FÁBULAS SACANAS
O GAVIÃO E
A CORUJA
Conhecendo a fama de
devorador do Gavião a Coruja resolveu procurá-lo para interceder em favor de
suas filhas:
-Por favor, seu Gavião, não coma minhas pimpolhas! – implorou a Coruja
com os enormes olhos rasos d’água.
- Tudo bem, dona Coruja – concordou o Gavião. Mas como posso reconhecer
suas filhas entre tantas outras aves que habitam estas matas?
- É fácil, seu Gavião: basta não comer as avezinhas
mais belas e fofas do pedaço. – concluiu a Coruja.
Isso posto, cada um foi pro seu lado. E um belo
dia, ao voar entre as árvores à procura de comida, o Gavião escutou alguém
falar:
-
Oi, bonitão! Onde vais com toda essa pressa?
Ao voltar-se para o rumo da voz o
Gavião deu de cara com dois monstrinhos cabeçudos e
olhos enormes e corpo semi-emplumados, agasalhados num ninho feito no oco de
uma árvore.
Apesar de ter certeza que aqueles projetos de aves não eram as filhas da
Coruja, o Gavião tinha lá seus escrúpulos e não comia qualquer bagulho, não. E
até já ia embora quando as duas aves implumes voltaram à carga:
-
Qualé a tua, ó Gavião? Vai nos comer ou ficar aí com
essa cara de fresco? Aproveita que a mamãe não está e a gente tamos a fim!...
Entre comer bagulho e levar desaforo pra casa, o Gavião não pensou duas
vezes: escalou a ferramenta e comeu as corujinhas ali mesmo no ninho.
Quando a Coruja chegou e encontrou o ninho todo desarrumado e as
corujinhas mais alegres que pinto na merda, cismou que ali tinha coisa. Botou
quente em cima das duas até que elas resolveram abrir o bico:
-
Tá certo, mãe. – disseram as corujinhas com ares de vítimas – Foi o Gavião que
comeu a gente. Mas foi à força, viu? A gente não queria, mas ele é tão fooorte...
A Coruja ficou uma arara! Bateu asas pra casa do juiz Urubu exigindo que
ele obrigasse o Gavião a reparar o erro com o casamento. Era a lei da mata:
comeu, casou.
O juiz intimou o Gavião a depor e este compareceu acompanhado do
Bem-te-vi que atuou como testemunha de defesa, afirmando ter visto como tudo
aconteceu, mostrando que o Gavião agiu em defesa da própria virilidade, posta
em dúvida pelas supostas vítimas.
O argumento do Bem-te-vi foi aceito pelo juiz Urubu que do alto e sua
autoridade liberou o Gavião e passou o maior sabão na mamãe coruja e em suas
taradas pimpolhas.
Moral da
História:
Nenhuma. Onde já se viu uma fábula
dessa ter moral? Vai ler a Bíblia que o fim do mundo tá pintando!
A RAPOSA E O GALO
Uma raposa que passava pelos
arredores de uma chácara, avistou um galo ciscando fora
do galinheiro e, sorrateiramente, dele se aproximou com a expressa intenção de
comê-lo.
Apanhado de surpresa, mas impulsionado pelo pavor de cair nas garras da
raposa, o galo conseguiu escapar voando por cima de uma cerca, entrando por baixo
de um sanitário e indo esconder-se dentro da fossa. E lá ficou, no meio da
merda, sem dar um pio até a noite chegar.
Acontece que a raposa, esperta que só ela, passou a noite rondando o
local na expectativa de ouvir qualquer ruído que denunciasse a presença e sua embiara. E finalmente pela madrugada a expectativa chegou
ao fim. É que o galo, levado pela força do hábito, esqueceu-se momentaneamente
de sua condição, saltou para a tampa da fossa, tufou o peito, bateu as asas
duras de merda, abriu o bico e...cocoricó!!! E nem
precisou repetir a dose para a raposa encontrá-lo e devorá-lo ali mesmo, com
merda e tudo.
