Pe. José Vergílio da Silva, CSsR
"Sinais da Revelação de Deus"
Palavra de Deus: Antigo Testamento


       Deus se dá a conhecer progressivamente, bem como o projeto da salvação na Aliança com Israel e neste com todas as nações, a fim de realizar, na pessoa do Ungido, ou o Messias, as promessa feita outrora a Abraão de abençoar sua descendência. A isso entendemos a ação da Palavra de Deus, que convida o homem à fé e à obediência. Deus, com isso, dá uma palavra essencialmente dinâmica que opera a salvação. Essa dinamicidade perpassa todo o Antigo Testamento (AT), onde o povo de Deus procura escutar e viver a palavra revelada de Deus.
       Moisés é, por assim dizer, o modelo de oração mais importante do AT. É em atenção a ele que Deus salva o povo revelando-se (cf. Ex 33, 17). Dese modo, diz o Vat II que "Contraída a aliança com Abraão (cf. Gn 15,18), revelou-Se ao seu povo eleito por palavras e ações como o único Deus verdadeiro e vivo, de tal forma que Israel pôde conhecer por experiências quais os caminhos de Deus para com os homens e, falando Deus pela boca dos profetas cada vez mais profunda e claramente os compreendeu e os difundiu amplamente entre os povos" (cf.Sl 21, 28-29; 95,1-3; Is 2, 1-4; Jr 3, 17) .
       Também nos Reis e Profetas, a Revelação e a oração desempenham um papel decisivo na ação poderosa da misericórdia de Deus. Desde Abraão, os profetas foram homens de oração e de apelo à intercessão de Deus na vida do povo. A função de intercessor pressupõe uma clara consciência, tanto de distinção como de relacionamento que se estabelece entre Deus e a comunidade. O profeta é "aquele que muito orou pelo povo"(2Mc 15, 14). A oração pelo povo, sem dúvida, fazia parte das funções oficiais do rei ( 1Rs 8, 10-61).
       O salmista, em sua oração, busca a Deus e sua justiça. Nas mais diferentes situações, sejam de alegria ou de tristeza, até mesmo por causa de uma guerra, Deus é invocada para auxiliar (Sl 55; 59). É neste clima e espírito que a confiança em Deus se expressa como aquele que irá fazer com que seu povo vença toda e qualquer dificuldade. A confiança na ação de Deus na caminhada do povo passa do riso às lágrimas e vice-versa ( Sl 23, 4; 116, 10; 119; 143). Os Salmos estão cheios desse tipo de prece. Na realidade, eles mesmos são uma grande prece a Deus. A Revelação de Deus nos Salmos equilibra-se entre a súplica e a "ação de graças". Constata-se, do mesmo modo, louvação e agradecimento mesmo antes da graça de Deus ( Sl 22, 25s; 140,14). Essas formas de oração, sejam de invocação ou agradecimento, pretendem mostrar uma e única certeza: Deus revela-se em meio ao dizer humano, isto é, Deus coloca na boca das pessoas que o amam a sua Palavra. Esta Palavra, preparava no AT a vinda o Cristo de Deus, Jesus de Nazaré. Diz o Vat II, referindo-se ao AT: "Estes livros, embora contenham também coisas imperfeitas e transitórias, manifestam contudo a verdadeira pedagogia de divina" . Desse modo, "Deus, pois, inspirador e autor dos livros de ambos os Testamentos, de tal modo dispôs sabiamente, que o Novo estivesse latente no Antigo e o Antigo se tornasse claro no Novo" .

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