O Pilar
Capitulo XIV
Por Josiane Veiga
Abel
era um homem grande e forte. Mantinha uma postura ereta e autoritária.
Claramente era um homem acostumado a comandar. Ele tinha longos cabelos loiros
e olhos amendoados.Olhos estes que sequer levantaram-se quando eu e Sayas
adentramos pelo templo.A pele dourada o fazia realmente uma visão bela. Mas
também perigosa.
Ele
bebia um conhaque sentado em um belo trono. Parecia pensativo e sua figura
lembrava os reis, mas era muito mais imponente.
-Você
demorou... Eu a estava esperando a muito tempo.
Perdi
o ar. Ele encarou-me com um ar serio e
eu imaginei que não seria fácil a conquista do cristal.
-Emma-
Sayas alertou-me- fique atrás de mim.
Eu
obedeci. Olhando meu amigo, pensei na nossa ultima semana. Desde que havíamos
fugido do castelo de Endy, íamos de encontro a Abel, ele tinha sido a pessoa
mais doce e compreensiva do mundo. Provou sua lealdade ouvindo-me e
consolando-me. Sempre que o sol se punha era ele que arrumava o melhor lugar
para descansarmos e depois acendia a fogueira e contava historias tentando
alegrar-me como se alegra uma criança.
Uma
semana. Já havia se passado sete dias deste que eu fugi de Endy. E a dor das
palavras de Layla eram tão fortes como se tivesse sido proferidas a poucas
horas.
-Você
é Sayas! O ladrão! – Disse Abel divertido.
-Sim,
sou eu!
-E
você a trouxe para mim? Quanto vai me custar a bela garota?
-Não
a estou vendendo. Vim ajudá-la.
Ele
riu.
-Não
me diga que se apaixonou por ela? Quanta ingenuidade... os humanos realmente
são patéticos.
-Não
vou explicar a você o que existe entre nós. Você nunca entenderia o que é
fraternidade.
Quando
Sayas disse essas palavras eu senti muito orgulho dele. O rapaz loiro que
tentou me seqüestrar a um tempo atrás havia se tornado meu amigo, meu irmão! O
que existia entre eu e ele estava fora do entendimento de pessoas como Abel ou
Endy.
-Abel,
eu quero o Cristal do Fogo!- falei séria.
Ele
gargalhou. Deixou claro que se estava achando engraçada aquela situação, agora
achava mais.
-É
claro que quer!Mas pelo que pude observar você não sabe lutar. Isso me
surpreendeu porque achei que estivesse preparada para esta missão... e sem
poder contra mim, como acha que vai conseguir o cristal?
-Eu
sei lutar!- disse Sayas assumindo para si a responsabilidade.
-E
você acha que um humano ridículo vai vencer um Deus?
Havia
verdade nas palavras dele. Sayas era valente e forte, mas provavelmente não
teria forças para enfrentar Abel. Meu coração corroeu-se. Senti medo pelo meu
companheiro, mas ao mesmo tempo sabia que precisava confiar nas habilidades
dele.
-Eu
vou tentar!
Abel
pareceu surpreso com a coragem de Sayas.
-Não
será necessária esta luta, Abel!
A
voz que pronunciou esta voz vinha de uma penumbra. O dono dela saiu da
escuridão e se aproximou de nós. Eu não precisava vê-lo para ter certeza que
pertencia a Endy. Mas mesmo assim, ao observar seu rosto meu coração disparou.
Ele vestia uma roupa negra, que contrastava com a sua pele pálida. Pálida ate
demais, eu pensei, preocupada com ele. Dirigindo-se ate Abel, parou a frente
dele. Os dois trocaram olhares duros, mas os olhos de Abel logo suavizaram.
-Mas
o que esta menina tem que todos os homens a querem defender?
Endy
sorriu para Abel. Os dois juntos não pareciam que combinavam em sua grandeza. Endy
não perdia em nobreza a Abel. Endy não respondeu a pergunta do ser sagrado mas
virou-se para mim.
-Lis
ouviu a conversa que você teve com Layla. Se tivesse ficado eu poderia ter
explicado. Você errou em ter fugido do castelo.
-Explicado
o que?-gritei furiosa- que você mentiu?
-Sim...
eu menti. Mas eu tinha um motivo.
-Que
motivo?
Ele
mordeu o lábio inferior. Levantou os olhos de mim e encarou Sayas.
-Eu
fico feliz que você esteja bem Sayas. Pelo menos meus curandeiros deram um
jeito em você.
Sayas
não respondeu, mas me olhou. E foi ai que eu perdi a paciência.
-Qual
era o seu maldito motivo, Endy?
-Endy?-Abel
se surpreendeu com o nome.
Não
era novidade. Todos deviam conhecer a verdadeira identidade de Endy. Menos eu
que havia dividido a cama com ele.
