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| II Dance Pra Deus - I.P.P.A. (30/07 a 01/08/2004) Oficina de Dança Moderna e Contemporânea Zion Cia de Dança - www.zionline.cjb.net E-mail: [email protected] História da Dança: da caverna aos palcos de hoje Texto por: Letícia Rodrigues As Marcas nas Cavernas Os primeiros registros de dança na história, datam ainda da pré-história. Certos autores descreviam estes registros como sendo de uma dança cerimonial, encontrados na gruta de Pech-Merle, onde acredita-se, pelos vestígios fossilizados encontrados, que tais danças eram executadas em ritmo binário, com tempo forte no pé esquerdo. As mulheres executavam esta cerimônia para obter maior fecundidade. O primeiro documento já encontrado que apresenta um humano em ação de dança tem 14 mil anos, porém é difícil estudar a orquéstica da pré-história, pois ela se estende por um período considerável coberto por culturas bem diferentes: a primeira - a madaleniana - de 12000 a 8000 anos antes de nossa era; a neolítica, cujas áreas são muito dispersas, estende-se de 8000 a 5000 ou 2000 anos a. C., conforme as regiões; a idade do bronze, 1000 ou 1500 a. C.; e a idade do ferro, que alcança a época histórica, a partir da qual passamos a dispor de documentos escritos. Além disso, eram raras as representações humanas na era paleolítica. Estudos mostram que as danças da pré-história são marcadas pelo sentimento religioso, sendo usadas na prestação de culto aos seus deuses, os quais variavam de acordo com cada povo, porém, nenhum documento atesta expressamente essa informação. Várias pinturas paleolíticas encontradas em cavernas e grutas de épocas e regiões diferentes, apresentavam certas características semelhantes, como o uso de cabeças de animais como máscaras, referências aos seus deuses (astros, estações, animais), e representações de certos movimentos como o giro em torno de si, a flexão dos joelhos (que sugere saltos no lugar), a posição de braços, a posição das pessoas quando dançando em grupo (geralmente círculo ou fila). Deve-se ressaltar que, pela localização temporal e geográfica, é impossível se pensar em intercâmbio cultural entre esses povos. Desta maneira fica o questionamento: seriam estas semelhanças uma forma inata de cultura? Seria um pano de fundo para as culturas de todos os povos? De todos os sinais semelhantes, são indiscutíveis as coincidências de movimentos de giros em torno de si, o uso das máscaras e os movimentos em roda, quando a dança era em grupo. As danças eram usadas para reverenciar seus deuses e fazer pedidos. Desta maneira, encontram-se registros de homens usando vestimentas elaboradas para realização do ritual. Vestimentas com significados, tais como, partes do corpo de certos animais (chifres, ossos, peles, pênis), pinturas com tintas ocres etc. Com o passar dos tempos, a dança saiu do âmbito religioso apenas, para se tornar também uma prática popular para divertimento e todo tipo de cerimônias (de casamentos e banquetes a funerais), de modo que não apenas os sacerdotes ou quem fazia súplicas usavam de danças, mas também o povo. Dizia-se que a dança espantava os maus espíritos do indivíduo. Posteriormente, em eras mais próximas a nossa, a dança foi ganhando técnicas, deixando, assim, de ser executada pela pura espontaneidade e se tornando também uma forma de arte. A Diferença dos Hebreus É interessante observar que dos registros encontrados em todos os territórios do globo, de todos os povos, apenas o povo hebreu não se utilizou de pinturas, ou qualquer outro tipo de representação para denotar suas práticas de dança, pois a religião os proibia de fazer qualquer representação de seres vivos. Porém os registros escritos, sobretudo a Bíblia, relata várias situações em que a dança esteve presente, onde não é encontrado em momento algum o uso de animais como parte de seus adereços e vestimentas, sendo este o único povo, em seu contexto cronológico, que não pratica dança com máscaras. Também observa-se que o povo hebreu foi o único a manter a dança apenas na temática da religião, sendo que a dança parece ser abandonada à espontaneidade da multidão, mas sempre num contexto religioso, não evoluindo assim para a arte. As rodas, as fileiras, a flexão de joelhos e os giros permanecem também entre os hebreus. Algumas citações que confirmam esse fato estão no livro do Êxodo (15:20) onde Mirian conduzia as mulheres em canto e danças celebrando a travessia do Mar Vermelho, no livro de Juízes (11:34), onde da mesma forma a filha de Jefté celebra a vitória de seu pai sobre os filhos de Amom e, no primeiro livro de Samuel (18:6-7), na vitória de Davi sobre Golias. Também a dança em roda, das filhas de Silo nos vinhedos, durante a festa dos tabernáculos, quando os filhos de Benjamim vêm raptá-las (Juízes 21:19-23) e a famosa dança de Davi quase nu, diante da Arca, caracterizada por giros e saltos (II Samuel 6). A Dança Hoje A dança evoluiu como arte sob as mais variadas formas, dentro das diversas culturas existentes em todo o globo. Mas a dança acadêmica (sobretudo o ballet clássico), marcada por sua métrica perfeita e a busca pelo belo, desenvolvida na França e depois