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Melhoria geral das condições de vida:
— desenvolvimento económico produzido pela Revolução Industrial e suas implicações
na produção agrícola, na revolução dos transportes e no alargamento dos mercados nacionais e
internacionais. Fim das crises de subsistência do Antigo Regime. (as fomes de
tipo tradicional desapareceram da Europa após 1860);
— melhoria das dietas alimentares, o que fortaleceu o
organismo humano permitindo-lhe reagir com maior sucesso às doenças e às epidemias,
ainda frequentes;
— desenvolvimento científico-técnico, que permitiu o avanço
da Medicina: progressos na química biológica, na microbiologia, na
bacteriologia, na farmacologia, na assepsia, na anestesia e na parasitología.
A utilização das análises laboratoriais facilitou o diagnóstico clínico; a
prática da anestesia e o melhor apetrechamento dos hospitais desenvolveram a
medicina operatória; o aparecimento das vacinas (contra a varíola, o carbúnculo,
a raiva, o tétano, o tifo e a difteria) permitiu um combate às doenças
endémicas; a assepsia salvou inúmeras vidas, principalmente em obstetrícia e
em pediatria, reduzindo as taxas de mortalidade infantil e juvenil;
— melhor apetrechamento
social dos Estados: construção de escolas, asilos e hospitais; leis de protecção
sanitária; o saneamento público...;
— melhores condições de trabalho, de habitação, de
vestuário...;
— progressos na higiene individual e colectiva
(divulgação do uso do sabão e estabelecimento das primeiras redes de saneamento
público).
—decréscimo da
mortalidade infantil e juvenil e, consequentemente, o aumento da esperança
de vida para os recém-nascidos;
— atenuação dos estímulos natalistas por parte dos Estados. Os
problemas sociais criados pelo superpovoamento nos meios industrializados
obrigaram governos à adopção das primeiras medidas antinatalistas
(ditas malthusianas). Por exemplo: planeamento familiar responsável; encorajar
os homens a fazer economias em vez de
filhos, combate à “proliferação dos
miseráveis” nos meios operários’
— redução do fervor religioso de algumas populações, fruto do
avanço do pensamento laico;
— afrouxamento dos laços familiares alargados e o isolamento da família nuclear (sem o suporte e a
segurança da estrutura familiar, a nupcialidade diminuiu ou tornou-se mais
tardia e os jovens casais não se arriscavam, tão facilmente, a uma fecundidade
elevada);
— emprego maciço das mulheres
(fruto da industrialização crescente, que acabou com o artesanato doméstico)
afastou as mães dos lares, impedindo-as de tomar conta dos filhos pequenos e
aumentando as despesas da criação com o pagamento às amas (nos meios burgueses,
o celibato feminino cresceu entre as
mulheres profissionais liberais);
—
aceitação da “procriação responsável” aumentou as obrigações dos pais quanto ao
futuro dos filhos, através da sua educação e formação pessoal e profissional.
Nesta perspectiva, tornou-se preferível ter poucos filhos, de modo a poder
assegurar a todos uma conveniente formação.
Extraído
do manual adoptado