RISCOLOGIA QUÍMICA

 

 

Principais meios de penetração das substâncias químicas no organismo

 

 

Inalação

Maior grau de risco devido à rapidez com que as substâncias químicas são absorvidas pelos pulmões.

A inalação é a principal via de intoxicação no ambiente de trabalho, daí a importância que deve ser dada aos sistemas de ventilação. A superfície dos alvéolos pulmonares representam, no homem adulto, uma área de 80 a 90 m2. Esta grande superfície facilita a absorção de gases e vapores, os quais podem passar ao sangue, para serem distribuídos a outras regiões do organismo. Sendo o consumo de ar de um homem adulto normal de 10 a 20 Kg/dia, dependendo do esforço físico realizado, é fácil chegar a conclusão que mais de 90% das intoxicações generalizadas tenham esta origem.

 

Absorção

Contato das substâncias químicas com a pele.

A absorção é extremamente crítica quando se lida com produtos lipossolúveis, que são absorvidos através da pele. Quando uma substância química entra em contato com a pele, pode acontecer as seguintes situações:

 

Ingestão

 


 

Classificação dos agentes químicos segundo seus graus de risco

Esta relação foi extraída da Classificação de Agentes Químicos da National Fire Protection Association - NFPA 704-m / USA. O significado dos códigos referentes às colunas - RISCO- e - CUIDADOS - estão no final da relação.

OBS: Ter sempre em mente que toda substância química é um risco em potencial

 

GRAU 1 DE RISCO
  Riscos Cuidados
Ácido cítrico 36 26 - 26
Ácido crômico 8 - 35 28
EDTA 37 22
Ácido fosfomolíbdico 8- 35 22 - 28
Sulfato de cobre II 22 20
Nitrato de prata 34 24 - 25 - 26
Cromato de potássio 36 - 37 - 38 22 - 28

 

GRAU 2 DE RISCO
  Riscos Cuidados
Ácido nítrico fumegante 8 - 35 23 - 26 - 36
Ácido sulfanílico 20 - 21 - 22 25 - 28
Amoníaco 25% 36 - 37 -38 26
Anidrido acético 10 - 34 26
Anidrido carbônico 2 3 - 4 - 7 - 34
Sulfato de cádmio 23 - 25 - 33 - 40 13 - 22 - 44
Cianetos 26 - 27 - 28 - 32 1 - 7 - 28 - 29 - 45
Formalina 23 - 24 - 25 - 43 28
Nitrogênio - gás 2 3 - 4 - 7 - 34
O-toluidina 20 - 21 24 - 25
Oxigênio - gás 2 - 8 - 9 3 - 4 - 7 - 18 - 34
Timerosal 26 - 27 - 28 - 33 13 - 28 - 36 - 45

 

GRAU 3 DE RISCO
  Riscos Cuidados
Acetato de etila 11 16 - 23 - 29 - 33
Acetato de butila 11 9 - 16 - 23 - 33
Acetona 11 9 - 16 - 23 - 33
Ácido clorídrico 34 - 37 26
Ácido fórmico 35 23 - 26
Ácido lático 34 26 - 28
Ácido perclórico 5 - 8 - 35 23 - 26 - 36
Ácido sulfúrico 35 26 - 30
Ácido tricloroacético 35 24 - 25 - 26
Acrilamida 23 - 24 - 25 - 33 27 - 44
Álcool etílico 11 9 - 16 - 23 - 33 - 7
Álcool isobutílico 10 - 20 16
Álcool metílico 11- 23 - 25 7 - 16 - 24
Amoníaco 10 - 23 7 - 9 - 16 - 38
Anilina 23 - 24 - 25 - 33 28 - 36 - 37 - 44
Benzeno 11 - 23 - 24 - 39 9 - 16 - 29
Tetracloreto de carbono 26 - 27 - 40 38 - 45
Clorofórmio 20 24 - 25
Fenol 24 - 25 - 34 28 - 44
Nitrobenzeno 26 - 27 - 28 - 33 28 - 36 - 37 - 45
Ozônio 9 - 23 17 - 23 - 24
Dicromato de potássio 36 - 37 - 38 - 43 22 - 28
Hidróxido de potássio 35 26 - 37 - 39
Permanganato de potássio 8 - 20 - 21 - 22 23 - 42
Tolueno 11 - 20 16 - 29 - 33
Xileno 10 - 20 24 - 25

