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<>Leomil
- uma Vila em expansão |
<>Com
os seus ares de altitude puríssimos, as suas águas cristalinas, os mimos dos
seus abundantes grangeios, relíquias históricas, região de ribeiros e
regatos, praias fluviais, Leomil é estância incomparável para quantos,
cansados das cidades, precisam de se esquecer para melhor se encontrarem.
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Pelo profundo gosto e carinho que
temos por esta terra. Tentaremos dar a conhecer esta Vila, a quem nos quiser
visitar, rica de passado e
- quiséramos - de possibilidades quanto ao futuro. As notícias fragmentárias
e desconexas, ligadas a vissitudes e falsas afirmações, têm-nos levado
desde algum tempo, a dispensar esforços no sentido de colmatar estas falhas
por vezes conscientes. Dizer tudo e bem, é tarefa enfadonha, árdua, senão
mesmo impossível. Por isso, este trabalho não é mais do que uma pequena
caracterização desta nobre Vila, que bem o merece. Começemos então por
uma breve resenha histórica: |
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Actualmente freguesia do
concelho de Moimenta da Beira, foi séde de um concelho extinto em 1855. Em
finais do século IX com a reconquista e repovoamento que marcaram Afonso III
das Astúrias, o antigo nome deste espaço foi substituido pelo do presor
godo Leomiro ou Ledemiro, que fundou aqui a sua Vila Leodemiri, genitivo que
é a origem do topónimo. Contudo, muitos povos terão passado e vivido neste
território. A romanização é indiscutível e a sua pré-história tem
abundantes monumentos megalíticos. Com a invasão árabe em 982,
com Almançor, assiste-se a um despovoamento. O Conde D. Henrrique doou e
coutou este lugar aos dois irmãos D. Paio Rodrigues e D. Garcia Rodrigues,
filhos de D. Rodrigo, senhor da pequena honra de Fonseca e também S.
Martinho de Mouros. Quem o diz são as inquirições de D. Dinis: "Leomir
he couto per padroeyros e per divisões e disserom que ouvirom dizer que o
couto el Com Dom Anrrique a Dom Garcia Rodrigues (...) e disse que os
senhores do Couto metem hi seus juizes e seus cheguadores cada huum no seu
herdamento (...)". |
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Nos fins do século XIII já
vigorava em Leomil o regime municipal, partindo o concelho ao norte pelo
Couto de Argeriz (do mosteiro de Salzedas), ao nascente pela honra de Caria
(que fora de D. Egas Moniz e de D. Mem Moniz) e ao poente, pela honra de Vila
Cova - todo o concelho incluído no julgado de Castro Rei (hoje Tarouca). Leomil encabeçara-se
portanto, como um dos mais célebres e vastos coutos medievais portugueses.
Muitos documentos o indicam. Um documento de 25 de Julho de 1289, denunciava
já, a doação ao Mosteiro de Vilela que Afonso tinha "en no couto
de Loemir...". Contudo, muito anterior a este, temos um documento de
13 de Abril de 1152 que faz referência ao Couto de Leomil. Diz a tradição oral que o
Rei Lavrador - D. Dinis teria dado foral a Leomil em 1283 e ali teria
pernoitado no dia 19 de Junho de 1305 e de novo em 1308. De facto, não se
sabe onde se encontra o foral de Leomil, o que nos leva mesmo a duvidar da
sua existência. Contudo, o foral de Pera indica que este existia já nesta
altura. Ligado ao Couto, apenas temos conhecimento do foral do Souto do Couto
de Leomil (Penedono). |
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Com o decorrer dos tempos, com a nexação das
terras doadas aos Marialvas, o Couto de Leomil atingiu uma extensão
verdadeiramente latifundiária, ocupando no século XVI, à raiz da extinção
da casa, a maior parte dos actuais concelhos de Moimenta da Beira e Tabuaço,
com excepção das 7 paróquias do isento de S. Pedro das Àguias. A sul
atingia pois, as nascentes do Paiva; a norte, as águas vertentes até ao
Douro entre as embucaduras do Tedo e do Távora. |
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Mercê das extraordinárias isenções que
disfrutavam, os condes converteram o território numa verdadeira comarca
independente da Beira. Apresentavam as justiças constituídas por um Ouvidor
e respectivo escrivão; dois juízes Ordinários; dois Vereadores; escrivão
da Câmara; Meirinho; dois Tabeliães; Juíz dos Orfãos e ecrivão; Capitão
mór com duas companhias de ordenança. Nesta altura já se celebrava a Feira
Franca de S. Tiago. Terá existido também um Hospital destinado a doentes
peregrinos " à beira da estrada de Leomil para Moimenta", assim
como um convento. |
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Teve Leomil 5 Confrarias: a do Santíssimo
Sacramento; a de Nossa Senhora; Nome de Jesus; Fiés de Deus e por fim, a
famosa Confraria dos Paços, fundada na Capela da Senhora do Calvário. |
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Realizam-se anualmente diversas festas e
romarias, das quais se destacam a de S. Tiago em 25 de Julho e Sr. Dos Passos
no 1º Domingo de Setembro (Leomil); Espírito Santo em Maio (Beira Valente);
Sto. António na Semitela e S. Pedro em Paraduça no mês de Junho. Foi
viveiro fecundo de muitos e ilustres nobres que nos momentos difíceis da
nossa história sempre souberam prestigiar o nome de Portugal. |
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O século XVI foi um tempo de mudanças: por um
lado, desaparecem os Condes de Marialva, e com eles o Couto de Leomil, e por
outro, chegam a Moimenta os Morais Sarmentos, vindos de Algoso, e os Lucenas
e Mergulhões sob a proteção do último couteiro de Leomil. A partir daqui,
e como já disse anteriormente, foram-se traçando os trilhos que permitiram
na sequência da reforma administrativa, a extinção do concelho de Leomil.
Não foi pacífico o remodelar de fronteiras no século XIX, mas em 1896
estavam definitivamente marcados os contornos geográficos actuais do
concelho de Moimenta da Beira. |
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Soube
acompanhar a evolução do século XX que lhe valeu ter adquirido novamente a
categoria de Vila por deliberação da Assembleia da República em 4 de Junho
de 1997. É actualmente a cabeça de uma das mais importantes freguesias do
concelho de Moimenta da Beira. Beira Valente, Semitela e Paraduça, são as
actuais anexas. O Rancho Folclórico; as associações culturais e
recreativas em Beira Valente e Semitela; os campos de futebol em Paraduça e
na Semitela; o Estádio Adriano Ferreira em Leomil; o Polidesportivo; a Casa
do Povo com a sua missão de recolha, preservação e divulgação das raízes
culturais da comunidade assim como criar e desenvolver algumas actividades
culturais, o centro de dia e apoio domiciliário; a família Kolping na
Semitela com características humanistas de apoio que dá ás crianças e
idosos desfavorecidos; o moderno Posto Clínico; a Farmácia, os Correios
(...), são prova evidente que Leomil não se deixa adormecer à sombra das
tradições. |