Pe. José Vergílio da Silva, CSsR
O Mito da Liberdade
Tô vendo, roubando né!!! - Tudo bem! Aprevite o texto e faça com que teu conhecimento torne-se realmente poder, servindo às pessoas...

      O homem tende constantemente a evadir-se da realidade. Isso é uma inclinação natural. Esta fuga da realidade acontece geralmente por duas formas: fabulação e rotina (rito).
       Na fabulação, o homem usa da realidade como referência, cria imaginação, um plano paralelo de vida, buscando uma tranqüilidade pessoal.
       Na rotina, o homem foge da realidade, fixando-se em certos hábitos, que são repetidos mecanicamente, isto é, de forma automática, não deixando espaço para o novo. O mito nasce justamente aqui. Pois, fabulação e rotina estão na fixação da imaginação, são entes de razão e não correspondem estritamente a realidade.
       Neste contexto, aparece um falso conceito de liberdade. O homem julga-se livre por não estar preso a uma realidade que lhe é imposta, mas acredita poder subordiná-la segundo a sua vontade (fabulação). Também o automatismo do hábito, dá a impressão de que a pessoa possui um domínio sobre as situações, executando tarefas sem ou com o menor esforço. Torna-se, por isso mesmo, acomodado e rejeita a criatividade (rotina).
       Desproporcionado com a realidade, o conceito de liberdade se transforma num mito. a liberdade como espontaniedade não envolve a responsabilidade, nem sempre é alegre e descontraída. Na verdade, é muitas vezes, uma reação que revela desencanto e até mesmo desespero. Por exemplo, alguém que se diz livre para usar drogas ou suicidar-se.
       Um caminho mais sutil é dizer que cada um age de acordo com a sua própria consciência. Mas, não deve, o homem, formar bem a sua consciência ? Cada um tem o direito de arbitrar o que é bom ou mau, verdadeiro ou errado para si ? Mas, cada um de nós tem o direito de escolher a sua vontade ? Isto não é o mesmo que dizer que não há verdade.
       O liberalismo é um exemplo do tema liberdade transformado em mito. Ele está relacionado com o sentimentos que se identificam com a afetividade primária dos desejos instintivos, ou das ambições elementares do homem. Mas, será, o homem, um ser livre quando faz tudo aquilo que tem vontade ?
       Nesta concepção, a razão humana é infalível, o homem é bom por naturezas, daí o progresso é uma manifestação necessária e incontestável dos atos livres do homem, sendo bom por si mesmo. Mas o progresso é bom por si mesmo ? Qual a razão de sua natureza ? Qual seu valor ? Suas conseqüências ? Quais os princípios que o dirigem ? Quais os fins a que se destina ?

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Estudos e Comentários
Título original: Carlos Eduardo Prado de Mendonça - A Construção da Liberdade
São Paulo © Convívio, 1977

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