 

GRAU 4 DE RISCO
  Riscos Cuidados
Acetileno 5 - 6 - 12 9 - 16 - 33
Ácido acético 10 - 35 23 - 26
Ácido fluorídrico 26 - 27 - 28 - 35 7 - 9 - 26 - 36 - 37
Ácido pícrico 2 - 4 - 23 - 24 - 25 28 - 35 - 37 - 44
Ácido sulfídrico 13 - 26 7 - 9 - 25 - 45
Azida sódica 28 - 32 28

 

Códigos de risco - normas "R"

1. Risco de explosão em estado seco
2. Risco de explosão por choque, fricção ou outras fontes de ignição
3. Grave risco de explosão por choque, fricção ou outras fontes de ignição
4. Forma compostos metálicos explosivos
5. Perigo de explosão pela ação do calor
6. Perigo de explosão com ou sem contato com o ar
7. Pode provocar incêndios
8. Perigo de fogo em contato com substâncias combustíveis
9. Perigo de explosão em contato com substâncias combustíveis
10. Inflamável
11. Muito inflamável
12. Extremamente inflamável
13. Gás extremamente inflamável
14. Reage violentamente com a água
15. Reage com água produzindo gases muito inflamáveis
16. Risco de explosão em mistura com substâncias oxidantes
17. Inflama-se espontâneamente ao ar
18. Pode formar misturas vapor-ar explosivas
19. Pode formar peróxidos explosivos
20. Nocivo por inalação
21. Nocivo em contato com a pele
22. Nocivo por ingestão
23. Tóxico por inalação
24. Tóxico em contato com a pele
25. Tóxico por ingestão
26. Muito tóxico por inalação
27. Muito tóxico em contato com a pele
28. Muito tóxico por ingestão
29. Libera gases tóxicos em contato com a água
30. Pode inflamar-se durante o uso
31. Libera gases tóxicos em contato com ácidos
32. Libera gases muito tóxicos em contato com ácidos
33. Perigo de efeitos acumulativos
34. Provoca queimaduras
35. Provoca graves queimaduras
36. Irrita os olhos
37. Irrita o sistema respiratório
38. Irrita a pele
39. Risco de efeitos irreversíveis
40. Probabilidade de efeitos irreversíveis
41. Risco de grave lesão aos olhos
42. Probabilidade de sensibilização por inalação
43. Probabilidade de sensibilização por contato com a pele
44. Risco de explosão por aquecimento em ambiente fechado
45. Pode provocar câncer
46. Pode provocar dano genético hereditário
47. Pode provocar efeitos teratogênicos
48. Risco de sério dano à saúde por exposição prolongada

 

Códigos de cuidados - normas "S"

