O Pilar
Capitulo VI
Por Josiane Veiga
Acordei
com o barulho da água que corria perto de nós. Poderia me sentir recompensada
pela aquela cachoeira ser a primeira visão que tive naquele dia. Desde que
cheguei naquele lugar estranho, aquela era a primeira manhã em que eu acordava
com uma estranha sensação de euforia...
“-Você
tem lindos olhos, Deusa”. Aquelas palavras tão simples ecoavam nos meus ouvidos
e passavam pela minha mente, fazendo-me sentir culpada por estar feliz. Porque
no fundo eu sabia que não era bem a cachoeira que me deixava em êxtase.
-Já
acordou? – Fogo Branco apareceu com uma cesta na boca.
-O
que tem ai?
-Comida!
Endy mandou a você.
-Que
gentileza a dele. –mal podia acreditar que eu pronunciava aquelas palavras.
Ataquei
o cesto de comida e descobri o quanto tinha coisas boas e gostosas lá. Sorri ao
pensar que ele tinha tido um grande trabalho para conseguir aqueles bolos e
doces.
-Acho
que ele esta começando a me aceitar. – pensei em voz alta.
-Não
se iluda! – Fogo Branco me cortou.
-Pq?
-Pelo
seu bem. Percebi a maneira que olhou para ele ontem. Ele não é pra você. Não vá
se apaixonar!
-Não
seja idiota – Enrubesci – eu só quero ser amiga dele. Sou assim, muito ...
amigável as pessoas.
-Sei...
Parei
de comer e comecei a guardar o que havia sobrado dentro do cesto. É claro que
eu não iria me apaixonar por alguém como ele. Aquele tigre estúpido estava
vendo coisas demais. Agora ser
simpática com alguém é como se quisesse ter algo em especial com aquela
pessoa? Fogo Branco me avisou que logo
iríamos partir dali. Ele achava que um pouco mais a leste existia um local em
que poderíamos cruzar a cachoeira sem ter perigo de nos matarmos afogados.
Fazia
uns quinze minutos que caminhávamos quando uma densa névoa nos encobriu.
-Não
vou conseguir ver nada...
-Caminhe
em linha reta. E devagar... não se esqueça que estamos perto do barranco do rio
e não quero que você se fira.
-Obrigada.
-Sem
você, não poderemos chegar até o Oráculo de Abel.
-Nossa,
como você se importa comigo. – ironizei.
Já
havia parado de tentar fazer com que aquele tigre gostasse de mim pelo que eu
era e não somente pela missão que eu
tinha.
Tropecei
em uma pedra que tinha perto do barraco. Cai
quase de joelhos e vi que o acabei esfolando.
-Fogo
Branco! Eu cai!!!
Silêncio.
Olhei para frente, mas não o enxergava. A névoa tinha ficado mais densa e
forte.
-Fogo
Branco!!! – gritei.
Nada.
O silêncio era tão forte que apenas o barulho do rio era audível.
-Fogo
Branco!!!- gritei novamente.
Agora
sim eu podia ficar preocupada. Meu companheiro de viagem simplesmente havia
desaparecido. Me levantei e comecei a dar uns tímidos passos a frente. Um barulho perto das árvores chamou a minha
atenção a esquerda.
-Fogo
Branco? – Eu me aproximei. – Esta ai?
Logo
senti mãos grandes taparem minha boca. Um cheiro insuportável inundou-me as
narinas. Fechei os olhos para tentar readquirir forças e brigar com o dono
daquela mão mas não consegui mais abri-lo.
Não
sei quantas horas se passou até que eu conseguisse acordar. A escuridão já adentrava a noite e quando eu havia sido capturada era de manhã.
-Que
bom que acordaste Deusa!
Olhei
para a direção da voz. Um homem loiro de cabelos longos se encontrava encostado
em uma arvore e me observava.
-Quem
é vc?
-Sou
Sayas! Você já deve ter ouvido falar de mim.
-Na
verdade não...
Ele
ficou surpreso.
-Não?
Isso é que é surpresa. Minha fama adentrou todo o mundo. Sou um ladrão de
recompensas.
-Ahh...
o que quer de mim?
-Abel
pagará uma fortuna por você.
Mordi
o lábio inferior. Um pedaço de carne queimava em uma fogueira perto de nós e
ele o tirou do fogo e me ofereceu.
-Tome!
Estas com fome?
Peguei
a carne e a comi com fome. Não entendi direito o porque dele me contar seus planos. Após me alimentar, fechei meus olhos por
alguns instantes, pois o efeito da droga que ele usou pra me fazer dormir
quando me pegou ainda fazia um pouco de efeito. Quando abri o loiro estava
muito próximo de mim. Com o susto quase saltei pra trás.
-Não
tenha medo! Não te farei mal.. se quisesse já tinha feito.
Um
tanto envergonhada, respirei fundo. Ele me entregou uma caneca com água. Bebi
com sofreguidão.
-Você
não me parece um cara malvado.
-Não
se deixe levar pelas aparências...
-Não
me entregue a Abel por favor!
-Hehehe...
Ele
riu. Perdi as esperanças com aquele
sorriso. Meus olhos se encheram de lágrimas.
-Quero
voltar pra minha casa... – murmurei.
-Você
é muito bonita... – Sayas me falou.
Levantei
os olhos para ele.
-Eu
soube de outras pessoas que estão interessadas em você. Aliais, já se espalha
pela Terra que não é só Abel que se interessa por sua vida.
-Pela
história, isso não teria lógica...
Ou
teria. Deus, por que eu não li o livro inteiro?
Encarei
Sayas. Ele tinha um ar confuso.
-Vou
te leiloar pra quem dá mais.
-E
ainda me conta?
-Por
que eu teria que esconder? É mais fácil você sabendo. Não vou te matar, você só
tem validade pra m8im viva.
Abaixei
os olhos de novo e resolvi ir dormir. Olhando pelo lado positivo, eu não iria
morrer naquela noite. E ainda estava alimentada e havia bebido água.
-Boa
noite Deusa! – ele disparou assim que me viu deitar sobre a manta no chão.
-Boa
noite.
Continua...