O Pilar

 

Capitulo I

 

Tudo começou num verão muitos anos atrás. Numa manhã simples de verão, estava eu acompanhando uma aula de português. Tinha 17 anos... Formando-me no ensino médio. Pensava em fazer vestibular, só não sabia para que. Perdida em um mundo que eu não considerava meu...Era assim que eu me sentia...  Quando se é uma adolescente se tem muitas idéias confusas. Existe um mundo a desbravar, uma vida a viver... E eu não tinha certeza absoluta que a queria.

 

-         -         Todos para a biblioteca – disse a professora.

 

Tenho horror a biblioteca. Não existe nada mais chato que uma biblioteca. Aqueles montes de livros cheio de traça.

 

-Adoro a Biblioteca – Era a minha amiga Ana.

 

-Eu odeio – respondi em troca

 

-Ai Emma, não fala assim, você precisa é encontrar um livro legal... Daí descobrira  o mundo fantástico da literatura...

 

Fechei a cara. Odiava livros. Assim que chegamos a biblioteca a professora começou a dar as suas ordens.

 

-Bem, isso aqui é uma biblioteca, pra quem não sabe – avisou a professora, despertando um sorriso dos mais atentos – e vocês estão encarregados de encontrar um livro pro trabalho de português.

 

Os ratos (como são chamados os alunos que gostam de ler) correram em direção as prateleiras. Já os desinteressados – como eu – ficaram imaginando como escapariam dessa.

 

“– Perda de tempo – pensei – Mas vai se fazer o quê?”

 

E lá fui eu, em direção aos montes de livros. Mais animada que um gato diante de um cachorro... Mas eu não sabia que naquele momento minha vida ia mudar.

 

-Encontrei! – Exclamou Ana, pegando “Vidas Secas” de Graciliano Ramos nas mãos.

 

Meu Deus, minha amiga era um ET... daqueles que fazem você se sentir um lixo tamanha a sua inteligência...

 

-Você esta louca? – perguntei

 

Mas ela não me escutou. Com os olhos brilhando, saiu dali saltitando com “Vidas Secas” entre os braços, como se fosse algum prêmio misterioso.

 

Pasma ainda falei baixinho:

 

-Mas que ótimo, minha amiga é um rato.

 

Mas algo chamou minha atenção antes que eu reclamasse mais. Num canto escuro, havia um pequeno livro, com uma capa aveludada, vermelha. Aproximei-me, peguei-o e antes que conseguisse tomar qualquer atitude, notei alguém atrás de mim.

 

-Puxa, que bom que você já escolheu um livro, Emma! – era a professora.

 

“-O que? Ela esta louca se acha que vou ler um livro deste tamanho!”

 

-Você já tem idade pra começar a ganhar responsabilidades. Eu me preocupava com a sua falta de vontade em relação a literatura...  Mas agora vejo que quer mudar.

 

-...

 

-Pode retirá-lo com a secretaria. – e a escravizadora de cérebros ainda olhou o titulo do livro que eu tinha nas mãos. – “O Pilar”, nunca ouvi falar, mas espero que goste.

E lá me fui eu, para a mesa da secretaria da biblioteca. Retirei o livro e fui pra sala de aula.

 

Desanimada comecei a lê-lo.

 

“ A milhões de anos atrás, na época que a Terra era governada por Deuses, Hades o Deus do Inferno, trancafiou o único povo que fazia o bem, em uma localidade no centro da Terra. Ao seu redor havia muralhas indestrutíveis, e um pequeno rio corria entre uma fenda no muro para dentro da pequena cidade. Dessa maneira, com a água e a terra, eles plantavam e conseguiram sobreviver todos aqueles anos de reclusão.  Mas um profeta, havia dito que nasceria uma menina, que seria chamada de Deusa, e ela seria a escolhida para salvar aquele povo. Teria um sinal (a ave Fênix) na mão direita. Ela era um presente de Zeus para que os demais tivessem a salvação. Seria um ser celestial que tinha poderes pra traspassar o muro e iniciar uma jornada atrás do cristal do Fogo, que ficava no Oráculo de Abel. A menina seria chamada para sua missão assim que tivesse 17 anos.”

 

Fechei o livro. Já havia percebido que era um conto de fadas e daqueles bem chatos por sinal! A protagonista, uma adolescente boazinha e boba teria que salvar o povo contra os bichos feios e maus, e no final apareceria um belo príncipe, doce e gentil, os dois se apaixonariam assim que se vissem. Se casariam e seria felizes para sempre.  Que chatice! Isso não existe e nunca vai existir!

 

Cheia de preguiça me desbruçei em cima do livro... fechei os olhos um pouco, para cochilar... mas algo aconteceu nesse momento. Mas como vou explicar? O Mais fácil e simples seria dizer que quando abri os olhos não estava mais na sala de aula. O  lugar era estranho. Era uma aldeia com casas simples feitas de madeira, com seu teto coberto de palhas. Com algumas arvores no centro , parecendo uma praça e uma enorme muralha ao redor. Assustada, olhei-me. Tinha roupas estranhas. Um vestido longo, branco. Calçava sandálias e os meus cabelos soltos, estavam mais compridos.

Hipnotizada com o que via, fui trazida de volta a realidade por uma voz atras de mim.

 

-O que houve minha querida?

 

Virei e fitei-o . Era um ancião, mantinha um sorriso nos lábios e me olhava com curiosidade.

 

-Senhor, por favor, onde estou?

 

Ele me olhou serio.

 

-Como? Do que esta falando Deusa?

 

Aquilo reagiu em mim como um soco.

 

-O que? Deusa? Desculpe, eu não sou Deusa nenhuma.

 

-Menina, pare d falar besteiras!

 

Assustada, implorei para que me explicasse. Mas antes que ele começasse a falar, me veio a compreensão. Sim, o impossível aconteceu! Eu havia sido transportada para dentro de “O Pilar” e, agora era Deusa, a personagem principal.

 

Continua...

 

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