Moral da
História:
Quem está na merda, não canta.
O LEÃO E O MACACO
O
Leão vê o Macaco no topo duma árvore e grita:
- Oi,
Macaco! Desce aqui pra gente rolar um léro!
- Eu
não! – responde o Macaco – Tu tás é querendo me
comer. Pensa que eu sou leso? Aqui, ó!...
- Não
é nada disso. – argumenta o Leão – É que eu estou muito solitário, muito
carente...Essa fama de rei dos animais não deixa bicho nenhum se aproximar de
mim. Deixa de medo. Vem!
- Vou
nada! Tás é com papo furado. Se ao menos tu te amarrasse...
O
Leão não contou conversa: arranjou uma porrada de cipó e se amarrou todinho num
pé de pau.
Assim que o Macaco certificou-se de que o Leão estava realmente
imobilizado, começou a descer da árvore, tremendo da cabeça aos pés. E o Leão,
ao perceber a tremedeira do Macaco, danou-se a rir, dizendo:
- Ora
deixa de ser frouxo, Macaco. Eu aqui todo amarrado e tu aí tremendo de medo!...
-
Medo uma ova, majestade. Emoção!... É que pela primeira vez na minha vida eu
vou comer a bunda de um leão!
Moral da
História:
Bobeatus sunt, enrabatus est...
O QUATI
E O MACACO
Um quati
que perdeu um braço numa armadilha andava desgostoso da vida. Já não podendo mais
seguir o bando e tendo dificuldade para subir em árvores e conseguir comida,
resolveu dar cabo na porra da existência atirando-se do topo de uma árvore . Para tanto, escolheu uma castanheira bem alta e
começou a subir vagarosamente. Mas ao atingir o último galho e quando já se
preparava para saltar, olhou para baixo e viu um macaco sem braços, dançando
sem parar. Comovido com a cena e envergonhado da própria fraqueza, desceu da árvore , aproximou-se do macaco e falou:
- Puxa, macaco, a tua maneira de encarar positivamente os teus problemas
salvou a minha vida. Imagina que eu ia me matar por não ter um braço quando vi
que tu, que não tens os dois, estás aí dançando numa boa.
E o macaco, sem parar de rebolar:
- Dançando um caralho!
É que tu não sabes o que é sentir uma coceira no cu e não poder coçar!...
Moral
da História:
Pimenta no cu do outro
é refresco.
A JUSTIÇA
Para evitar problemas de
superlotação da Arca, Noé resolveu confiscar o sexo
dos animais à entrada da mesma, entregando a cada um uma senha com o número correspon- dente
ao sexo que ficava guardado num depósito à moda dos guarda-volumes das lojas e
supermercados de hoje.
Passando o Dilúvio e estando a Arca já em terra firme, Noé iniciou a liberação dos animais devolvendo, à saída,
mediante a apresentação da senha, o sexo de cada um. Uma xereca
pra cá, um vergalho pra lá... E tudo corria em paz até a chegada da galinha.
Procura-que-procura, revira-que-revira e nada! A xota
da dona franga havia sumido como por encanto! Aí a galinha soltou a franga
literalmente. Fez um bafafá dos diabos, xingou Noé
até a 99ª geração. E tanto fez que ele perdeu a santa paciência, pegou a penosa
pelo pescoço e berrou:
-
Ora vai-te ao ovo que te pariu! Vai tomar no rabo que eu tenho mais o que
fazer!...
-
Foi quando a galinha, puta nas penas, encarou o desaforado Noé
e carcarejou:
- Pois
saiba que eu vou à Justiça procurar meus direitos!
E saiu dali direto para o tribunal onde entrou com uma ação judicial de
reintegração e sexo, além de um processo penal por perdas e danos contra Noé e sua A.R.C.A. – Agência de Recolhimento e Castração de
Animais.
Moral
da História:
Esperando pela
Justiça, até hoje a galinha está tomando no fiofó.
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