"Sinais da Revelação de Deus"
Revelação e a Lei
"A finalidade da Lei é Cristo para a justificação de todo o que crê"(Rm 10,4). Iniciamos este capítulo com esta frase, justamente pelo modo como ela é apresentada. Ela chama a atenção pelo duplo sentido: Primeiro, percebemos que, nela, o evangelho completa toda a Lei revelado ao povo de Deus. Também, o texto de Gl 3,23 nos diz que "antes que chegasse a fé, nós éramos guardados sob a tutela da Lei para a fé que haveria de se revelar", ou por outras palavras: o nosso pedagogo (cf. Gl 3,25) para nos conduzir a Cristo. Em segundo, vemos no evangelho o fim da Lei, isto é, o acabar da Lei. Isso podemos constatar na própria expressão de Jesus Cristo que marca o fim do período do império da Lei pela Lei: "A Lei e os profetas até João! Daí em diante, é anunciada a Boa Notícia do Reino de Deus"(Lc 16,16). Assim, fica claro a atividade de Jesus Cristo. Nele, inaugura-se um novo tempo revelado segundo a vontade de Deus no Filho. É a Nova Lei descrita no Evangelho: a lei do amor .
Aqui cabe apresentar duas posições em relação à Lei e Jesus Cristo: primeiro, nos dá a idéia de completação da Lei, isto é, a plena realização da promessa do Antigo Testamento. Assim, encontramos a afirmação em Romanos ( 8,4), que diz: "...a fim de que o preceito da Lei se cumprisse em nós que não vivemos segundo a carne, mas segundo o espírito". Neste sentido, em Mateus, Jesus não veio para abolir, e sim para aperfeiçoar(5,17). Sobre isso, encontramos na nota correspondente ao texto, assim: "Jesus não veio nem destruir a Lei (Dt 4,8s), e toda a economia antiga nem consagrá-la como intangível, mas dar-lhe, pelo seu ensinamento e pelo seu comportamento, uma forma nova e definitiva, na qual se realiza, afinal, plenamente aquilo a que a Lei se encaminha (cf. Mt 1,22s; Mc 1,15s ). "Por que em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido nem um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado"(Mt 5,18). Ainda, "não se trata de uma Torá nova, e sim de sua última perfeição" . Já o segundo aspecto, dá a idéia de abolição, anulação, que é característico de Paulo. Se por um lado lado Paulo tende anular a Lei, por outro diz que "não invalido a graça de Deus; porque, se é pela Lei que vem a justiça, então Cristo morreu em vão"( Gl 2,21). E ainda, "ora, eu digo: uma Lei vinda quatrocentos e trinta anos depois não invalida um testemunho anterior, legitimamente feito por Deus, de modo a tornar nula a promessa"(Gl 3,17). Toda a Lei e a promessa feita aos antepassados é considerado como um testemunho (cf. Hb 9,16-17). Neste sentido, as notas de Gl 3, 19-25, nos atestam que "mesmo que fosse considerado uma 'aliança', obrigando também os homens, não se poderia concebê-la como um contrato bilateral (v.20) que subordinasse a salvação às obras da Lei. Deus se contradiria se a Lei não deixasse intacta a gratuidade da promessa revelada. Com efeito, o papel da Lei era desmascarar o pecado ( v. 19), para encaminhar as consciências na direção da fé em Cristo" (v.24-25). Portanto, Paulo, contra os judaizantes, defende a tese de que a Lei não é mais necessária para a salvação. Ela era apenas uma realidade preparatória à vinda do Messias. Neste sentido, vemos que Paulo emprega a expressão "nomon tou Cristou"(lei de Cristo) (Gl 6,2). como tese de superação da Lei. Jesus Cristo é a nova Lei. Assim também a Lei de Cristo é também a Lei do amor (Rm 8,2), idêntico com o preceito do amor (amarás o teu próximo como a ti mesmo) que abrange toda a Lei (Gl 5,14). Cristo é o legislador de sua Igreja.
um encontro de Deus com o homem. O homem, tocado por Deus no Filho, é agora interpelado para uma vida de ação na história para que Deus o tenha como como sinal predileto da Criação. O homem, ser histórico, é provocado a cada instante pela automanifestação de Deus. Cristologicamente falando, a Revelação plenificada no Filho compromete a humanidade ao seguimento. Aquele que, na vida reponde, acolhe os apelos de Deus revelados por Jesus, torna-se um indicativo histórico da eternidade aqui e agora. É a dimensão escatológica iniciada na escuta e na experiência de Deus movidos pelo Espírito Santo.
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