Almas Gemeas  

By Isa Mclean

 

Capitulo 4

 

Sarah foi embora logo pela manhã do dia seguinte. As três mulheres da casa conversavam na cozinha sobre a ida repentina dela.

Laila –Aposto com vocês que eles terminaram.

Clarice –Se foi isso é uma pena, eles pareciam formar um casal tão bonito...

Laila –Ah, tia, mas alguma coisa me dizia que ela não era muita flor que se cheirava. Sei lá, a cara dela não me enganava.

Rachel –Pra ele ela tava muito boa. Ele também não é lá essas coisas.

Clarice –Ah, Rachel, não seja injusta. O AJ é um rapaz tão bom... não sei por que você pega tanto no pé dele.

 Rachel –Ah, tia, desculpe decepcionar, mas o meu santo não vai com o dele.

Laila –Isso ainda vai virar namoro –provocou, rindo.

Rachel –No dia que a galinha criar dentes.

Clarice –Vocês jovens são tão complicados...

 

                                                                        Depois

 

            Laila e Howie nadavam juntos na piscina. Eles já tinham se tornado grandes amigos. Ou melhor, grandes admiradores. Um flertava o outro.

Enquanto isso, Rachel se banhava nua no rio e AJ passeava pela fazenda. Até que ele a viu e sentiu que era a oportunidade perfeita para se vingar. De fininho ele pegou as roupas dela e ficou a esperando terminar de nadar.

Quando ela se virou pra sair do rio levou um susto: viu que ele estava a olhando. Ele estava sentado num tronco, fingindo que olhava a paisagem.

Rachel –O que está fazendo aqui?

AJ –Olhando a paisagem –falou em tom irônico. –Por que, não posso? –e levantou-se do tronco. –À propósito, essas roupas são suas?

Rachel –São –ela sentiu um arrepio. –O que estão fazendo com você?

AJ –Eu achei aqui no chão. 

Rachel –Me dê! 

AJ –Por que eu faria isso?

Rachel –Porque elas são minhas!

AJ –“achado não é roubado, quem perdeu foi relaxado” –riu. –Nunca ouviu esse ditado?

Rachel engoliu em seco. O que, afinal, aquele cara queria?

AJ –Além disso, nunca te falaram que é arriscado tomar banho sozinha por aí e sem roupa? Ainda mais num lugar deserto como esse –ele agachou-se próximo ao rio. –E com visita em casa.

 Rachel –AJ, por favor, será que dá pra você me dar essas roupas?

AJ –Olha só –brincou. –É a primeira vez que a vejo usando a educação. “AJ, Por favor”.

Rachel –Dá pra me dar essas malditas roupas ou não? –irritou-se, impaciente com aquela situação constrangedora.

AJ –Dá, dá sim, mas com uma condição.

            Ela fitou-o, atenta.

AJ –Você me pede desculpas pelo dia que me molhou de vinho, aí eu entrego as roupas.

Rachel –Ah, tá... vai esperando sentado.

AJ –Tudo bem então... não sou mesmo eu que estou pelado no rio –ele virou-se pra ir embora.

Rachel –Espere! 

Ele virou-se, adorando aquela brincadeira.

Rachel –Vamos falar sério, ok? Pare com isso.

AJ –Já disse: ou desculpas ou nada feito.

Rachel –Isso é ridículo! O que pensa que está fazendo?

AJ –Estou me vingando de você, folgadinha. Lembra que você  na noite passada me entornou vinho? Hein?

Rachel –Foi uma brincadeira.

AJ –Isso também é. Agora, é contigo mesmo: ou pede desculpas ou sai daqui assim mesmo, do jeitinho que veio ao mundo –e riu.

            Rachel teve vontade de mandá-lo pra tudo que fosse lugar.

Rachel –Nojento! Canalha! Cretino! Isso não se faz! Não se faz!

AJ –Ó, agora já são mais três desculpas –comentou com ar divertido. –Nojento, canalha e cretino.  

Rachel –Ahrr –ela controlou o ódio. –Está bem, está bem, eu peço! Eu peço essas malditas desculpas! Não é isso o que você quer? Eu peço.

AJ –Então vamos lá.

            Ele cruzou os braços, risonho.

