A TURMA DO PARK
Bruno Pinag� da Rocha - Abi Xarad
KailDubond - Inoc�ncio Carrapato - Madame Xana
QUEM � KAIL DUBOND, O POETA "BAIANO"
Kail Dubond nasceu de bunda pra lua dentro de um batel�o carregado de a�a�, em plena Baia do Guajar�, da� dizer-se
"baiano". Consta, em seu curr�culo, entre outras barbaridades, que � gigol� aposentado, membro do COI ( Clube dos Onanistas Inveterados), al�m de possuir diploma de macuqueiro. Sua "obra lixeir�ria", composta de meia-d�zia de trovas de p�s quebrados e de um punhado de poemas� igualmente esdr�xulos, destaca-se pelo grande n�mero de pl�gios e par�dias de autores famosos, como nos versos que seguem, inspirados num poema Fernando Pessoa.
ALCOOLPSICOGRAFIA
O Poeta � um bebedor.
Bebe t�o perdidamente
que chega a jurar amor
ao garraf�o de aguardente.
E os que bebem o que ele bebe
na carca�a sentem bem
as quedas que ele recebe
e as ressacas que ele tem.
E assim, nos bares da vida
vive a perder a raz�o
essa figura sofrida
que se chama: o beberr�o.
TROVA
Santo Antonio de alenquer
atendei minha ora��o
pois, por falta de mulher,
j� tenho calos na m�o!...
IMORTAL DE NASCEN�A
Convidado a disputar uma vaga de "imortal" na Academia Jaburualegrense de Letras, KailDubond, polidamente, declinou do convite a seu modo: escrevendo uma carta em versos dirigida ao presidente da institui��o:
Eu nasci livre, seu mo�o,
na Ba�a do Guajar�,
sem gravata no pesco�o,
sem jaqueta e sem crach�.
Sigo entre perdas e danos
tendo este lema por guia:
maior que o fardo dos anos
� o fard�o da Academia!
Ademais, tenho um conforto
firmado nesta senten�a:
n�o tendo onde cair morto,
sou imortal de nascen�a!...
PENSAMENTOS FAJUTOS
�Toda rela��o sexual � foda!
� A impot�ncia sexual � o fim da picada.
QUEM � INOC�NCIO CARRAPATO, O POETA DO MATO
Inoc�ncio Carrapato nasceu em dia incerto e n�o sabido, �s margens do Furo Grande, � ilharga de uma touceira de a�a�, ap�s uma trepada de sua m�e num a�aizeiro. N�o aprendeu a ler e escrever mas domina, como poucos, a l�ngua cabocla. Poeta oral de peso, repentista dos bons, teve muitos dos seus versos originais surrupiados e vendidos como letra de brega e carimb�. Aqui, uma de suas trovas mais conhecidas:
A onha d� caranguejo
tem lama int� no sabugo;
no dia qui num t� vejo
num boto fej�o no fugo.
A HIST�RA DA CABUCA QUI SO� TREPAVA APANHANDO
Namureicumacabuca
numa festa d� S�o Ju�o.
Tinha os zolhod�trulhuto,
os peito era duis mam�o.
S� chamava Frorismunda,
tinha uma lapa d� bunda
d�indoid�quarqu� crist�o.
Pra s� sincero, o namuro
era s� pra tapi�.
O que eu quiria, d� fato,
numpercisa nem fal�...
Mas ca� numa arapuca
pruqu� nem bejo na buca
amarvada quis m� d�.
Prumiti mundos e fundos
praalcan�� os meus intento:
cumida, rupa lavada,
salaro e int� casamento...
Mas a cabucaprevessa
num ca�a na cunversa
zumbando do meu turmento.
Pra hist�rafic�pi�
eaument� o meu castigo,
um dia argu�mm�falu
qui a tapuia, meu amigo,
tinha um vi�o vagabundo:
trepavacum tudo mundo,
s� num trepava cumigo.
Chamei Frorismunda �s fala
prap� a limpo a quest�o
e ela veio aperparada
cum sete preda nas m�o!
M�chamuint�d�viado,
cabucofruxo, abestado,
me pus mais baxoqui o ch�o.
Gente, eu num sucustumado
d�bat�im filha al�ia
mas a chiban�a da ingrata
fez meu sangue ard� nas veia.
Cuspi na parma da m�o,
aJesuispidi perd�o
e a cabucaentru na peia!
