O Pilar
Capitulo VIII
Por Josiane Veiga
-Hahaha-
Ria da mais nova piada de Sayas.
Meu
amigo naquele lugar era um grande comediante. Ele animava meus dias e me
ajudava em tudo. Era um grande guardião. Endy que havia decidido não seguir
conosco resolveu mudar de idéia e sempre andava por perto. Como ele era
estranho as vezes... Estava com um terrível mau humor, e eu tentava nem
conversar com ele...
-Você
conhece aquela da deusa das pedras?-Perguntou Sayas disposto a me contar mais
uma piada.
-Se
ela não conhece, vai ter que esperar pra conhecer mais tarde. Agora você vai
pegar água no rio porque vamos acampar e precisamos fazer a comida – avisou
Endy.
Olhei
pro meu amigo e ele parece que nem se importou com o mau humor do nosso líder.
Era até engraçado. Quanto mais Endy demonstrava que não gostava dele, mais ele
ficava fazendo piraça.
-Quero
tomar banho – falei a Endy.
-Eu
também quero. –ele me respondeu. Vamos ao rio.
Eu
o encarei.
-Esta
maluco? Quero tomar banho sozinha!!!
Sayas
começou a rir.
-Do
que esta rindo? -zangou-se Endy.
-Nada
nada... já to indo buscar a água.
-Eu
não disse que íamos tomar banho juntos... Só disse que vamos juntos ao rio, mas
vamos tomar banho em pontos diferentes...
-Sei..-falei
meio desconfiada.
Mas
acabei indo com ele. O rio tinha uma curva cheia de arvores ao redor... Fiquei
na parte mais baixa (afinal não sei nadar), e Endy ficou mais pra
baixo...Impossível um ver o outro, mas mesmo assim, tentei ser o mais rápida
possível para não acabar passando por alguma situação constrangedora...
-Que
saudade do meu banheiro... –murmurei...
Aquela
água estava gelada... Eu detestava água assim. Tentei deitar um pouco e molhar
os cabelos sem o perigo de cair...
Mas
foi nesse momento que eu senti algo nas pernas... levantei assustada e olhei em
volta. Tinha certeza... era Endy me cutucando debaixo d água. Provavelmente ele
veio mergulhando até mim e agora tentava me pregar um susto.
So
que eu estava nua!!! Aquele tarado! Ele ia ver uma coisa!... Peguei a sua mão e
fui levantando-a ... meu objetivo era quando ele estivesse de pé na minha
frente eu desse um belo tapa nele. Mas... a única coisa que veio até mim, foi
uma mão...de um esqueleto.
Meu
berro ultrapassou aquela floresta. Enquanto eu tentava subir pelo barranco do rio,
Endy e Sayas apareceram.
-Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh.
Pelo
rosto vermelho dos dois ficou claro que eles não me esperavam ver nua.
-Viram
de costas seus tarados!!!!
Quando
já estava composta com o meu vestido, eles olharam pra mim.
-O
que houve??? Porque gritou daquele jeito???
-Uma
mão... uma mão de esqueleto estava na minha perna.
Sayas
tirou a camisa e entrou no rio. Colocou a mão embaixo e começou a puxar as
pedras que eu estava em cima pra me banhar. Mas para minha surpresa não foi
exatamente pedras que ele tirou de lá.
-Esta
cheio de esqueletos aqui... – ele murmurou trazendo a superfície um crânio.
Comecei
a tremer. Que horror.
-Que
droga...Este deve ser o rio dos sacrifícios- murmurou Endy...
Sayas
começou a rir. Fogo Branco se uniu a nós.
-Você
tomou banho também? – perguntou a Endy
-Sim...tinha
acabado de sair do rio quando ouvi os gritos da Emma.
Sayas
já gargalhava no rio. Não conseguia entender o que ele achava tão engraçado.
-O
que foi???
-Eu
também vou precisar da libertação dos maus espíritos. – disse ele a Endy
-Não
seja idiota... você entrou no rio sozinho.
-Aposto
que você sabia e fez de propósito – disse meu amigo loiro a Endy.
-Não
eu não sabia...-ele murmurou...-eu não preciso dessas estratégias pra ter o que
eu quero.
-Huahuahua...
então você quer??? – gargalhou mais ainda Sayas.
-Do
que estão falando? – perguntei
Sentia-me
perdida. Os três conversavam sobre algo que estava fora do meu entendimento.
-Este
rio...é o rio do sacrifício. – disse Sayas como se eu devesse entender..
-Que
horror! –Exclamei- pessoas eram sacrificadas nesse rio...?
-Sim,
só que agora você esta a mercê dos espíritos malignos...
Eu
senti que ia chorar. Eu detesto essas coisas de espiritismo. Sou covarde por
natureza...
-E
agora???
-Se
você tivesse se banhado sozinha você não estaria com problemas...o fato é que
você se banhou com ..ele.. – falou Sayas
-E...???
-Segundo
as lendas... –cortou Endy- um casal apaixonado morreu neste rio. Então, quando
um homem e uma mulher se banham no rio, mesmo separadamente, mas no mesmo
momento...eles tem que cumprir... algo... pra que os espíritos não os
persigam...
-Algo??? Que algo...
-Nada
demais...algo..básico... – disse Endy
Sayas
teve outro ataque de riso e dessa vez eu fiquei nervosa.
-Fala
duma vez!!!
Então
Endy murmurou algo...eu não entendi direito o que ele falou.
-Não
entendi... fala mais alto!
-A
gente tem que se beijar..-ele gritou
Parece
que toda a floresta emudeceu para ouvir tamanha blasfêmia. Eu não iria
beijá-lo...de jeito nenhum.
-Como
é que é? – Respirei fundo. Talvez eu tivesse ouvido errado.
-Um
beijo não vai matá-la. É só pra cumprir as tradições e não ficarmos
amaldiçoados.
-De
jeito nenhum. Não vou fazer isso!!! Sou uma moça decente...Sabe quanto tempo de
namoro demoro pra alguém tirar um beijinho de mim???
-Não
sei mesmo –ele disse irritado- mas acontece que eu entrei nesse rio e você
também. Não vou ficar amaldiçoado por sua culpa.
-Pois
vai ficar sim.
-Vocês
querem que a gente se retire pra ficarem mais a vontade?- Perguntou Sayas
Sorrindo
Encarei
Endy. Não queria beijá-lo... mesmo que aqueles olhos me fizessem sentir algo
estranho e que me perseguissem em sonhos. Aquilo que eu sentia não era
paixão...só estava impressionada com tudo. E eu não podia aceitar o fato de
beijar alguém sem estar apaixonada.
Continua...