exegética. Poderia ser o caso, por exemplo, daquele Sábado ser
chamado de "grande" por estar inserido na
semana da Festa dos Pães Ázimos, sem, contudo, ser uma combinação de um sábado
semanal com um Sábado cerimonial. Outra interpretação possível seria a de um
Sábado cerimonial (Sexta-feira = 15 de Nisan) seguida por um Sábado semanal.
Isso faria com que o período de descanso se prolongasse por 48 horas. No estágio
atual, não há como determinar o verdadeiro sentido da expressão joanina.
Diante do que foi exposto, seria um contra-senso substituir a clareza e o
vigor da cronologia dos Sinóticos pelas expressões incertas e rarefeitas
extraídas do Evangelho de João. Como ficou demonstrado, é possível interpretar
as declarações joaninas em mais de um sentido, o que não se admite em Mateus,
Marcos e Lucas.
Segundo o Evangelho de João, a ceia por ele mencionada no capítulo treze,
foi uma ceia normal na qual podemos verificar não ter sido partilhada aos
presentes a carne do Cordeiro Pascal e nem sequer feita referência à mesma ,
apesar de ser o símbolo principal da ceia pascal; foi servido apenas o pão e o
vinho.
Porque será que o Cordeiro Pascal não foi servido e nem sequer mencionado
por Yeshua nesta ceia; será que não foi por este não ser o dia da Páscoa ?
Ao estudarmos os Evangelhos Sinóticos aprendemos que os mesmos foram
escritos através de consultas e depoimentos de terceiros, o que tira toda a sua
autoridade de serem colocados como testemunhas de qualquer evento que no caso,
precisarão ser examinados à luz das Escrituras (À Lei e ao Testemunho,... Is
8:20), e caso não estejam em harmonia com os mesmos, não deverão ser aceitos
como verdadeiros. O mesmo se aplica em relação a todos os ensinamentos dos
escritores do Novo Testamento.
Em Atos 17:10-12 podemos observar a atitude do apóstolo Paulo para com
aqueles que examinavam seus ensinos; esta não deveria ser também a nossa maneira
de agir ?
Conclusão.
O testemunho
bíblico coloca o 15 de Nisan para o dia da morte de Jesus acima de qualquer
contestação. Visto que o
ano 31 A.D. admite a combinação dessa data com uma Sexta-feira, deve ser
considerado o ponto "meio
da septuagésima semana", possibilitando a localização do início e do fim
das 2.300 tardes e manhãs. Retornando, a partir desse ponto, 69,5 semanas
proféticas, ou 486,5 anos, chega-se ao ano de 457 A.C.. Avançando 2.300 anos,
desde essa última data, atinge-se o ano de 1.844 A.D.. Isso confirma a
veracidade da profecia bíblica e serve como irrefutável testemunho da realidade
do plano de salvação. Que Deus seja louvado pela grandiosidade de Sua revelação
e que este estudo possa ser um instrumento "para
fortalecer a fé do vacilante e dar a certeza do glorioso futuro" a todo
aquele que for atraído pelo incomensurável amor do
Salvador.
Não
diria como o autor em sua conclusão:
”O
testemunho bíblico coloca o 15 de Nisan para o dia da morte de Jesus acima de
qualquer contestação"
mas
sim,
"Somente o testemunho dos evangelhos
sinóticos aparentemente colocam o 15 de Nisan para o dia da morte de Jesus acima
de qualquer contestação".
Como pudemos observar ao longo de todo estudo, o autor do mesmo baseou-se
unicamente nas declarações dos evangelhos sinóticos para sustentar a data de 15
de Nisan para o dia da morte de Yeshua, enquanto que, conforme considerado em
nossa análise, muitas são as evidências bíblicas que indicam uma Sexta feira 14
de Nisan para o dia da morte de Yeshua. O autor parece defender veemente o dia
15 de Nisan em virtude do ano 31EC pois o mesmo é tido como um marco para a
interpretação da profecia de Dn 8:14 onde segundo a crença de sua denominação, a
Purificação
do Santuário corresponde ao início de um julgamento investigativo ou pré-advento
iniciado em 1844, no qual os pecados dos salvos serão retirados do Santuário
Celestial.
No entanto, estudos modernos das Escrituras em relação às Festas Judaicas
revelam que Dn 8:14 nos apresenta o momento em que satanás e seus anjos foram
expulsos dos Céus; ou seja:
·
Sendo
o Santuário um símbolo do Céu dos céus, e satanás aquele que causava desarmonia
no mesmo, Dn 8:14 indica a ocasião em que o Céu seria purificado ao satanás e
seus anjos serem destituídos de sua autoridade nas regiões celestes (ocasionando
desta forma um abalo nas potestades dos céus Mt 24:29), e atirados para a terra
onde aguardariam a execução de sua sentença final (Ap 12:7-9 e 13).
Esta
conclusão para muitos pode parecer absurda pois coloca a expulsão de satanás
como um fato recente, já que a tradição cristã a apresenta como um fato ocorrido
a milhares de anos atras. Se alguém desejar, poderá analisar esse assunto nos
links Apoc.
12
e Dan.
8:13-14 no site
http://geocities.yahoo.com.br/ibzaituni
Shalom!
I. B. Zaituni