O Pilar
Capitulo IV
Por Josiane
Veiga
Fogo
branco me olhou como se eu pudesse fazer algo, como se esperasse que eu
fizesse.
-Não
vai fazer nada?- enfim ele perguntou.
Eu
havia explicado pra ele que não sabia lutar. Mas naquele momento percebi que ele
não havia acreditado em mim. Minha cabeça girou... estávamos perdidos. Iríamos
morrer na mão da espadachim.
-Eu
não sei o que fazer!
Achei
que ele fosse morrer. Entendo que ele esperasse que eu mostrasse as minhas
habilidades..só que eu não tenho nenhuma.
-Mostre
o que você aprendeu no treinamento – ele insistiu
-Treinamento?
-Meu
Zeus, você não sabe mesmo lutar?
-Eu
não...achei que você soubesse...
-Eu
não sei... sou apenas um guia.
-Então
o que vamos fazer???
-Correr!!!!!
Nunca
obedeci tanto alguém em toda a minha vida. Corri para o sul, onde se iniciava
uma floresta com arvores corpulentas. Mas... olhei para o lado e não vi Fogo
Branco. Deus, o tinha perdido d vista. Transtornada, escutava a voz de Rally
atrás de mim, gritando que me mataria. Foi nesse momento que tropecei em cima
de uma pedra, caí e bati a cabeça. Desmaiei.
Quando
finalmente acordei já estava escuro. Estava deitada sobre um cobertor, e tinha
uma fogueira na minha frente, me aquecendo... estava muito confortável. Não
fiquei nervosa porque Fogo Branco dormia tranqüilamente do meu lado. Que tigre
útil. Alem de me fazer um curativo na cabeça, tinha despistado Rally e ainda me
fazia de companhia.
-Até
que enfim você acordou!
Da
mata vinha um rapaz com uns pedaços de madeira na mão. Ele colocou as madeiras
na fogueira e me encarou. Era alto, tinha cabelos castanhos e olhos da mesma
cor de mel. Vestia uma roupa escura que ficava bela em contraste com a pele
clara. Sua voz não tinha despertado apenas a mim, Fogo branco também acordou. O
Tigre olhou para o rapaz.
-
Não imagina como foi bom você aparecer. – disse o felino
-Quem
é você? – perguntei, espantada com o grau de intimidade do Tigre com o rapaz.
Mas
ele nem me deu atenção
-Essa
é Deusa? – perguntou a Fogo Branco
-Sim.
-Não
acredito. Ela é ...idiota demais pra ser uma guerreira.
O
que??? Como aquele infeliz falava assim de mim?
-Eu
também não entendo... ela não foi treinada, parece que não esta se preocupando
com nada... Mal consigo acreditar que ela é Deusa.
Ótimo!
Agora Fogo Branco se aliou a ele.
-Esperem
um pouquinho! – falei- podem parar de falar de mim desse jeito??? Eu não sou a
Deusa! Nunca tive obrigação nenhuma de ajudar vocês. Portanto é melhor parar de
me encher porque eu estou aqui de boa vontade.
-Como
assim? Você não é Deusa? Quem é você? E a sua marca de Fênix?
Então
contei-lhes a historia. Desde a hora que peguei o maldito livro na biblioteca
ate aquele momento. Quando terminei o relato, os dois me olharam divertidos.
-Eu
não disse, Fogo Branco? Ela é uma completa irresponsável...
-Que
asneiras...
-Mas
uma coisa não se pode negar... – disse o rapaz- você tem uma imaginação muito
fértil. Ah, só uma coisinha... o que é escola?
Tremi
de raiva. Estavam me tratando como criança. Emburrada virei de costas pros dois
e voltei a deitar. Queria dormir. Estava cansada.
-Se
não é Deusa como passou pelo portão? – perguntou Fogo Branco.
Não
respondi. Logo ouvi um suspiro vindo atrás de mim. Era aquele cara irritante.
-Ela
é uma covarde, esta com medo de Abel e quer escapar de qualquer jeito.
Não
agüentei e respondi aquele maldito.
-Alguém
já lhe disse que você é insuportável?
Aquelas
palavras o chocaram. Seus olhos brilharam de raiva. Parecia que ninguém nunca
tinha falado com ele assim. Pelos olhos de Fogo Branco eu vi que o tigre tinha
medo que ele me matasse. Mesmo assim, fiquei firme.
-
Você foi muito audaciosa, Emma, peça desculpas – percebi a apreensão em Fogo
Branco.
-Não!!!
O
Rapaz encarou Fogo Branco.
- Não
confio nela. – disse apenas.
- E
daí? – eu gritei- o que me interessa se você confia ou não em mim??? Vá pro
inferno com a sua confiança!
Ele
não me respondeu, saiu dali e voltou a floresta.
-É
um idiota! – resmunguei
-Você
não devia falar assim com ele – Fogo Branco me reprovou- Ninguém nunca o
recriminou.
-Deve
ser por isso que ele é tão arrogante.
-Ele
salvou sua vida! Se não fosse por ele, eu e você estaríamos mortos agora. Ele
matou Rally.
Que
dor na consciência. O que eu fui fazer?
Queria pedir desculpas... mas o rapaz havia sumido e eu não o vi mais
durante aquela noite.
Continua...