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Quadras da minha vida
Feliz quem dorme sob a tousa amiga.
Tépida talvez com o pranto amargo
Dos olhos da aflição; - se os mortos sentem
Ou se as almas têm amor aos seus despojos,
Certo dos pés do Eterno, entre a aleluia,
E o gozo lá dos céus, e os coros d'anjos,
Hão de lembrar-se com prazer dos vivos,
Que choram sobre a campa, onde já brota
O denso musgo, e já desponta a relva.
Lajem fria dos mortos! quem me dera
Gozar do teu descanso, ir asilar-me
Sob o teu santo horror, e nessas trevas
Do bulíco do mundo ir esconder-me!
Oh! lajem dos sepulcros que me desse
No teu silêncio fundo asilo eterno!
Aí não pula o coração, nem sente
Martírios de viver quem já não vive.
Gonçalves Dias