Dispois do terc�ro tapa
Frorismundaindoideceu:
tiru a rupa e pelada
s�jugu pra riba d?eu
gritando: - M� bate mais,
faiz pela frente e purtraiz
que�iste curpo � tudo teu!
Foi ant�o quidiscubri
toda aquela presepada:
Frorismunda s� deitava
condo levava purrada.
Discubrindo o tar segredo
fumoint�d� madrugada:
eu batendo, ela gritando
e os duis juntinho gozando
nasmai� das cachurrada.
Dispois disso Frorismunda
arribupru Maranh�o
nos bra�o dum macumb�ro
e eu fiquei na sulid�o.
Passo as nuite na janela
ed� tanto pens� nela
tenhoint� calos na m�o.
CABUCA DO RABO GRANDE
Cabuca do rabo grande,
no dia queu t�peg�,
pode um mundo peg�fugo,
pode o sor ca� no m�,
pode o Remo e o Paisandu
prapremeronavort�
mas na minha mandioca
tu vai t�d�rebul�!
Vu t�carreg� nos bra�o
feito uma santa no and�,
t�deix� mais isquentada
quibubinad�mot�,
t�jug� nua na cama
abertaqui s� uma fr�
e ant�o faz�sali�n�a
falandocuisasd�am�.
S� tenho medo, cabuca,
d�chuv� no meu ru�ado
condo eu num tiv� tes�o
pra d� conta do recado
ed� tanto faz�fur�a
iguar um disisperado,
morr� in riba d� ti
d� pau mole e cu travado.
PRU COSA DOS TEUS INCANTO
Piquena do zolho grande,
cabuca do interi�,
criada sorta, sem car�a,
tar e quar um beja-fr�,
tem pena diste cabuco
quiv�vi aqui no sufuco
semdinh�ro e sem am�.
Murena, tu nem carcula
o conto eu gosto d� ti...
Pru cosa dos teus incanto
eu larguei meu Cajary
e vim percur� trabalho
mas tu pra lev� o caralho
cum a vida qui levo aqui.
Eu tu murando, cabuca,
num beco da Istrada Nova
no meio d�macunh�ro,
vivendocum p� na cova
onde farta quagi tudo...
J� num bebo, j� num fudo
edexeid�faz� trova.
Mas s� tu inda quis�
s� dona diste� peda�o,
eu j� nem fa�o, t� juro,
ixig�n�ad� caba�o...
� s� diz�qui inda gosta
d� mim qui eu largo esta bosta
e vu mur� nos teus bra�o.
QUEM � MADAME XANA, POETA E ASTRO�LOGA SACANA
Maria Roxana Aparecida "apareceu" literalmente numa caixa de sapatos na porta da Pens�o da Cotinha. Na casa do sem jeito, acabou adotada por Dona Cotinha de quem herdou manhas e artimanhas. Aos 13 anos e j� com um palmo e meio de ancas, escorregou no quiabo e passou a mostrar seus pr�stimos naquele modelar estabelecimento familiar. Certo dia, acidentalmente, descobriu sua voca��o para a astrologia quando viu estrelas ao� sentar de mau jeito na ferramenta de um estivador. A partir da�, adotou o nome de Madame Xana e passou� a escrever hor�scopo em versos para o PQP - um jornal pra quem pode� -� Incentivada, para n�o dizer induzida, pelo poeta Antonio Juraci Siqueira, entrou na dele e hoje se dedica inteiramente �s coisas da l�ngua. Como j� podou uma �rvore e abortou um filho, pensa, seriamente,� ler um livro e candidatar-se a uma vaga na Academia Jaburualegrense de Letras.
O MARIDO IDEAL
Ando � ca�a dum marido
carinhoso e atrevido,
baixo, gordo, magricela,
alto, careca, picudo,
bunda mole, barrigudo,
velho, capenga ou banguela.
Seja padeiro, feirante,
bagulheiro, traficante,
amarelo, preto ou branco,
tarado e at� sem pot�ncia.
Por�m fa�o uma exig�ncia:
ter muita grana no banco!
NEG�CIO DA CHINA
Eu vou abrir um a venda
com letreiro de n�on
pra vender pente, perfume,
calcinha, esmalte, batom
e ando � procura de um s�cio
mas s� abro o meu neg�cio
se o taco dele for bom!
PRECE
S�o Benedito da Praia,
escutai minha ora��o:
ando � procura de arp�o
para espetar minha arraia!
