Regras para um trabalho de
investigação.
1) Introdução
Serve para situar a questão no seu ambiente próprio, determinar bem o seu sentido e fornecer os elementos fundamentais para a compreensão da obra. Deste modo, o leitor começará a leitura do corpo do trabalho mais interessado e na posse dos elementos essenciais para a sua intelecção. Poderá convir apresentar um resumo do estado actual da ciência a esse respeito; indicar o que se pretende mais para além; chamar a atenção para pontos fundamentais do trabalho e para o processo do seu desenvolvimento. Se for preciso, também nela se indicam e discutem as fontes e a maneira como delas se fez uso[1].
A introdução inclui, pela ordem julgada mais conveniente, os elementos de apresentação do tema e do trabalho de investigação. Entre esses elementos contam-se os seguintes:
- interesse do tema;
- enquadramento teórico dos assuntos tratados;
- definição do problema;
- referência geral ao objectivo do trabalho;
- história do problema e revisão conceptual da respectiva literatura;
- pressupostos das posições assumidas e sua fundamentação lógica;
- indicação precisa dos objectivos e enumeração das hipóteses ou questões a que se pretende responder;
- explicitação da planificação global dos conteúdos das diversas partes do trabalho[2].
2) Corpo do trabalho — Nele desenvolve-se o assunto da elaboração científica.
3) Conclusão — Nela resume-se o conteúdo da obra, sintetizando-se principalmente os aspectos a que se chegou. Muitas vezes, é também na conclusão que se inserem algumas observações críticas, julgadas necessárias ou convenientes. Se é preciso orientar o leitor para a possibilidade de ulteriores investigações, vem também muito a propósito salientá-lo nesta parte final. Às vezes, é útil incluir algumas « conclusões» parciais, para terminar um capítulo ou uma Parte. No entanto, não convém multiplicar demasiado as conclusões, dum modo explícito. Não raro, a própria conclusão final substitui-se por um último capítulo.
Bibliografia e citações.
Há diferentes normas utilizadas nacional e internacionalmente. Na bibliografia devem ser referenciadas as obras citadas e consultadas. Em Portugal, para a citação de livros, em História e noutras Ciências Sociais, usam-se geralmente as seguintes regras:
Deve indicar-se o nome do autor ou autores, começando pelo apelido (em maiúsculas), seguido do primeiro e/ou restantes nomes separados por uma vírgula; o título (em itálico), o lugar de edição; a editora e a data [3].
Exemplo:
CUTILEIRO, José, Ricos e pobres no Alentejo, Lisboa, Sá da Costa, 1977.
As citações devem ser sempre referenciadas. A forma mais fácil para o leitor são as notas de rodapé, mas também podem ser efectuadas notas no fim de cada capítulo ou no final do trabalho. Quando se usa o a norma autor/data podem ser inscritas na própria página do texto. Por exemplo: Piaget (1983, pp. 111). Geralmente faz-se conforme o seguinte exemplo:
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Exemplo |
Lugar na página |
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Mais do que se poderá supor, a grande
maioria das mulheres campónias, necessitadas, empregam-se, o melhor do ano,
nos trabalhos agrícolas das herdades, de que são cooperadoras valiosas e
imprescindíveis [...] As apanhas da azeitona e da bolota, a espalhação de estrumes e adubos, as mondas, as sachas e colheita de legumes, a remoção de pedras miúdas e as ceifas de somenos importância não contratadas pelos ratinhos, são as lidas em que se ocupam centenas e centenas de braços da população feminina do concelho [4]. |
Na página, destacado, em corpo mais pequeno (11). Se se tratar apenas de uma frase, escreve-se entre aspas, inserido no próprio texto.. |
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[1] José da Silva Picão, Através dos Campos, Lisboa, D. Quixote, 1993, p. 111 |
Em rodapé |
O Índice (tábua de matérias) vem geralmente no início. Deve ter uma sequência lógica. Os capítulos são numerados (I, II, III ..) e os subcapítulos também (1.1. 1.2. 2.1)
Nota: programas como o word podem actualizar automaticamente os índices, com as respectivas páginas, bem como os números das citações.
RECOMENDAÇÕES GERAIS SOBRE
TRABALHOS ESCRITOS
A escrita constitui uma forma de conhecimento prático ou procedimental. Por isso, para aprender a
escrever, não basta aprender regras. Aprende-se a escrever, escrevendo;
não se aprende a escrever, lendo apenas. Os seguintes pontos destinam-se a
ajudar a vencer algumas dificuldades mais frequentes dos estudantes [5].
1. Se não escreve com facilidade
(como acontece com a maioria de nós), escreva primeiramente um rascunho sem
preocupações de correcção e vá melhorando o seu trabalho em uma ou várias
versões posteriores: um processador de texto num computador permite cortar e
colar partes do rascunho sem grandes perdas de tempo.
2. Procure exprimir o seu pensamento com clareza e habitue-se a utilizar a palavra que traduz o seu pensamento com mais propriedade. Se for possível, dê o seu trabalho a ler a um amigo e oiça os seus comentários.
3. A preocupação de clareza é
mais premente se usa períodos longos com várias proposições.
4. Use os advérbios com parcimónia. Os estudantes mais jovens (e não só) tendem a abusar dos advérbios com intenção
5.
Não
muite, isto é, não use o advérbio muito ou os indefinidos muito ou muitos sem rigor. Não existe diferença demonstrável entre
«importante» e «muito importante».
6. Facilite a leitura do seu
trabalho, esforçando-se por reduzir ao indispensável o número de páginas
escritas, sem prejuízo da clareza. Procure manter a unidade do trabalho,
concentrando-se no tema e evitando divagações.
