O Pilar

Capitulo V

Por Josiane Veiga

 

 

-Acorde.

 

Fogo Branco foi muito seco e frio ao me acordar. De alguma maneira ele se recentia por eu ter tratado mal o seu amigo.

 

Logo começamos a caminhar novamente. Ele ia a frente em uma postura brava e autoritária, e eu um pouco mais atras.

 

-Fogo Branco, Como eu vou fazer pra voltar?

 

-Para a sua aldeia?

 

-Para a minha escola. Eu odeio a escola, mas neste momento, daria a vida pra voltar lá...

 

-O que é escola?

 

-Um lugar onde a gente estuda...

 

-Nunca ouvi falar num lugar assim. Aqui todos aprendem com seus familiares.

 

-... eu daria tudo pra estar lá agora.

 

-Olhe Emma, acho que vc não esta bem do juízo.

 

Me calei, ele nunca acreditaria em mim. Eu gostaria muito de voltar pra casa. Minha família me quer bem, meus colegas me adoram... voltar pra quem gosta de mim.

 

De repente ouço um barulho incomum.  Fogo Branco soltou uma pequena e breve gargalhada. Eu até me animei ao ouvir o som. Ele parecia mais amigável assim, sorrindo.

 

-Escola... – ele murmurou e depois ficou resmungando mais algumas coisas que eu não entendi.

 

Logo o som de seu riso foi substituído por um barulho de águas de chocando com pedras. Rapidamente vimos uma bela cachoeira a nossa frente. 

 

-Que lindo! – Eu me animei..

 

-Você é Deusa???- Uma voz me perguntou.

 

Aquela voz era desconhecida e eu me virei em direção a ela. Um homem de cabelos escuros me observava.

 

-Quem é vc? – perguntei.

 

-Era só o que nos faltava... – suspirou meu amigo.

 

Não precisei colocar o cérebro pra funcionar pra perceber que era um inimigo.

 

-O que vamos fazer? – perguntei ao tigre.

 

Ele me olhou zangado.

 

-Se você não tivesse ofendido “aquele rapaz”  nós não estaríamos nessa situação.

 

Agora sim, aquele era o Fogo Branco que eu conhecia, me recriminando como sempre.

 

-A culpa é minha agora? Porque vc confia tanto nele? Nem o nome dele você sabe!

 

-E quem disse que eu não sei? Eu o conheço muito bem.

 

-Como é o nome dele então?

 

-Ele não quer que eu lhe diga, pois não confia em você.

 

Em nossa discussão havíamos esquecido completamente o homem, que ainda nos olhava, mas ele fez questão de nós lembrar de sua presença.

 

-Podem parar com isso!!!

 

Nós o olhamos.

 

-Posso me apresentar?

 

Eu e Fogo Branco fizemos afirmativo com a cabeça.

 

-Eu me chamo Fanel! Sou um imperador das trevas e vim aqui para matar você Deusa.

 

Suspirei.

 

-Mas será possível que vocês não tem criatividade não? É sempre a mesma coisa... tah parecendo até episódio dos cavaleiros do zodíaco.

 

Ele não rio da minha observação.. pelo jeito era difícil de conseguir conquistar as pessoas daquele lugar. Até agora eu não tinha tido um sucesso. Ele começou a caminhar em nossa direção. Fogo Branco gritou para corrermos mas eu estava congelada no lugar.

 

-O que foi, Deusa? – ele se colocou no chão e caminhou em minha direção – estas com medo???

 

Fechei os olhos. Imaginei que aquele seria meu fim. Mas algo aconteceu, pois Fanel não chegou até a mim. Quando abri os olhos, o vi deitado, com uma rosa na garganta. Estava morto. Soltei um gritinho mudo. Nunca tinha visto um cadáver tão de perto.  Levantei mais os olhos e vi, alguns metros adiante o rapaz que eu odiava (ou assim achava).

 

Aos poucos meu coração começou a voltar ao ritmo normal.

 

-Por que não correu??? – isso foi tudo que ele me perguntou, após dirigiu-se a Fogo Branco – o que houve com você?

 

O tigre, claramente afobado foi logo se explicando.

 

-Nunca encontrei um imperador maligno. Fiquei assustado.. me perdoe...

 

Os olhos do rapaz se suavizaram e ele sorriu.

 

-Tudo bem, amigo.

 

Os dois então começaram um dialogo me deixando de fora.

 

-Vai nos acompanhar? – começou Fogo Branco.

 

-Não.

 

-Não vamos conseguir chegar até o Oráculo de Abel. Há muitos inimigos pelo caminho.

 

-Aparecerei para ajudar se for necessário.

 

-Creio que será... senhor, e se a matarem? – Fogo Branco me encarou.

 

-Não se preocupe... eu não permitiria...

 

Meu coração disparou naquele momento... que doce...

 

-...Além disso, ela é tão cabeça dura que mesmo que se alguém jogasse  uma montanha na cabeça dela, não quebrava.

 

Pronto. Agora eu o estava reconhecendo. Me aproximei para xinga-lo, mas ele mantinha um sorriso nos lábios, e eu percebi que apenas tinha sido irônico. 

 

-É da minha vida que estão falando... será que posso participar da conversa!

 

Para meu espanto ele virou as costas e começou a caminhar em direção a outro lado, simplesmente me ignorando. Ah, mas ele não ia me fugir assim...tão fácil.

 

-Pode parar ai! –segurei seu braço.

 

Ele me encarou seco. Gelei. Pela primeira vez notei que os olhos castanhos dele eram intensos.. lindos.. não... estava vendo coisas!

 

-Quero saber como se chama? Ou como posso chama-lo!!!

 

Achei que ele não fosse me responder, mas surpresa o vi respirando fundo e falando.

 

-Pode me chamar de Chefão!

 

-Vai te danar!

 

-Olha a boca, Emma – Disse Fogo Branco.

 

-Que nome achas que combina comigo?- ele sorriu.

 

-Não sei... sinceramente não sei.

 

-Acho melhor você não saber meu nome.

 

-Por que?

 

-Porque será o melhor para você.

 

Abaixei a cabeça. Percebi que ele nunca seria meu amigo. Eu estava sozinha lá naquele lugar, e nem ele nem Fogo Branco seria meus companheiros.

 

-Fale um nome, e pode me chamar por ele.

 

-Já disse que não consigo imaginar um nome para você.

 

Senti seus dedos no meu queixo, ele o ergueu e me fez encara-lo.

 

-Você tem lindos olhos Deusa!

 

Quase engasguei.

 

-São azuis. Minha mãe é descendente de europeus, e eu puxei por ela...

 

Ele sorriu. Percebi que estava fazendo papel de boba. Puxei meu rosto e voltei caminhando em direção a Fogo Branco, que apenas nos olhava curioso.

 

-Pode me chamar de Endy.

 

Voltei-me rapidamente para ele.

 

-É seu nome verdadeiro? –perguntei esperançosa.

 

-Não! –Ele negou- mas é parecido. – e virou-se caminhando em direção a mata.

 

Eu sorri. Pelo menos agora eu teria um nome pra chamar meu guardião.

 

Naquela noite sonhei com ele...

 

Continua...

 

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