HOR�SCOPO EM VERSOS
Carneiro
Quem veio ao mundo em Carneiro
� manso(a) por voca��o:
leva chifre a tr�s por quatro
sem sentir nem comich�o...
Quando a solid�o abunda,
esconde dentro da bunda
at� cabo de escov�o.
Touro
A pessoa que nasce em Touro
tem natureza agressiva:
o seu lema � d� ou desse
e em v�o n�o gasta saliva.
N�o tem jogo de cintura
e quando v� pomba dura
entra firme e n�o se esquiva.
G�meos
Os nativos deste signo
h� muito perderam a rota;
trocaram de lado e agora
criaram nova marmota:
o marmanjo adora um macho
e, pra n�o ficar por baixo,
a mulher vai de xoxota.
C�ncer
Quem nasce em C�ncer padece
nadando contra a mar�,
vive dando o ganha-p�o
pra defender o caf�.
Pra ganhar algum tutu,
tem calos no rosemblu
de tanto dar marcha � r�.
Le�o
Quem � nativo de Le�o
tem fama de ser valente
do tipo prende e arrebenta
como um certo ex-presidente...
Por�m, por baixo do pano,
sem qualquer sombra de engano,
adora um vergalho quente!
Virgem
Quem nasce em Virgem s� tem
de virgem o nome e mais nada:
a mulher, ainda no ber�o
perde o caba�o � dedada
e o homem, ainda menino,
senta em cima do pepino
a troco de uma cocada.
Balan�a
Infeliz mesmo � quem nasce
no signo de Balan�a:
sua vida � um sobe e desce,
em nada tem confian�a
e at� pra dar o trazeiro
faz um� susuru maneiro
e chora que nem crian�a!
Escorpi�o
Nativo(a) de Escorpi�o
tem pinta de bicho brabo
por�m, na verdade, adora
escorregar no quiabo...
Fode mais do que galinha
sem dispensar camisinha
por ter veneno no rabo.
Sagit�rio
A sorte � um pouco melhor
pra quem nasce em Sagit�rio:
quando n�o cai na privada,
cai no conto do vig�rio.
Para defender o p�o,
vive baixando o tes�o
de qualquer cabra ordin�rio.
Capric�rnio
Quem em Capric�rnio nasce,
� burro por natureza.
Apesar disso acredita
possuir grande esperteza.
O seu QI � tamanho
que� lhe faz levar no lanho
at� uma perna de mesa!
Aqu�rio
Os nativos deste signo
n�o chegam a parte alguma:
a mulher n�o vale nada
e o homem porra nenhuma...
Nenhum dos dois t�m futuro
e o que eles gostam, no duro,
� de sentar na verruma.
Peixes
Quem nasce em Peixes j� nada
logo depois de nascer:
nada tem quando � crian�a,
nada depois de crescer,
nada quando se levanta,
nada na hora da janta
nada al�m de se foder.
QUEM � ABI XARAD, O  TROVADOR� DAS AR�BIAS
Abi Xarad veio ao mundo em conseq��ncia de uma transa de sua m�e com um cavalo �rabe, raz�o pela qual se considera um �rabe, ainda que mesti�o. Sua obra, versada invariavelmente sobre temas orientais, possui, segundo a cr�tica especializada, o mesmo perfume da flor que o besouro rola, como podemos constatar atrav�s de uma de suas trovas mais famosas, premiada pela Academia Jaburualegrense de Letras, transcrita a seguir:
Vendo a espada do sult�o,
grita a odalisca, assustada:
- Isso � uma m�o-de-pil�o
ou o cabo de uma enxada?
PRECE
Papai Noel, por Al�,
atendei aos meus apelos
e mandai-me, sem lorotas,
uma d�zia de camelos
carregados de xoxotas!
A CABE�A, N�O!
No ano mil e alguns trocados,
no reino do Skisit�o,
um servo astuto e aloprado
com fama de garanh�o,
entrou no har�m disfar�ado
e foi tocando o ?cajado?
nas mulheres do Sult�o.
Descoberto foi levado
� presen�a do senhor
que sem qualquer piedade
disse ao guarda, com rancor:
- Para que n�o aconte�a
caso igual, corte a cabe�a
desse infame traidor!
Ao escutar a senten�a,
o servo p�s-se a tremer
segurando a ?cobra-cega?
sem ter como a proteger.
Chorando implora ao Sult�o:
- Senhor, a cabe�a n�o!!!
Eu prefiro at� morrer!...