1. Manter fechado
2. Manter fora do alcance das crianças
3. Manter em local fresco
4. Guardar fora de locais habitados
5. Manter em ...(líquido inerte específicado pelo fabricante)
6. Manter em ...(gás inerte especificado pelo fabricante)
7. Manter o recipiente bem fechado
8. Manter o recipiente em local seco
9. Manter o recipiente em local ventilado
10. Manter o produto em estado úmido
11. Evitar o contato com o ar
12. Não fechar hermeticamente o recipiente
13. Manter afastado de alimentos
14. Manter afastado de ...(substâncias incompatíveis)
15. Manter afastado do calor
16. Manter afastado de fontes de ignição
17. Manter afastado de materiais combustíveis
18. Manipular o recipiente com cuidado
19. Não comer nem beber durante a manipulação
20. Evitar contato com alimentos
21. Não fumar durante a manipulação
22. Evitar respirar o pó
23. Evitar respirar os vapores
24. Evitar o contato com a pele
25. Evitar o contato com os olhos
26. Em caso de contato com os olhos, lavar com bastante água
27. Tirar imediatamente a roupa contaminada
28. Em caso de contato com a pele, lavar com ...(especificado pelo fabricante)
29. Não descartar resíduos na pia
30. Nunca verter água sobre o produto
31. Manter afastado de materiais explosivos
32. Manter afastado de ácidos e não descartar na pia
33. Evitar a acumulação de cargas eletrostáticas
34. Evitar choque e fricção
35. Tomar cuidados para o descarte
36. Usar roupa de proteção durante a manipulação
37. Usar luvas de proteção apropriadas
38. Usar equipamento de respiração adequado
39. Proteger os olhos e rosto
40. Limpar corretamente os pisos e objetos contaminados
41. Em caso de incêndio ou explosão, não respirar os fumos
42. Usar equipamento de respiração adequado (fumigações)
43. Usar o extintor correto em caso de incêndio
44. Em caso de mal-estar, procurar um médico
45. Em caso de acidente, procurar um médico
46. Em caso de ingestão, procurar imediatamente um médico, levando o rótulo do frasco ou o conteúdo
47. Não ultrapassar a temperatura especificada
48. Manter úmido com o produto especificado pelo fabricante
49. Não passar para outro frasco
50. Não misturar com ...(especificado pelo fabricante)
51. Usar em áreas ventiladas
52. Não recomendável para uso interior em áreas de grande superfície.

 

 


 

Conceito e Classificação dos Gases e Vapores Tóxicos

 

Os gases e vapores tóxicos são classificados em:

 

Irritantes

O termo gases e vapores irritantes engloba um grande número de substâncias químicas cuja característica comum é a ação tóxica que resulta num processo inflamatório das superfícies tissulares com as quais elas entram em contato. geralmente afetam trato respiratório, pele e olhos.

 

Irritantes Primários

Quando exercem apenas ação local. Estas substâncias atuam sobre a membrana mucosa do aparelho respiratório e sobre os olhos, levando à inflamação, hiperemia (avermelhamento), desidaratação, destruição da parede celular, necrose (destruição) e ao edema (inchação).

Dentro do aparelho respiratório, o local da ação dos irritantes primários dependerá da solubilidade dos mesmos em água. Os mais solúveis são absorvidos pelas vias aéreas superiores, dissolvendo-se na água presente nas mucosas, causando irritação. Os menos solúveis serão pouco absorvidos pelas vias aéreas superiores, alcançando o tecido pulmonar, onde produzem seu efeito.

Na exposição imediata ou aguda, estes agentes provocam nas vias aéreas superiores: rinite, faringite, laringite, com quadro clínico de dor, coriza, espirros, tosse e irritação. Nas vias aéreas inferiores, eles provocam: bronquite, broncopneumonia e edema pulmonar, com quadro clínico de tosse e dispnéia (dificuldade para respirar).

Na exposição prolongada a baixas concentrações, os gases e vapores irritantes provocam: bronquite crônica, conjuntivite, blefaro-conjuntivite, pterígio e queratite.

A intensidade da irritação dessas substâncias depende de:

  1. Concentação da substância no ar e da duração da exposição
  2. Propriedades químicas: por exemplo, a solubilidade em água.
  3. Exposições repetidas: mesmo em baixas concentrações, certos gases irritantes provocam  alterações tissulares, bioquímicas e funcionais das vias respiratórias.
  4. Fatores anatômicos, fisiológicos e genéticos que podem influenciar o sítio de ação.
  5. Interação química: a inalação simultânea de outro agente tóxico em forma de aerossol pode modificar a toxicidade dos gases e vapores irritantes.