7. Ao escrever, considere o
leitor como uma pessoa inteligente, mas cansada e distraída, que precisa de
ser ajudada na compreensão do trabalho. Por isso, acautele a sequência e a
integração das ideias dentro do texto.
8. Na organização gráfica do
trabalho, preocupe-se com a sobriedade e com a consistência da formatação,
tendo em conta as relações hierárquicas dos capítulos, secções e subsecções.
Mantenha a unidade gráfica do trabalho.
9. Só o início de novo capítulo
justifica que se deixe em branco uma parte da página anterior. Por isso, os
trabalhos académicos curriculares, que não são divididos em capítulos, não têm
páginas em branco.
10. Facilite a leitura dos
trabalhos mais longos, intercalando sínteses do que já foi exposto e preparando
a mudança de tema através de pontes que permitam uma passagem suave para novos
assuntos.
11. Não obrigue o leitor a
repetir a leitura doutras páginas para entender a página que está a ler.
12. Mantenha o leitor informado
sobre a origem das ideias que vão sendo expostas: se as ideias foram sugeridas
por qualquer leitura que se fez, é preciso indicar essa fonte (mesmo que
não tenha havido transcrição literal). Assim, se utilizou fontes, mesmo sem
fazer transcrições literais, deve referir essas fontes não só nas Referências finais, mas também no
próprio texto.
13. Se se inspirou nas ideias
encontradas num artigo, num livro ou num simples trabalho académico dum colega
e não cita essa fonte utilizada, está a cometer um plágio, punido pelas
leis académicas e, porventura, pelas civis: pode apanhar um chumbo ou ir parar
à cadeia.
14. Não cite livros que não
leu.
15. Não
cite todos os trabalhos que leu: cite todos e somente aqueles cujas ideias
usou, mesmo que tenha traduzido as ideias de outrem em palavras próprias.
16. Sempre que fizer uma transcrição literal, inclua o texto transcrito entre aspas ou, se se tratar duma transcrição extensa, disponha-o em corpo separado. Nestes casos, refira não só a obra que utilizou, mas também a página ou as páginas de onde retirou o texto. Note, porém, que a transcrição literal só poderá ser usada raramente.
ARRANJO E
COMPOSIÇÃO GRAFICA
Dactilografia
As seguintes notas servem para relembrar algumas orientações básicas
de dactilografia.
1. Defina o estilo gráfico do
seu texto de modo que o início do parágrafo comece depois dum espaço que, nas
máquinas de escrever, corresponderia a entre três e seis espaços em branco.
2. Deixe um espaço depois de
sinais de pontuação.
3. Não confunda o uso do
travessão, que é mais longo, com o uso do hífen «-», que é mais curto. O
travessão obtém-se nos processadores de texto pela combinação da tecla do hífen
com uma outra ou pelo uso de duplo hífen.
Não deixe espaços brancos nem antes nem depois do travessão.
4. Evite completamente o uso do
sublinhado em textos finais. Pode usar o sublinhado em substituição do tipo
itálico (inclinado) somente se a impressora não é de boa qualidade ou se o
material se destina a ser composto na tipografia.
Composição
Gráfica e Margens da Página
Composição Gráfica
A composição gráfica deve apoiar a estrutura do texto. Mais do que
obter efeitos estéticos, as seguintes recomendações visam facilitar a leitura
de trabalhos académicos.
1. Não adense demasiadamente o texto. As linhas do texto de trabalhos escolares deverão ser dispostas com a distância correspondente a um espaço e meio ou a dois espaços das antigas máquinas de escrever. Esta distância corresponde a um espacejamento entre 18 e 24 pontos gráficos nos modernos processadores de texto.
2. Cuide do arranjo gráfico dos capítulos ou
secções; seja consistente na formatação dos títulos mantendo sempre a mesma
quantidade de linhas em branco antes e depois de títulos do mesmo nível.
3. Não se dispense de aprender a usar os
chamados estilos se escreve textos
longos em processadores de texto. Estes estilos gráficos facilitam a
consistência na formatação.
4. Mude de parágrafo quando mudar de assunto,
mas só quando mudar de assunto.
5. Evite parágrafos formados
por um único período.
6. Evite secções formadas por um único
parágrafo.
7. Não comece um período por algarismo a não ser
que se trate de uma enumeração ou seriação.
Não existem regras absolutas
para estabelecer as margens das páginas. A largura e a altura das margens devem
ser estabelecidas de modo a permitir a encadernação e o aparamento das folhas.
Em condições normais, será
suficiente deixar dois centímetros e meio nas margens superior, inferior e
direita e poder-se-á ir até três centímetros ou três e meio na margem esquerda.
Tipos Gráficos
Deve-se agir com parcimónia
na selecção dos tipos gráficos. Os estudantes têm por vezes a tentação de
recorrer ao grafismo para conferir ênfase a uma ideia. A ênfase deve ser
dada mais por palavras do que por sinais tipográficos especiais.
Os tipos de Corpo 12 ou 14 correspondem aos tamanhos usados com mais
frequência.
Recomenda-se moderação no uso dos tipos em itálico (tipos inclinados
para a frente).
[1] Cf. Júlio Fragata, Noções de metodologia para a elaboração de um trabalho científico, Porto, Livraria Tavares Martins, 1980, pp. 91 e 92
[2] Cf. Mário de Azevedo, Teses, relatórios e trabalhos escolares – sugestões para estruturação da escrita, Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, 2000.
[3] Vide também Umberto Eco, Como se faz uma tese em ciências humanas, Lisboa, Presença, s/d
[5] Cf. Mário de Azevedo, Teses, relatórios e trabalhos escolares – sugestões para estruturação da escrita, Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, 2000.