Juventude Popular - Núcleo da Freguesia da Vila de Leomil


Informação retirada da Página pessoal de Jaime Ricardo

 

<>A nossa riqueza Cultural

<>"É o Património Cultural, ou mais especificamente o Património Edificado, uma herança recebida de gerações passadas que assume sempre o valor de identidade e de memória de uma comunidade."

Todas as pessoas necessitam de ter os seus sítios de memória, sob pena de se sentirem alienadas. São os monumentos do passado que edificados, dão segurança às comunidades, lhes ajudam a compreender o presente, "lhes servem de marcos miliários na caminhada para o futuro". Um pouco por todo o país e também em Leomil, foram erguidas construções de grande interesse histórico. O amante de arte pode gastar com proveito várias horas numa digressão por estas paragens. Entre outras construções de reconhecido interesse histórico nacional, são de destacar:

 

Pelourinho do século XVI

Tem este exuberante pelourinho, agradável à vista, um soco de quatro degraus escalonados lisos, de onde emerge o fuste. A secção torna-se octogonal, lisa, até à moldura inferior saliente do capitel. O remate é feito por uma cúpula poligonal oitavada com esfera armilar no topo (corresponde ao tipo gaiola). Localiza-se este interessante monumento, na praça a que deu o nome, tão somente um dos locais mais antigos da actual vila e do antigo concelho ou senhorio dos Coutinhos.

O pelourinho ergue-se de forma graciosa fronte à casa da Câmara. Símbolo da administração concelhia, o Pelourinho recorda o que foi esse poder tão característico da tradição portuguesa definida nas cartas de foro. Era um instrumento da expiação de delitos. A ele se acorrentavam os condenados presos pela cintura a cadeias suspensas de argolas expondo-se assim à população.

Este pelourinho municipal, foi erigido numa época em que, contra as tendências feudalizantes, o poder central se fortalecia. Não obstante as destruições dos pelourinhos devidas ao liberalismo oitocentista, numerosas sedes concelhias - e outras deixaram de o ser - conservaram esses monumentos arquitectónicos levantados desde a Idade Média aos fins do século XVIII.

Elegante monumento, símbolo de jurisdição e lugar de castigo de criminosos, como já dito, desconhece-se se este foi o único pelourinho existente em Leomil ou se veio a substituir outro mais antigo, atendendo a que, Leomil demarcara-se da organização municipal muito cedo, e existem nomes de ruas tais como picota, que talvez se refiram á existência de um pelourinho mais antigo do que o actual do século XVI.

 

Igreja Matriz do século XVIII e XIX

Igreja em fachada granítica lisa , com torre sineira adossada, rematada com quatro pináculos em cada vértice e encimada de uma cruz que em tempos havia caído devido ao mau tempo. Tem boa talha, azulejos setecentistas de padrão policromados em capela lateral e uma curiosa imagem de S. Miguel calcando um espantoso diabo. Por detrás da Igreja , vemos a ruína da casa dos Bandeiras Mergulhões com uma linda janela que ainda sobrevive. A Igreja está situada ao funda da Vila e ostenta em seu redor um pequeno Adro.

 

A talha do altar-mor e dos altares do arco-cruzeiro, bem como dos azulejos que revestem as paredes da capela mor são da 1ª metade do século XVIII (1732). Parece que o documento mais antigo que se conhece, sendo pertença da paróquia, é uma campainha de bronze em que se lê: ANNO DE 1517 IHS MARIA. Esta paróquia de origem pré-nacional foi taxada em 50 libras em 1321. Passou esta Igreja para o padroado real. Duzentos cruzados, era o quantitativo destinado ao sustento do reitor. O padroado acabou por cair nas mãos dos Marialvas onde se manteve até à morte da filha do último conde, de seu nome D. Guiomar. Na remodelação do século XVIII, foi respeitada a capela renascentista de N. Senhora de França, com um grande arco e abóbada de pedra, altar dotado de retábulos de talha e painéis laterais esculpidos em alto relevo com as imagens de S. Francisco e Sto. António.

 

Solar dos Coutinhos do século XVIII - (particular)

Casa de fachada corrida de dois pisos, com varandas de ferro forjado na fachada principal, assentes sobre mísulas em volutas, ostenta uma pedra de armas de grande valor na confluência das fachadas. Esta casa particular, ou, se permitirem, este palacete rural, ecológico, encerra em si aquilo que foi a sociedade elitista do século passado em Leomil assim como a memória da antiga linhagem. Podemos dizer que a cal cobre as fachadas principais e as caprichosas molduras das enormes janelas são sinal visível da importância e poder do proprietário. O rés do chão, todo ele é rodeado (na fachada principal) por "janelos" em ferro cravado na pedra que se alongam para o exterior, ou seja proporcionam uma melhor visão do interior para o exterior. Resta ainda salientar que ambas as fachadas se ligam por um pilar quadrangular adossado à parede com base e capitel, que sustenta todo o edifício.

 

Solar dos Viscondes de Balsemão do século XVIII - (particular)

Mais um palacete, este, arruinado, com um portal setecentista armoriado. Este portal,assente em duas pilastras adossadas ao muro, um poderoso lintel sustenta o peso e tem uma inscrição em latim onde se lê: " Esta família tem mais brilho do que a própria luz do sol". A parte que sucede ao entabelamento é constituída por dois pináculos em cada uma das extremidades, rematadas por duas esferas, e ao centro por uma composição abrasonada, encimada por uma ave.

Murada a toda a volta, esta casa abre-se ao exterior de duas maneiras: primeiro, por um lance de oito escadas a que se segue um pátio que dá acesso ao edifício por duas portas de madeiras; depois, por dois portais nas extremidades, um com as armas dos Coutinhos e com uma inscrição em latim, o outro, um portal mais exuberante, armoriado e também com uma inscrição em latim. Este é também um palacete rural, ecológico, que tenta uma comunicação com a natureza. Repare-se que toda a casa se abre ao exterior de uma forma espectacular, procurando assim, comungar com a natureza. Tem nas traseiras um enorme quintal que dá acesso a vários terrenos que pertenciam à casa.

 

Antigos Paços do Concelho (casa da Câmara - particular)

Construção muito austera com uma varanda apoiada em duas colunas. Quase todas as casas seiscentistas apresentam um alpendre como traço comum, apoiado em severas colunas dóricas. A adopção da varanda alpendrada, como um mirante, é um factor de capital importância na modernização da Casa Portuguesa. Porém, esta varanda denota novas preocupações de abertura ao exterior, em busca de um maior contacto e harmonia com a natureza, e neste caso mais específico, um maior contacto com o ex-libris do concelho de Leomil: a Praça do Pelourinho, verdadeiro núcleo envolvente de todas as repartições necessárias ao bom funcionamento daquele que era um concelho vastíssimo.


Para além destas graciosas construções, o amante de arte sentir-se-á atraído também por outras edificações tais como:

Capela do Calvário

Fonte da Picota

Capela de Beira Valente


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