Pe. José Vergílio da Silva, CSsR
"Sinais da Revelação de Deus"
Revelação e a História

       A longo da história do povo de Deus e nos últimos tempos a Revelação tomou palco e roda das discussões teológicas. Nesse século, o Concílio Vaticano II foi muito feliz, quando precisou as meditações a respeito da Revelação. Diz o Concílio que
              "Pela revelação divina quis Deus manifesta-Se e comunicar-Se a Si mesmo e os decretos eternos de Sua Vontade acerca da salvação dos homens, a saber, para fazer participar os bens divinos, que superam inteiramente a capacidade da mente humana" .
       Neste sentido, o objeto da reve-lação vem sendo acolhido na história, pois desde que Deus entrou na história de forma humana na pessoa do Filho, as categorias históricas são as menos infiéis para falar d'Ele. Deus de infinita bondade, arca-se sobre a sua obra, a enche de misericórdia para que a humanidade possa tê-lo como Pai plenamente revelado pelo Filho sob o Espírito Santo.
       A história constitui, desse modo, a metodologia adequada para o anúncio de Cristo ao mundo contemporâneo, que se compreende cada vez mais como cons-ciência histórica aberta, não em conceitos ou sistemas fechados. Numa perspectiva pós Vat II, esta visão pode mostrar seu horizonte. Deus é conhecido na história e é a partir dela que o Criador mostra-se a criatura. Desse modo o clamor humano foi assumido plenamente aos ouvidos de Deus na pessoa do Filho amado: Jesus de Nazaré. Ele é o Revelador do Pai por excelência.
       Desse modo, realiza-se o círculo herme-nêutico entre teoria e práxis, sujeito e objeto, pois, ao partir da fé eclesial, retorna a ela. Assim, a revelação perpassa a história como realidade vital e anelante de tudo aquilo que o Criador mostrou a humanidade.
       Ao longo da história da humanidade, muitas perguntas com referencias à revelação eram feitas no sentido de estabelecer um relação íntima com o transcendente que por amor move e faz história.
       As primeiras constatações mais objetivos nos são dadas pela tradição do povo de Israel, onde as teofanias e orações de intercessão são próprias desse povo. A oração carateriza-se pela forma mais original da ação de Deus na história no momento presente. Trata-se de invocar Aquele que eternamente está de algum modo presente no meio de nós. Ora-se a partir do que aconteceu, do que acontece e para que aconteça alguma coisa, para que a salvação de Deus seja dada à terra.

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