"Sinais da Revelação de Deus"
Conclusão
Após uma reflexão e pesquisa, no tocante aos 'Sinais da Revelação de Deus', podemos concluir que Deus é, ao mesmo tempo, objeto e sujeito da Revelação. Disto, a título de conclusão, acentuarei, alguns pontos importantes. Primeiramente dizemos que quis Deus manifesta-Se e comunicar-Se a Si mesmo e os decretos eternos de Sua Vontade acerca da salvação dos homens, a saber, para fazer participar os bens divinos, que superam inteiramente a capacidade da mente humana. Deus toma a iniciativa e, no curso da história, revela-se. É conhecido na história e a partir dela nos torna co-participantes dos eventos salvíficos. A revelação perpassa a história como realidade vital e anelante de tudo aquilo que o Criador mostra a humanidade. Assim, vimos que a finalidade de Revelação Divina e de sua transmissão é para que o mundo inteiro ouvindo creia, crendo espere, esperando ame. Isto tudo em vista da grande promessa: "Nos tronaremos semelhantes a Deus porque o veremos assim como ele é" (1Jo 3, 2). Já no AT verificamos a certeza da presença atuante de Deus no percurso da história. Jó sinaliza bem esta questão: Conhecia-te só de ouvido, mas agora viram-te meus olhos..." (Jó 42,5). Na proclamação destas maravilhas da Revelação, vimos que Deus está presente em todos os eventos, Ele mesmo é o sujeito deles todos. Deus faz-se presente definitivamente em nosso meio com o evento Jesus. A presentificação do Filho de Deus, na condição humana, é fruto do dinamismo da Encarnação. O Verbo encarnado está presente entre nós e fala, prega, ensina, atesta o que viu e sentiu no seio do Pai, com termos humanos que podemos compreender e assimilar. Portanto, ele é o testemunho da concretização de tudo que estava "proje-tado e anuncia-do" no advento de Deus, e que por sua vez, tornou-se o presente máximo para a humanidade. Ele é o fato, o acontecimento escatológico do Deus que vem. Jesus tornou-se assim, o centro do acontecimen-to histórico-salvífico. Desse modo vimos também que, enquanto a ressurreição acontece no homem concreto, Jesus de Nazaré, o Espírito do Pai penetra em nossa história e a salvação acontece. Cristo instaurou na terra o reino de Deus, por fatos e por palavras deu a conhecer seu Pai e a Si próprio e completou sua obra pela morte, ressurreição e gloriosa ascensão pelo envio do Espírito Santo. Finalmente, aquele que vem, é também aquele que renova todas coisas. Haverá, segundo a promessa, um novo céu e uma nova terra. Isso, sem dúvida torna-se a concretização do evento Jesus. Jesus é a Plenitude da Revelação de Deus. O novo o céu e a nova terra consistem na ação da Palavra de Deus que fará novas todas as coisas (Is 43, 19). Em Jesus Cristo unem-se céu e terra, carne e espírito (cf. Ef 7,2; Jo 1,14 e 1Jo 1,2). A novidade está externalizada no Cristo Jesus em nosso meio. Nele, com Ele e por Ele tudo se renova e tudo é revelado. Isto consiste na inseparabilidade entre a novidade, a criação toda renovada e a pessoa do Filho que, por amor, entregou-se por nós, identificando-se em tudo com o Pai em sua missão. Na Revelação do Reino dos céus, estão englobados também a promessa redentora de Deus a todos os que cumprem sua vontade e esperam no Senhor. Na confiança no poder renovador de Deus vos conclamamos: participai da antecipação do Reino de Deus e fazei com que já hoje se torne visível algo da nova criação que Cristo consumará em seu dia. A Revelação é um encontro de Deus com o homem. O homem, tocado por Deus no Filho, é agora interpelado para uma vida de ação na história para que Deus o tenha como como sinal predileto da Criação. O homem, ser histórico, é provocado a cada instante pela automanifestação de Deus. Cristologicamente falando, a Revelação plenificada no Filho compromete a humanidade no seguimento. Aquele que, na vida responde, acolhe os apelos de Deus revelados por Jesus, torna-se um indicativo histórico da eternidade aqui e agora.
|