-Eu
gostaria de falar a sós com ela.- falou a Abel
-Ela
é minha inimiga, mas você a trata como se fosse alguma preciosidade. No começo
achei que estava brincando. Mas você não a matou como era o combinado. Aliais,
não só permitiu que ela continuasse viva como também a protegeu e a deixou
chegar aqui. Eu estou muito decepcionado com você.
Meu
coração saltou. Ele devia me matar? O homem a quem eu amava devia ter tirado
minha vida? Senti as mãos de Sayas em meus ombros tentando me acalmar. Por mais
que eu não reagisse na presença dos dois, Sayas sabia que eu estava fervendo
por dentro.
-Posso
falar a sós com ela? – ele repetiu a pergunta sem transparecer preocupação.
Abel,
impaciente, foi até uma porta e a abriu. Era uma sala de estar. Endy se aproximou
de mim, pegou minhas mãos e praticamente me arrastou até a sala. Sayas
acompanhou tudo com os olhos. Até ele percebeu que eu e Endy precisávamos
conversar.
Quando
ouvi o som da porta se fechando virei-me da direção dele, sedenta pela verdade.
-Você
ia me matar?
Ele
não pareceu surpreso com a pergunta.
-Na
verdade, quando se cumpriu à profecia eu pensei em me divertir um pouco. A vida
para mim era muito chata e monótona. Nunca havia matado um humano e isso era
raro para minha posição. Então foi que tive a idéia de apostar com os Deuses
que a Deusa de sustentação do povo trancafiado não sobreviveria quinze minutos
ao sair da muralha. Era do interesse de todos que O Pilar fosse morto, então
todos concordaram com a minha brincadeira.
-Meu
Deus, como você é frio.
Ele
parecia incomodado com a minha observação. Mas preferiu não se defender e
apenas continuar.
-Fogo
Branco não é um guia. Ele não devia ter te ajudado, mas diante das
circunstâncias não tive escolha. Eu o levei até o portão para atacar você e
fiquei observando de longe. Mas quando eu ti vi... eu não sei explicar... mudei
de idéia, e passei as informações a ele, para que ele se fingisse de aliado.
-Não
posso acreditar que aquele tigre arrogante aceitou isso.
-Fogo
Branco é o meu tigre! Ele me obedece! Admito que ele não gostou quando
inventamos tudo aquilo.
-Inventaram?
-Sim..
foi tudo mentira. Quando não matei você Abel enlouqueceu e mandou vários
imperadores malignos. Ele ficou mais possesso ainda quando matei seus
guerreiros pra defendê-la.
Eu
tentava absorver todas aquelas informações. Agora as coisas começaram a fazer
sentido.
-E
Layla? Ela também foi mandada por Abel?
-Não,
ela é uma serva de minha mãe.
-...e
sua namorada?
Ele
negou.
-De
jeito nenhum. Ela faz parte do meu passado. Nós já tivemos um caso mas acabou
bem antes de eu conhecer você. Precisa acreditar em mim... eu nunca a amei e eu
sei agora as coisas que ela disse a você... mas ela distorceu tudo.
-Você
é um Deus?
A
pergunta crucial havia chegado. Eu o vi andando de um lado para o outro, como
se quisesse arrumar uma melhor maneira de me contar o que eu já devia ter
percebido a muito tempo.
-Depois
que eu conheci você tudo que eu queria ser era um humano.
-Isso
é um sim?
-Eu
sou Eros, o Deus do amor.
Meu
chão sumiu! Eu conhecia um pouco de mitologia e sabia que era Eros. Sabia que
não podia ser alguém tão arrogante. Mas não podia negar que coisas se fechavam.
A mãe tantas vezes citada... era Afrodite, a Deusa da beleza. Os servos do
castelo, todos era de uma fisionomia bela demais, parecia que tudo lá devia ser
o mais formoso, nada podia entrar em desarmonia com a divindade. E aquele
domínio que ele exercia sobre mim. Só alguém que pudesse dominar o amor podia
me dominar tão facilmente.
-Eros...?
-Endy
é parecido. Foi o que eu lhe falei. Pelo menos nisso eu não menti – ele deu um
sorriso triste.
-Mas
por quê? Por que fez tudo isso? Por que provocou a ira dos deuses? Por que não
me matou?
-Você
não percebeu ainda?
-Perceber
o que?
-Que
eu amo você.- ele sussurrou.
Eu
mal conseguia acreditar naquelas palavras. Não podia ser verdade, porque aquele
homem cercado de mulheres tão maravilhosas podia sentir algo por mim? Eu, uma
garota tão sem graça, tão sem atrativos, como conseguiria chamar a atenção de
um Deus...???
-Como?
–Consegui pronunciar após o susto da confissão.
