O Homem, o Estado e a Liberdade
1.1. Visão de Homem
As noções empirista e materialista são fundamentais para Hobbes em sua concepção e elaboração filosófica. Hobbes é empirista e racionalista; põe em prática o empirismo nas suas observações e conclusões sobre a natureza humana, mas faz uma análise das palavras e do raciocínio que é dedutiva, racionalista, principalmente em ciência política. Para ele o homem é corpo. Sendo que entendimento e razão são as faculdades sensíveis, tornando o homem, por sua vez, superior aos animais apenas em grau. Isto quer dizer que, no conjunto da organicidade física, há somente diferenciação gradativa. A atividade não passa de ações provocadas por atrações e reações sensíveis. Assim, o homem é prisioneiro dos mecanismos dos sentidos . Com estas proposições, nota-se claramente que, em Hobbes, o espírito mecanicista é fator determinante em seus juízos filosóficos. Para Hobbes, o homem é visto como um objeto , isto é, cada homem é a representação de alguma qualidade ou acidente, de um corpo exterior a nós .
O objeto atua em todas as partes do corpo humano e da maneira que atua produz aparências diversas. Essas aparências originam-se das sensações, pois "não há nada no espírito humano que não tenha passado pelos sentidos" .
Por meio das impressões sensíveis nós buscamos o que parece agradável; aquilo que parece desagradável nós desprezamos ou rejeitamos. Assim, os atos humanos não passam de fenômenos físicos, ou seja, a utilidade e o egoísmo guiam nossas apreciações.
Para Hobbes, a matéria é a única substância, a ela se reportam todos os seres como princípio de seu existir. Hobbes constata que o homem, como todas as outras coisas deste mundo, são constituídos exclusivamente de matéria, e está sujeito às leis mecânicas da natureza. A natureza humana é definida por Hobbes como uma grande máquina, corpos em movimento, descritos por leis mecânicas. O princípio fundamental de seu sistema é corporal e tudo o que acontece se explica pelo movimento. A vida não é nada mais que movimento.
"Pois vendo que a vida não é mais do que movimento dos membros, cujo início ocorre em alguma parte principal interna, porque não poderíamos dizer que todos os autômatos (máquinas que se movem a si mesmas por meio de molas, tal como um relógio) possuem uma vida artificial? "
Com esta proposição vemos que o mundo de Hobbes é o mundo das grandes descobertas científicas. O mundo da reflexão científica inicia sua caminhada pela autonomia. Tudo passa a ser objeto de estudo para a ciência e para a arte . Isso se dá, graças aos novos métodos e pesquisas que, neste momento da história, - tempo de Hobbes - evoluem consideravelmente. Assim, Hobbes tem como objetivo estender o avanço da ciência às questões morais, pois, para ele, é um método infalível que leva a um resultado certo e preciso .
Como vimos anteriormente, Hobbes tem uma visão mecanicista do homem e, em sua concepção de natureza tudo se produz mecanicamente, e a aparência das coisas se explicam por movimentos. Na introdução do leviatã Hobbes compara o homem a uma máquina.
"Pois o que é o coração, senão uma mola; e os nervos, senão outras tantas cordas; e as juntas, senão outras tantas rodas, imprimindo movimentos ao corpo inteiro, tal como foi projetado pelo Artífice? E a arte vai mais longe ainda, imitando aquela criatura racional, a mais excelente obra da natureza, o Homem" .
Hobbes, dominado pelos princípios mecanicistas, leva o corporalismo às últimas conseqüências, os corpos e os movimentos bastam para explicar todas as coisas e os fenômenos. Com isso estabelece a determinação das coisas, quer dizer, a liberdade de certo modo está suprimida nesta perspectiva de compreensão. Mas sobre essa idéia vamos trabalhar no terceiro capítulo.
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