Pe. José Vergílio da Silva, CSsR
"Sinais da Revelação de Deus"
O que é a Terra ?


       A terra designa o mundo tal como aparece. É compreendido na dimensão empírica por que assim é e existe. Dela e nela é que existimos e podemos assim dizer algo. Ela é nossa referência espacial. Tudo o que se passa enquanto realidade onto-antropológica, a compreendemos na categoria da existência terrena. É o espaço da história. É o lugar que Deus escolheu para revelar seu amor. Pois, aqui é que ocorre todos os fatos e os fatos todos da experiência humana.
       Deste modo, por exemplo, estabelece-se dimensão e compreensão da terra. Os israelitas consideravam-na como pertencente a Deus. Contrariando a crença dos judeus, muitas vezes a terra estava ocupada pelos estrangeiros, acarretando descon-tentamento e o aumento do latifúndio. Isso trouxe o despoja-mento do camponês pobre, que se tornou mão-de-obra libe-rada ou diarista. O latifúndio, sistema incorporado com a chegada da dominação estrangeira, passa a ser adotado porque dá mais lucro do que o sistema das pequenas propriedades familiares. Os impostos pagos aos dominadores, exploradores estrangeiros aumen-ta a misé-ria, porque são em número muito elevado e muito pesado do ponto de vista econômico. Nesta situação de miséria e sofrimento, a terra torna-se um lugar da morte, do medo, sem perspectiva de justiça. Diante da morte e do sofrimento, a terra é o ponto de referência para se moldar a compreensão de céu. O céu, objeto da Revelação de Deus, está sendo gestado desde a criação aqui mesmo na terra.
       Por isso, o Céu é visto, desejado, elucidado e até mesmo contraposto a terra, sob a perspectiva de atingi-lo. Se ele é vista a partir da terra, então podemos definir assim:
       "o céu, é aquela realidade transterrestre que constitui a atmosfera de Deus, infinita, plena e sumamente realizadora de tudo o que o homem pode sonhar e aspirar de grande, de belo, de reconciliador e de plenificador" .
       Por outro lado, a terra é o já e ainda não da realização escatológica do Reino. Pode-se, portanto, ser entendida como o palco da salvação, desde que aqui mesmo na terra, a humanidade inteira, comprometida com Deus, exprima seu esforço na luta contra as injustiças.
       Assim dizemos que, se o céu é o trono de Deus, a terra é o escabelo de seus pés (Is 66, 1; Mt 5, 35; At 7,49). A transcendência divina se exprime poeticamente nas perturbações que as suas aparições (Revelação) causam na terra (Sl 18, 16; 77, 17; 97,4s; Hb 3, 6 etc.). Em comparação com o céu, a terra é inferior, é relativa, é menos perfeita (Mc 9,3; Jo 3, 31; 1Cor 15,47); o que se faz na terra não tem valor, se não for confirmado pelo céu (Mt 16,19).

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