QUEM � BRUNO PINAG� DA ROCHA, O POETA SEM CLASSE
Bruno Pinag� da Rocha � o que se pode chamar de poeta cl�ssico sem classe alguma. Nascido em Bel�m numa Sexta-feira 13 de agosto de ano bissexto, n�o d� sorte com o dito sexo oposto, por essa raz�o dedica-se exclusivamente �s letras, sendo autor de 99 livros in�ditos � espera de editor com bastante coragem e cara-de-pau para edit�-los. Admirador dos poetas cl�ssicos, orgulha-se de saber Os Lus�adas de c�r e salteado e tem verdadeira ojeriza aos poetas modernos e seus versos livres� que, para ele, deveriam era estar na cadeia. Por essa raz�o sua obra, se � que se pode falar assim, � composta exclusivamente de sonetos e trovas, cujo conte�do apelativo e de extremo mau gosto, veremos a seguir.
Disse-me um velho guerreiro
da tribo Mundurucu:
- Quando merda for dinheiro,
o pobre nasce sem cu.
****
Dizia o velho Lacerda
que a vida exige cautela;
mais vale um pato na merda
do que dentro da panela.
****
Quando Dom Pedro Primeiro
deu o Grito do Ipiranga,
Deus abriu o galinheiro
e o Brasil soltou a franga!
SONETOS SAFADOS
PAGANDO O PATO
Enquanto o pobre cumpre o seu mart�rio
sob o chicote insano dessa horda
que lhe fode a cartola e pinta e borda,
vejo o Brasil na prociss�o do C�rio.
O povo, p�s no ch�o e m�os na corda,
a proteger a elite que, em del�rio,
junto � Berlinda e do Mimoso L�rio,
acena � multid�o que em f� transborda.
Assim segue o Brasil em alvoro�o:
na luta pelas tetas do poder
aenraba��o h� de prevalecer
enquanto o povo, corda no pesco�o,
fudido e ordeiro vai roendo um osso,
pagando o pato que n�o vai comer.
SEM D� E SEM LICEN�A
Em seu discurso ao povo brasileiro
o presidente a todos confundiu
ao afirmar, em tom alvissareiro,
que n�o existe AIDS no Brasil.
A surpresa foi grande. - Como pode
algu�m afirmar coisa t�o confusa?
Olha os casos� do Henfil e do Cazuza...
A AIDS n�o perdoa e a todos fode!
A imprensa foi atr�s do presidente
que com ar de cachorro forniqueiro
cheio e si responde, sorridente,
que j� fudeu, sem d� e sem licen�a,
cento e tantos milh�es de brasileiros
sem contrair o v�rus da doen�a!...
PANELA DE MINGAU
T�o parecida � a p�tria brasileira
com um grande terreiro de S�o Jo�o:
o povo maltrapilho e p�s no ch�o
passa a vida saltando uma fogueira
e a bomba sempre explode em sua m�o.
Os "donos" do terreiro - essa faceira
quadrilha que comanda a bandalheira
sempre na base da adivinha��o,
concebem planos sem pudor nem l�gica,
verdadeira panela de mingau
na qual cada um coloca a m�o imunda
numa masturba��o sociol�gica
e gozam sobre o drama nacional
vendo o povo levar roj�o na bunda!
A MORTE DO BRECHEIRO
Na intimidade sensual do banho,
completamente nua no chuveiro,
a morena ensaboa o corpo inteiro:
mamilos, ventre, umbigo, bunda e lanho.
L� fora, um velho e contumaz brecheiro
percebe o lance, lembra-se de antanho
e sente no espinha�o um fogo estranho
que o leva para a porta do banheiro.
Olho colado sobre a fechadura
ele procura um �ngulo perfeito
para enxergar melhor a ?coisa preta?.
Mas quando v� de perto aquela greta,
o velho cora��o queima no peito
e ele tomba feliz, de pica dura.
FILOSOFIA DE PUTO VELHO
O barrac�o de um velho aposentado,
chup�o de xana e a pomba no baga�o,
era constantemente freq�entado
pelas melhores gatas do peda�o.
At� que um dia, com sinceridade,
uma confessa ao velho putanheiro:
- Tenho nojo de ti! Na realidade
s� venho aqui atr�s do teu dinheiro.
E o velho, ao desabafo da guria,
responde: - Filha, para que brigar?
Eu como frango todo santo dia
e vou continuar comendo at� o fim
sem nem de leve ao menos me importar
se o frango gosta ou n�o gosta de mim...
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