-Que
bela ironia. Eu fui flechado com as minhas próprias flechas. Quantas vezes
gostei de me divertir as custas de amores impossíveis. Fazia filhos de inimigos
se apaixonarem, pessoas com outros compromissos suspirarem de amor por alguém
que não era pra elas. Mas quando vi você pela primeira vez talvez eu tenha
percebido que meu poder é maior do que eu. Não pude nem ao menos o controlar, o
talvez eu nunca tenha o controlado. Eu me apaixonei por você praticamente a primeira vista, mas jamais admitiria.
Sayas apareceu e eu fiquei louco de ciúmes, porque era claro que você se
simpatizava com ele. Armei aquela cena no rio. Era obvio que eu sabia que
aquele era o rio dos sacrifícios, mas eu queria beijar você e não tinha outra
maneira...
-Então
por que foi com Layla quando ela apareceu?
-Eu
estava assustado. Eu nunca havia amado ninguém na minha vida até encontrar
você.
Ele
passou as mãos nos cabelos castanhos. Era lógico que estava sem jeito para continuar,
mas agora não havia como voltar atrás.
-Eu
tentei me enganar que podia ficar longe de você..mas não deu... Então fui te
procurar e te levei ao castelo. Queria você por perto, nem que fosse pra sentir
seu cheiro, ouvir sua voz... e naquela noite que eu fui ao quarto eu não quis
abusar de você, na verdade eu só quis conversar. Mas quando te vi, de toalha na
minha cama, eu não consegui evitar. Eu precisava sentir teu corpo.
Eu
enrubesci. Aquelas palavras, ditas de maneira tão baixas e quentes me transportaram
novamente para o quarto onde eu havia me entregado a ele. Mas movi a cabeça
afastando os pensamentos e tentando me concentrar no que ele ainda havia de me
contar.
-De
manhã eu levantei disposto a nos acertarmos de uma vez por todas.Iria pedir que
ficasse comigo para sempre, que fosse a minha mulher... mas durante o café da
manhã lembrei que queria explicações de Layla sobre o que ela fez com Sayas.
Após ter uma conversa difícil com ela
fui caminhar pelo jardim para tentar ganhar forças de falar com você. Mas
quando voltei já não te achei mais. Foi então que Lis me contou da conversa que
você teve no corredor com Layla. Eu quis matá-la porque entendi o quanto ela te
magoou.
Tudo
aquilo que ele me contava era chocante demais. Era incrível demais. E era
maravilhoso também. Eu quis correr pros seus braços e lhe beijar, mas ele ainda
não havia acabado.
-Lis
me contou que você chorou.. então eu pensei que talvez eu tenha tido um pedaço
do seu coração, mesmo que pequeno.
-Não
Endy...
Endy?
Me interrompi naquele momento... não era assim que eu devia chamá-lo mais. O
olhei e ele parecia triste pela minha negativa. Então eu ri e ele me olhou
surpreso.
-Não
Eros... você não tem um pedaço pequeno...você tem ele todo.
Ele
parecia não acreditar.
-Você
me detesta.
-Eu
te amo seu idiota! Como você nunca percebeu isso? Chorei dia e noite por sua
causa, e na noite em que eu fiz amor com você ... eu ...
-Achei
que fosse só desejo. –ele me interrompeu.
-É
muito mais do que isso.
Eu
sabia que só palavras não iriam convencê-lo, então me aproximei e o beijei.
Senti sua boca quente, sôfrega ao contato com a minha. Eu sabia que ele estava
sedento de amor, e oras, eu também estava! Pela primeira vez eu podia beijá-lo
sem medo de que ele descobrisse o que eu sentia por ele. Quando nossas bocas se
desuniram eu perguntei.
-O
que vamos fazer agora?
-Vou
ver como resolvo tudo com Abel.
Ele
me pegou pela mão e pela primeira vez eu sabia que podia confiar nele. Antes de
ele abrir a porta ainda trocamos um olhar apaixonado. O que eu não sabia era
que aquele olhar podia ter sido o ultimo. Porque quando a porta se abriu, tudo
aconteceu.
E
eu achei que fosse morrer de tristeza...
Continua....
Nota
da autora: É eu sei que eu fiz a Emma sofrer muito, mas se eu não fizesse eu
não ia dar jus a minha fama de autora de novela mexicana, ne? Hehehe... gente,
mais uma vez quero agradecer os reviews e os emails. Ele ta acabando. O próximo
é o ultimo capitulo e eu vou postar ele e o epílogo junto. Nem sei como
agradecer todo o carinho e respeito que
eu estou recebendo de todos vocês. Este capitulo quero dedicar a Sandy que é
minha beta e que eu repito, me ajudou a voltar a escrever. A Hyuri que como eu
detesta a Layla. A Yume e a Bell que acompanham cada detalhe... valeu meninas...eu
também gostei do lemon. Ao Carlos, que imprimiu todos os capítulos e foi ler no
metrô.. hehehe... qse engasgou quando chegou no capitulo 12, hem??? Hehehe...
enfim...a todos que estão acompanhando.