Rachel –Desculpa pelo dia que eu te entornei vinho de propósito. Pronto.

AJ –E...?

Rachel –E por ter te chamado de cretino, nojento e canalha hoje.

AJ –Aproveitando a oportunidade, peça também pelo dia que você bateu no meu carro.

Rachel –Ah, não... você disse pelo dia do vinho e pelos insultos de hoje... nada mais.

AJ –Sabe que essa saia vai ficar muito boa no cabo da vassoura lá atrás? –falou, olhando a saia jeans.

Rachel –Tá bom, tá bom, eu peço! Eu peço desculpa... desculpa por eu ter batido no seu lindo carro. Pronto. Satisfeito agora?

AJ –Agora sim.

Rachel -Então me dê as roupas. 

            Ele deu as roupas a ela. Ela respirou aliviada e depois olhou pra ele.

Rachel –Será que... será que dá pra você se virar um pouco pra aquela árvore pra eu poder me vestir? 

AJ –Eu já estou indo embora.

Rachel –Não... agora fique.

            Ele fitou-a, sem entender.

Rachel –Como é que eu vou saber que você foi mesmo embora? Você pode muito

bem se esconder por aí e ficar me espionando.

AJ –Que espertinha, hein, Spice Girl. Mas não se preocupe, eu já estou mesmo indo.

Rachel –Não... eu já disse, não confio.

AJ –Mas que garota mais chata, meu! –irritou-se e levou as mãos à cintura. –Cruz credo...

Rachel –Por favor, por gentileza, será que dá pra você se virar um minuto pra aquela árvore, enquanto eu me visto?

AJ –Tá... tá bom, tá bom, eu me viro. Eu me viro pra maldita árvore –ele foi andando na direção da árvore.

Rachel –Obrigada, viu?

            Ele encostou-se na árvore, ficando de costas pro rio.

AJ –E aí, satisfeita?

Rachel –Muito.

            Ela começou a se vestir. Ele, só pra provocar, começou a assobiar, fazendo “fiu-fiu”. Ela imediatamente parou.

Rachel –Você está me espionando, né!

AJ –Eu? Estou virado de costas, esqueceu?

Rachel –Pára de graça então!

AJ –O que foi que eu fiz? Não posso assobiar?

Rachel –Vá assobiar pra sua vózinha!

            Ela já havia se vestido e quando se deu conta AJ estava na sua frente,  barrando-lhe o caminho. Ela levou um susto.

Rachel –O que foi?

AJ –Não gostei do que você disse, sabia?

Rachel –Da sua vózinha?

AJ –Deixa a minha vó fora disso, ok? Ela já morreu há tempos e eu não quero que nenhuma garota barata fique falando dela.

Rachel –Garota barata!? Ora, seu...

            Ela levantou a mão pra agredi-lo mas ele segurou o braço dela. Os dois

ficaram se olhando por alguns segundos, ela fazendo força com ele, até que ele a puxou para bem perto de si e a beijou loucamente. Ela ficou sem ação. Fechou os olhos e entreabriu os lábios lentamente, permitindo que a língua dele entrasse e dominasse toda a sua boca. O beijo dele era ardente, determinado e envolvente. Despertou-lhe várias sensações. Rachel agarrou-se a AJ e enlaçou a nuca dele com

os braços. Ele segurou os cabelos dela e beijou-a com força e autoridade.

Quando o demorado beijo terminou, os dois estavam ofegantes.

Rachel –Como se atreve, seu... seu abusado?

AJ –Você precisa largar os cavalos e praticar mais o beijo, estressadinha –comentou, divertido. 

Rachel –Eu não te beijei... foi você que me beijou! Eu nem... eu nem ao menos correspondi...

AJ –Ah não –riu, sarcástico. –Então foi a sua língua que teve vontade própria

mesmo e foi com tudo, né?

Rachel –Imbecil! 

Rachel saiu. Não é que aquele comentário bobo causou efeito nela? Estava humilhada, se sentindo a pior mulher do planeta... e tudo por causa de quem? Do palhaço do AJ, que se divertia às suas custas.

Rachel –Ahrr... eu mato ele! Eu mato!

            Ele permaneceu rindo.

 

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Capitulo5

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