Cuidados necessários à coleta e transporte de rãs-touro em criações comerciais

                                                                                               

 Um aspecto importante na comercialização de rãs em cativeiro, é a questão da coleta e do transporte dos animais.

Os anfíbios são animais extremamente delicados e susceptíveis ao estresse. As rãs criadas em cativeiro são organismos facilmente expostos a tal situação, que envolvem desde simples lesões até fraturas em diversas partes do corpo. Frente as condições impostas pelo cultivo intensivo os animais adultos, quando perturbados, diminuem ou até mesmo cessam sua alimentação. Animais estressados são organismos debilitados e, portanto, com maior susceptibilidade à doenças. Daí recomenda-se o máximo de cuidados, na coleta (cada qual com a sua técnica) e no transporte desses indivíduos.

Para a coleta de girinos, provenientes de tanques de terra, pode-se utilizar uma rede de arrasto de malha fina, fazendo a retirada dos animais antes de colocar a rede fora d' água. Caso o tanque seja de alvenaria ou lona, inicialmente deve-se regular o cotovelo de drenagem para esgotar gradativamente a água, atentando à evitar pressão do redemoinho e qualquer outro impacto ou ruído que possam estressar os organismos. Quando toda a água for esgotada, remove-se a tela protetora do tanque e procede-se a coleta dos animais que saem pela tubulação.

O transporte pode ser feito em água ou à seco dependendo da “idade” e “tempo de deslocamento” dos girinos. Se forem animais intermediários pode-se transportá-los com o devido cuidado em caixas plásticas, a seco, uma vez que estes logo secretam muco pelo corpo, de forma a mantê-los umedecidos. Entretanto, o transporte realizado à seco não constituí-se em prática de rotina realizada pelos ranicultores. Caso os girinos sejam muito novos ou velhos (> 4 cm) deve-se transportá-los em sacos plásticos com água (0,60 x 1,20 m, por exemplo), onde desse volume, 2/3 devem ser preenchidos com oxigênio comprimido de maneira que quando for injetado no saco faça bolhas na água para oxigená-la. Nos restantes 1/3 devem ser colocados os girinos, evitando-se jogá-los no saco, mas sim colocá-los de maneira suave diminuindo o estresse. A quantidade colocada deve ser em torno de 2.000 a 3.000 girinos por saco de 60 litros, dependendo do tamanho do animal e tempo de deslocamento. Em outras palavras, quanto maior o tamanho do girino a duração da viagem, menor deve ser a densidade.

Já para a coleta das rãs, inicialmente deve-se esgotar a água da piscina ou baia. Em seguida levantar todos os abrigos de forma a obter um corredor, o que forcará a permanência dos animais dentro da piscina, daí então procede-se com a coleta propriamente dita podendo esta ser manual ou com o auxílio de puçás, caixas ou sacos.

As rãs podem ser acondicionadas em caixas de isopor, com uma pequena lâmina d’ água ou com plantas úmidas do tipo aguapé, ou em sacos de aniagem (sacos de nylon do tipo dos que são colocadas as rações) também junto com plantas para manter a umidade, ou ainda em caixas plásticas ou de papelão (sempre resistentes e vazadas), ou em tubos de PVC furados. O transporte vai depender do número de animais: cada saco de 60 litros pode comportar até 50 rãs de aproximadamente 200 gramas; já para um número maior deve-se utilizar caixas plásticas (semelhantes às para transporte de frango), ou caixas de isopor.

Antes de se transportar os animais, sejam girinos ou rãs metamorfoseadas, alguns pressupostos são de extrema importância para a sobrevivência dos mesmos. Em primeiro lugar deve-se observar a procedência dos animais que devem ser oriundos de um local com as mesmas similaridades, ou seja, de terra para terra, alvenaria ou lona para locais com as mesmas características, e nunca de um local mais ríspido para um mais leve (de Sistema inundado para alvenaria, por exemplo). Sempre que for realizar algum tipo de transporte (compra e venda de animais) recomenda-se submeter os indivíduos a um jejum alimentar que varia de 24 a 48 horas. Esse procedimento tem como objetivo diminuir o conteúdo do trato intestinal, evitando o excesso de dejetos orgânicos na água do saco ou caixas. Os animais devem ser acondicionadas em recipientes em que exista espaço suficiente que permita sua respiração. Deve ser efetuado nas primeiras ou últimas horas do dia, ou seja, horas mais frescas. Quando não houver alternativa e o horário ou dia de transporte coincidir com altas temperaturas, pode-se dispor entre os sacos com girinos ou caixas, blocos de gelo devidamente acondicionados em sacos plásticos e/ou de pano. A boa aclimatação e quarentena (recepção e resguardo dos animais quando de sua chegada) também são aspectos que não podem ser esquecidos. Ao receber um animal recém transportado coloque-o vagarosamente no tanque: se girinos, os sacos devem ser colocados na água do tanque permanecendo ainda fechados até que a diferença de temperatura entre as águas seja diminuída (aproximadamente 10 minutos); após este procedimento é que deve-se abrir os sacos de transporte permitindo que a água do tanque se misture a água dos sacos. Se rãs metamorfoseadas, os animais devem ser depositados diretamente na água. Em qualquer um dos casos os animais devem ser mantidos em observação por um período mínimo de uma semana, quando então pode-se constatar seu real estado de saúde. A alimentação deve ocorrer apenas no dia seguinte ao transporte. Para o produtor que cedeu ou vendeu os animais sugere-se que mantenha um lote controle dos organismos que saíram de seu plantel. Desta forma, caso ocorram mortalidades ou patologias, os envolvidos no processo de transporte, poderão realizar comparações e estabelecer possíveis causas do ocorrido.

Lembre-se para transportar um animal é (inclusive girinos e rãs) é necessário uma Guia Transporte Animal (GTA) obtida na Secretaria da Agricultura do Município de procedência. Adotando estes procedimentos o criador evitará perdas por injúrias, asfixia, temperatura, estresse e outras condições adversas.

 

 

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