Os efeitos irritantes dessas substâncias são atribuídos essencialmente a uma excitação dos receptores neurais na conjuntiva e nas membranas mucosas do sistema respiratório, que desencadeiam processos dolorosos e uma série de reflexos (motor, secretor e vascular) que levam a diminuição na freqüência respiratória e cardíaca, diminuição na pressão arterial e ao espasmo da glote, com sensação de sufocamento, tosse e constrição dos brônquios.

Nos pulmões, a lesão ao parênquima provoca pneumonite. O edema pulmonar resulta de uma mudança na permeabilidade dos capilares, liberação de histamina, com conseqüente broncoconstrição e aumento na pressão dentro dos capilares que levam a uma transudação (passagem) de líquidos serosos para dentro dos alvéolos, impedindo as trocas gasosas.

Exemplos de substâncias químicas com efeitos irritantes primários: ácidos, amônia, cloro, soda cáustica, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio, etc.

 

Irritantes Secundários

Quando ao lado da ação irritante local há uma ação geral, sistêmica. São substâncias químicas que, além de ocasionarem irritação primária em mucosas de vias respiratórias e conjuntivas, são absorvidas e distribuídas, indo atuar em outros sítios do organismo, como sistema nervoso e sistema respiratório.

Exemplo de substância química com efeito irritante secundário: gás sulfídrico (H2S).

 

Asfixiantes

São substâncias químicas que levam o organismo à deficiência ou privação de oxigênio, sem que haja interfer6encia direta na mecânica da respiração .
São subdivididas em:

 

Asfixiantes Simples

São gases fisiologicamente inertes, cujo perigo está ligado à sua alta concentração, pela redução da pressão parcial de oxigênio. São substâncias químicas que têm a propriedade comum de deslocar o oxigênio do ar e provocar asfixia pela diminuição da concentração do oxigênio no ar inspirado, sem apresentarem outra característica em nível de toxicidade. Algumas dessas substâncias são liquefeitas quando comprimidas.

Exemplos de substâncias químicas com efeitos asfixiantes simples:
etano, metano, propano, butano, GLP, acetileno, nitrogênio, hidrogênio, etc.

 

Asfixiantes Químicos

São substâncias que produzem asfixia mesmo quando presentes em pequenas concentrações, porque interferem no transporte do oxigênio pelos tecidos. São substâncias que produzem anóxia tissular (baixa oxigenação dos tecidos), quer interferindo no aproveitamento de oxigênio pelas células.

Exemplo de substância química com efeito asfixiante químico: monóxido de carbono (CO).

 

Anestésicos

São substâncias capazes de provocar depressão do sistema nervoso central. Estas substâncias deprimem a atividade do sistema nervoso central, interferindo com o sistema neurotransmissor. Em conseqüência, ocorrem perda da consciência, parada respiratória e morte.

Os hidrocarbonetos derivados do petróleo, pela sua alta afinidade pelo sistema nervoso, rico em gordura, possuem esta propriedade.

Farmacologicamente, os hidrocarbonetos acima do etano podem ser agrupados como anestésicos gerais, na extensa classe dos depressores do sistema nervoso central. A saber:

1. Hidrocarbonetos acetilênicos (acetileno, aleno, crotonileno).
2. Hidrocarbonetos lefínicos (do etileno ao heptileno).
3. Etil éter e isopropil éter.
4. Hidrocarbonetos parafínicos (do propano ao decano).
5. Acetonas alifáticas (da acetona à octanona).
6. Álcoois alifáticos (etil, propil, butil e amil).

Esta classificação, acima proposta por Henderson e Haggard, é denominada de Classificação Fisiológica de Contaminantes Aéreos e apresenta algumas restrições, porque em muitos gases e vapores, o tipo de ação fisiológica depende da concentração deles. Assim, um vapor a uma determinada concentração pode exercer seu efeito principal como um anestésico, enquanto que, em baixas concentrações sem efeitos anestésicos, lesiona o sistema nervoso, o sistema hematopoético (formador de células sangüíneas) e outros órgãos.

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