nos EUA, foi a mais difundida no mundo ocidental, durante séculos, sendo suas técnicas usadas como base para as formas atuais de dança. Esta dança acadêmica utiliza principalmente as extremidades do corpo para execução dos movimentos. Sua temática gira sempre em torno de algo sobrenatural, mágico com o fim de fazer os espectadores entrarem num estado de devaneio. Retratava sempre um sentimento de fantasia sobre um pano de fundo místico. Centenas de anos foram necessários para se alcançar a forma moderna de dança hoje. Esta nasceu nos EUA por volta de 1867, através das idéias de seu precursor François Delsarte: natural de Solesmes (Sarthes) mas que, neste momento, vive em Paris. Cantor semi-fracassado, Delsarte justamente em virtude de seu fracasso, concentrou sua reflexão nas relações entre alma e corpo, mas precisamente nos mecanismos pelos quais o corpo traduz os estados interiores. Segue-se a Delsarte outros revolucionários da dança, sendo o mais decisivo para a fundação de uma dança moderna, Ted Swhan (1891-1972), podendo ser considerado pai da dança moderna, devido à amplitude de seus pensamentos e sua influência. A dança moderna inspira-se no sentimento. Diz que todo sentimento expressa-se ou tenta se expressar num movimento, sendo que este reforça aquele e vice-versa. Evoluindo para uma forma de dança mais recente, chamada contemporânea, ela abre um leque de possibilidades onde as artes cênica, musical e dança podem ser fundidas. A base da dança contemporânea, ao contrário da acadêmica, é o centro do corpo. Todo movimento parte do centro, desenvolve-se de maneira contínua e volta sempre ao centro. Sua intenção é, também contrariamente à dança acadêmica, denotar sentimentos e fatos contemporâneos reais. É marcada pela independência de métrica e pelo uso do inesperado, indo na contra-mão das tradições acadêmicas, ou até das formas mais anatômicas de movimento. Busca as formas mais completas de utilização do espaço e de tempo. Referências Bibliográficas: BOURCIER, Paul. A primeira dança foi um ato sagrado. História da Dança no Ocidente. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 1987. C. 1, p. 1-18. BOURCIER, Paul. A dança, dom dos imortais. História da Dança no Ocidente. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 1987. C. 2, p. 19-44. BOURCIER, Paul. A idade média inventa a retórica do corpo. História da Dança no Ocidente. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 1987. C. 3, p. 45-61. BOURCIER, Paul. A dança moderna “made in USA”. História da Dança no Ocidente. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 1987. C. 9, p. 243-289. Dicas de Dança Moderna e Contemporânea: Usando o Corpo: 1. Explore todas as possibilidades, deixe a criatividade e espontaneidade fluir. 2. Pense em seu corpo como um todo, um conjunto interativo na dança, nenhum membro deve ser esquecido. 3. Seja ousado: barriga, costas, ombros, cotovelos, pescoço, tornozelos, peitoral, quadris também podem expressar a mensagem que se deseja transmitir. Usando o Espaço: 1. Use tridimensionalmente o seu espaço no palco e em torno de si: de frente, de costas, de lado, nas diagonais, na frente do palco, no fundo, nas laterais, no centro, no planos alto, médio ou baixo, no chão. 2. Desenvolva intimidade com o chão. Não hesite em usá-lo em qualquer posição: de pé, agachado, sentado, deitado, de barriga, de costas, de ombros, de joelhos, com o rosto. 3. Busque novas formas de manter contato com o chão. 4. As paredes também podem ser usadas! Usando a Música: 1. Use a música de forma completa. Não se prenda a letra ocasionando intervalos na coreografia quando há intervalos na canção. A música não é só a letra, mas também o intrumental... 2. Procure músicas mais instrumentais que cantadas, esta porém não se constitui regra. 3. Não se prenda à música. A mensagem da dança está muito mais na dança em si do que nos recursos que você usa para apresentá-la. Você pode fazer uma coreografia inteira sem usar música. Usando o Movimento: 1. Parta do centro ou das extremidades, mas sempre volte ao centro. O centro do corpo é a ênfase dos movimentos na dança contemporânea. 2. A força e o equilíbrio para execução dos movimentos estão no centro do corpo. Coluna bem colocada é muito importante para o equilíbrio também. 3. Nos giros, a cabeça nem sempre é a última que sai e a primeira que chega... 4. Emende os pedaços e faça movimentos contínuos. 5. Não despreze os movimentos simples. Eles podem ser os mais significativos, dependendo da mensagem que se quer transmitir e da forma como você os coloca. Os simples e os complexos, ambos são importantes! Usando o Bom Senso: 1. Seja ousado, mas seja consciente. 2. Não faça nada que, de tão anti-anatômico, lhe traga lesões (coluna, ombros, virilha, joelhos etc). 3. Procure não forçar o que não deve ser forçado. Lembre-se: a força deve sair do centro. 4. Se você tiver condições, procure fazer aulas com um profissional. 5. Em todas as coisas, glorifique a Deus. Peça a Ele discernimento para saber separar aquilo que será bênção, para que não haja escândalo para o evangelho, sua missão é propagá-lo. |
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