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A teoria da Argumentação de Toulmin
TAVARES, Quintino L. C. A teoria da argumentação de Toulmin. Jusfilosofia, Florianópolis, jun. 2002. Disponível em: <http://br.geocities.com/jusfilosofia/toulmin.htm>

Introdução

Stephen E. Toulmin foi um filósofo inglês preocupado com a natureza da argumentação como efetivamente ocorre no dia-a-dia. Começou em meados de (19)50 e continuou até o início dos anos 80. Publicou diversos trabalhos com vista a refinar sua teoria de argumentação. Mas o mais notável foi o seu livro The uses of argument, publicado em 1963. Este livro forma a base de sua teoria e é também o primeiro livro onde ele articulou o crux de sua teoria, a disposição dos argumentos.

Embora Toulmin recebesse modesta aprovação somente na Inglaterra, sua teoria da argumentação teve impacto substancial nos estudantes de retórica e da argumentatação nos Estados Unidos e no Canadá. Os mais notáveis, Douglass Ehninger e Wayne Brockriede, introduziram no campo da comunicação o trabalho de Toulmin. Em 1960 publicaram um artigo sobre Toulmin, no Quarterly Journal of Speech que se tornou conhecido como a entrada definitiva do trabalho de Toulmin na disciplina de comunicação. Depois disso, a teoria de Toulmin transformou-se num método popular de analisar o discurso público, criticando o "argumento público", e servindo como uma ferramenta para ensinar estudantes do discurso público e do debate (Soukup e Titsworth).

Para Atienza (2000, p. 134-135), trata-se de uma nova concepção da lógica. Toulmin pretende deslocar o centro de atenção da teoria lógica para uma prática lógica (working logic), para tal, toma como modelo a jurisprudência: a lógica seria a jurisprudência generalizada. Traçando um paralelo entre a lógica e a jurisprudência, busca colocar no centro a função crítica da razão. Deste modo, um bom argumento é aquele que resiste às críticas e possibilita, num determinado caso, uma decisão favorável. Para ele (Toulmin), A correção de um argumento não é uma questão formal, mas sim uma questão de procedimento, algo que precisa ser avaliado segundo critérios apropriados para cada campo.

Problemas com a Lógica Formal

Toulmin desenvolveu sua teoria de argumentação porque observou um problema inerente à lógica formal. Simplesmente, ele reconheceu o que qualquer um sabe ou pelo menos deveria: pessoas reais não argumentam por meio de silogismos. Lembre-se, o silogismo pertence à uma corrente da filosofia (lógica), é uma fórmula do argumento lógico. De acordo com as regras da lógica, se uma audiência aceita ambas as premissas maior e menor de um silogismo, deverá aceitar também a conclusão. Por exemplo, todos estão familiarizados com o seguinte:

Premissa Maior: Todos os homens são mortais;
Premissa menor: Sócrates é (foi) um homem; 
conclusão: Sócrates é mortal. 

Esta maneira de argumentar não é o que se verifica ao escutar um discurso público, discutindo-se com um companheiro de quarto sobre que música escutar, ou sobre a política. Conseqüentemente, Toulmin desenvolveu sua teoria a fim explicar como a argumentação ocorre no processo natural do argumento diário. Desta forma, Toulmin quis explicar como as pessoas normais (não filósofos) discutem de verdade (Soukup e Titsworth). Atienza (2000, p. 136) explica que Toulmin parte da idéia de que uma das formas de nosso comportamento é o raciocionar, ou seja, dar razões a favor do que fazemos, pensamos ou dizemos.

Embora a posição de Toulmin sobre a lógica formal -- que as regras da lógica formal não correspondem às práticas diárias da argumentação -- possa parecer óbvio, deve-se recordar o período em que desenvolveu sua teoria. Os estudantes do discurso público, da retórica e da lógica aprendiam somente a lógica formal. Usando um exemplo contemporâneo para ilustrar: os estudantes aprendiam como programar um computador antes de saberem como instalar o mouse. Assim, quando se reconhece as tradições daquele período, a teoria de Toulmin parece muito mais revolucionária (Soukup e Titsworth).

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