História da Filosofia no Brasil
Miditação Conteporânea
VI A MEDITAÇÃO CONTEMPORÂNEA
Com a decadência da Escola de Recife, tornamo-nos como que acéfalos de uma reflexão que representa-se nosso pensamento. Porém na Europa as reações ao positivismo e sua concepção de ciência que eram predominantes, começaram despontar. Esta realidade também tem seus reflexos no Brasil.
A reação não se d somente na posição científica, mas é uma necessidade de se aflorarem pensamento novos. O próprio contexto, assim exigia que se fizesse novas tomadas de posicionamento e reflexões mais agudas sobre a realidade que se vivia.
Dentre os v rios arautos do final do século passado um que despertou grande influência em nossa realidade nacional, porque teve seguidores ou especialmente seguidor, foi Bergson, tendo, como seu mais arguto intérprete Farias Brito.
Parte-se do pressuposto que a ciência não é dogm tica, como afirmara Comte, que ela é um suceder de hipóteses, que deve buscar um universalismo, tendo como norteador de toda a sua pesquisa a visão mecânica. A ciência é uma criação humana, que funda-se em convenções que confrontados com a realidade, confere seu grau de veracidade ou não.
Bergson parte de que para se fazer ciência não podemos ser meros contempladores extrínsecos da natureza, mas devemos penetr -la interiormente, por meio da intuição que descreve a realidade como um todo qualitativamente heterogêneo em continuidade e incessante mutação. A intuição capta a realidade verdadeira, a interioridade, a duração, a continuidade, o que se move e o que se faz.
FARIAS BRITO (1863-1917) é seguidor de Bergson, que adota suas idéias como uma forma de rebater os republicanos que o perseguiam. Segundo Euclides Cunha, Farias Brito seria um filósofo "pela abundância, pela prolixidade ou pela vastidão e até mesmo pela cligem do estilo, por vezes impenetr vel, resultando daí que "não é coisa f cil alcançar uma inteligência razo vel das suas doutrinas"(100).
Segundo Washington o pensamento de Farias Brito "seria Pampsiquista em seu fundamentos h no mundo duas ordens de fen"menos, diz ele: os objetivos de movimento e o subjetivos de consciência, correspondentes, respectivamente, à realidade física e à realidade psíquica"(101). Com a leitura de Pascal é que torna-se católico.
Segundo Vita, "Shopenhauer e Von Hartman foram para ele uma espécie de prazer de justificação, de compensação, de consolo. Leu mais do que viveu, fez mais história da filosofia do que propriamente filosofia" (102).
"A significação especial da obra de Farias Brito resulta de que ensejou fen"meno sem precedentes na cultura brasileira: a adesão em massa, da intelectualidade, ao ctolicismo, fen"meno esse, diga-se de passagem, que nunca chegou a ser compreendido pelos que vieram a ocupar sua liderança, em especial Leonel Franca (1893/1948) (103).
Busca restaurar o espiritualismo que a intelectualidade havia tomado ao separar-se da Igreja durante o império. A razão da separação dava-se pelos seguintes motivos: Combate acirrado da Igreja, às idéais modernas, aceitas pela intelectualidade. Clero inculto, com raras excesões, mundano e politizado.
Embora não tenha formado discípulos teve porém influências sobre alguns pensadores posteriores, como por exemplo Jackson de Figueiredo.
JACKSON DE FIGUEIREDO (1891-1928) É um pensadores de cunho espiritualista, sob influência cristã. Chegou a culpar o liberalismo pelos "derrota" do cristianismo no século XIX.
É um extremado, como extremada era a sua própria vida, ao ponto de matar animais domésticos, que lhe faziam companhia. Suas afirmações são sempre recheadas deste cunho finalístico, como por exemplo: "a Igreja não precisa de nós, nós é que precisamos da Igreja"
"Com Jackson de Figueiredo se encerra o segundo ciclo do pensamento filosófico no Brasil, ensejado pelas academias de Direito, pelas Escolas politécnicas e pelas faculdade de Medicina, assim como o primeiro ciclo nascera no recesso dos semin rios de teologia" (104).
Com Maior probriedade podemos colocar a filosofia contemporânea, surgindo a partir da primeira guerra mundial. Este fato de repercussão mundial, chamou a atenção para a reflexão de alguns pontos, como também para a possibilidade de uma pluralidade maior de pensamento. Surgem uma série de temas que precisam agora de soluções diante de novos quadros que ora despontavam. E não só na questão da reflexão, como também na metodologia que se exigia a ser empregada. Segundo Vita, a filosofia contemporânea "procura estabelecer novas relações com o passado e novas formas de o interpretar....e estabelecer uma estreita ligação entre a própria História da filosofia e a consciência dos problemas atuais" (105).
Humaniza-se a filosofia por um lado e por outro surgem correntes que abstraem o homem do pensamento filosófico mediante a tecnização e formalização que não nos permitem mais avançar. Transforma-se a filosofia conteudista para ser uma atividade, um conjunto de atos.
No Brasil, assim como no mundo surgem v rias correntes filosóficas, com v rias preocupações e aspectos a serem pensados, como também com sua correspondente metodologia. Segundo Vita, podemos resumir em 4 os grupos de pensadores no Brasil: a) O cientificistas e analiticistas; b) os culturalistas e historicistas; c) Os idealista e existencialistas; e d) os neotomistas e espiritualista cristãos.
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