Pe. José Vergílio da Silva, CSsR
O Homem, o Estado e a Liberdade
Introdução

       O objetivo desse trabalho é de aprofundamento do texto de Hobbes (Leviatã). Nele queremos atingir suas questões mais importantes no tocante à realidade do homem "em si", seu estado de natureza e seu conflito com o outro. Neste sentido ainda, será dado ênfase no despertar do homem ao uso da razão com finalidade de garantir segurança e escapar da morte violenta. Isso se dá através do pacto, culminando, desse modo, na instituição Estado.
      Em que consiste o pacto e quais as garantias do Estado ? A razão garante a segurança ? Que atributos são transferidos, no momento do pacto, ao soberano ? Ele é quem estabelece o referencial da moral ? Sobre essas e outras questões vamos tentar responder ao longo desse trabalho.
      Cada homem é profundamente diferente dos outros homens. Desta proposição Hobbes irá desenvolver sua tese onde classifica o homem como anti-social. Para ele, o homem é visto como superior aos demais seres na natureza.
      Neste sentido veremos que as paixões prendem o homem no estado de guerra de todos contra todos, gerando assim insegurança e medo da morte violenta. É nesta situação, no estado de natureza, que o homem recorre ao uso da razão a um poder superior (soberano) que os assegure desses males.
      Da situação de igualdade resulta a insegurança e a desconfiança, pois no estado de natureza não há equilíbrio para que todos possam satisfazer igualmente seus desejos. Com isso, procurarei demonstrar como Hobbes argumenta que, nestas condições, a vida e a liberdade estão em constante ameaça. A atitude mais sensata, portanto, é a luta, a não ser que um poder forte, como o do Estado, reprima e controle os indivíduos.
      Desdobrando o pensamento de Hobbes, veremos sua concepção de Estado. Para ele, trata-se de uma criação necessária para a conservação do bem comum. Esta necessidade se deduz da realidade do estado de natureza, do medo da morte violenta temido por todos os homens.
      Essa situação é então superado na medida em que todos pactuarem, instituindo, desse modo, o Estado.
       O Estado é fruto do pacto resultante da razão do homem. É ela, a razão, que deduz tal necessidade que produz um corpo político por intermédio da instituição de um poder soberano monárquico. A razão sugere argumentos para a paz. E para que haja a paz não basta somente a razão, é preciso que os homens cumpram seus acordos assumidos no pacto. Nisto, veremos que, o pensamento hobbesiano acentua a convergência de tudo e de todos no Estado e, consequêntemente nas mãos do Soberano. A soberania do Estado exige um centro único de decisão, capaz de ordenar e de deixar coesa a sociedade.
       Com a instituição do Estado, o homem deixa de ser o lobo do homem. Ele passa a controlar suas paixões, pois a realidade pactual estabelece leis e normas de paz e segurança que no estado de natureza não existia.
      No estado de natureza tudo era permitido. Reinava a liberdade total. É justamente dentro deste prisma que Hobbes irá tratar da questão da liberdade. Segundo Hobbes, a liberdade para o homem é um valor imanente, mas este valor é motivo de conflito e guerra. É por isso que, entre a liberdade absoluta acompanhada pelo medo e a morte violenta, a razão sugere regras, leis que limitam a liberdade absoluta em vista da paz e da segurança.
      Por esta perspectiva, veremos que toda decisão é escolha e toda escolha já é um exercício da liberdade, caracterizando assim uma ação livre. A liberdade, portanto, se expressa em querer viver ou não naquela condição de medo e de insegurança.
      Por fim, dizemos que este trabalho está divido em três capítulos: I fala das razões do contrato e do Estado; II da idéia de Estado; III da liberdade e o pacto.
      Este será o perfil e a forma do desenvolvimento desse trabalho monográfico. Sendo que sua finalidade é a conclusão do curso com Lecenciatura e Bacharelado em Filosófica.

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