Pe. José Vergílio da Silva, CSsR
"Sinais da Revelação de Deus"
O que é Revelação ?

       A Revelação é um fato historicamente perceptível na ação misericordiosa de Deus na caminhada de seu povo. Deus, pela Palavra, comunicou aos homens e mulheres sua bondade paterna e sua eterna presença no mundo. Deus revela-se me meio aos acontecimentos históricos, mostrando assim, o caminho de seu Reino. Assim, a Revelação de Deus ao mundo se dá de modo progressivo. Os segredos dos "últimos tempos" nos são revelados na plenitude do evento Cristo, revelador por excelência. Crer, para um cristão, é aceitar essa revelação que chega aos homens na história trazida pelo Filho sob a força do Espírito do Pai.
       O evangelista João ressalta que viu, ouviu, tocou o Verbo da vida (1Jo 1, 1), resume-se assim, o sentido da sua experiência : em Jesus manifestou-se a vida (1Jo 1,2); em Jesus manifestou-se o amor de Deus por nós (1Jo 4, 9). A finalidade de Revelação Divina e de sua transmissão é para que "o mundo inteiro ouvindo creia, crendo espere, esperando ame" .
       Nesta certeza, o homem caminha para contemplar o Pai: desse modo "nos tronaremos semelhantes a Deus porque o veremos assim como ele é" (1Jo 3, 2).
       Segundo as Sagradas Escrituras, Deus está infinitamente acima dos pensamentos e das palavras do homem ( Jó 42, 3). Jó reconhece a grandeza infinita de Deus. Experenciou profundamente a bondade de Deus em sua vida. Dizia Jó: "Conhecia-te só de ouvido, mas agora viram-te meus olhos..." (Jó 42,5).
       Deus se revela também a si próprio através daquilo que realiza neste mundo no fluxo da história. Sua Criação já o manifesta perfeita e harmoniosamente em sabedoria, amor e graça. A humanidade contempla a grandeza da Criação na beleza das criaturas (Sb 13, 3ss). "Conhecer a Deus como nós somos conhecidos"( 1Cor 13, 12). Sem dúvida, esse é o desejo primeiro do existir humano.
       Também, dizemos que a Revelação compreende a grande teia dos sinais que Deus opera no meio da humanidade. Do mesmo modo, em resposta ao que Deus apresenta, compreendemos as formas cultuais do povo crente. Neste sentido, o conceito de Revelação pode também ser assim compreendido:
              "A Revelação é tudo: desde o rito, no qual se presencializa a ação primordial divina, até o mito, no qual a experiência do sagrado se converte em expressão fabuladora; desde a oração, onde é simples presença que manda, ampara ou julga; desde o templo e os lugares onde a presença se configura, até as mil modalidades de hierofanias, nas quais aparece a infinita riqueza de seu rosto, ou inclusive até o tabu, onde se manifesta o aspecto negativo de seu poder" .
       Trata-se portanto, de um dar-se conta de que Deus mostra-se à humanidade como um todo, bem como na sua diversidade, à maneira divina na realidade humana. Não cabe ao homem julgar, dentro dos critérios humanos aquilo que os caminhos de Deus indicam no horizonte da revelação.
       São Paulo nos insere justamente nesse contexto em que o critério para perceber, sentir, ouvir Deus se faz necessário amar. "O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam" (I Cor 2, 9; Is 64, 3; Jr 3, 16; Eclo 1, 10). Eis a condição! Então, amando conhecemos a Deus. Isso por que Ele já mostrou-se amando-nos. Neste sentido, Deus pode ser conhecido somente se ele mesmo se der a conhecer.
       O núcleo de qualquer elucidação teológica no tocante a Revelação só pode ser compreendido na Cristologia. Pois, "em Jesus Cristo tem-se o evento em que Deus se dá a conhecer a Si mesmo. Deus é o sujeito da Revelação, enquanto Jesus Cristo é seu conteúdo" . A categoria do amor de Deus já aparece entre todas as culturas e religiões, lá mesmo onde vive-se modalidades que não é produto da pura ação humana, mas certeza da presença de Deus.

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