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HISTÓRICO DO INSTITUTO JOSEFINO |
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O Instituto Josefino ou Congregação das Josefinas, com sede em Fortaleza - Ceará - Brasil é a concretização de um ideal de Mons. Luís de Carvalho Rocha que foi cura da Catedral Metropolitana de Fortaleza, nos anos de 1925 a 1949.
Monsenhor acompanhando os horrores da perseguição comunista no México, onde foram vítimas do ódio comunista o Rev.mo. Padre Miguel Pró Juarez, SJ e as senhoritas Maria de La luz - catequista, e Juliana Olasar professora, devido a proximidade dos dois países, temeu que essa perseguição chegasse até o Brasil.
Lendo Matinas, na oitava dos Santos Inocentes, dia 04 de janeiro de 1933 - teve a inspiração divina de fundar uma Congregação Leiga de Moças que não usando hábito e nenhum distintivo que as identificasse como religiosas, pudessem assim prestar grande apoio, indo ao encontro dos sacerdotes e cristãos perseguidos.
Lembro aqui, a primeira hora da idealização do Instituto Josefino.
Seis horas da manhã, à porta da sacristia da Catedral, um lindo e inesquecível diálogo de Monsenhor Luís Rocha, com Rosita Paiva, aquela que juntamente com ele seria mais tarde os pilares sobre os quais se firmaria o Instituto Josefino.
- Bom dia, a benção Monsenhor!
- Bom dia, Deus te abençoe, Rosita. Tu sabes que não dormi esta noite?
Hoje é a oitava dos Santos Inocentes; esses meninos não me deixaram sossegar. E perturbaram-me dando-me a idéia de reunir algumas de vocês (um grupo de Filhas de Maria que ele trabalhava na catequese evangelizadora na Paróquia da Catedral) e fundar uma Congregação Religiosa. Tu estás pronta para isso? Mas vai guardar segredo. Não dirás a ninguém, nem às outras companheiras que vou convidar, de uma por uma.
- Estou pronta, sim, Monsenhor, e prometo o sigilo exigido. Quando será?
- Día 06, depois de amanhã, festa dos Reis, Epifania. É dia santo; no Paroquial às 13 horas.
- 06 de janeiro de 1933. Uma cena muito original. Aos poucos apareciam, uma moça, outra moça, sempre de uma em uma. Cada qual sorria à entrada, porém todas guardando o silêncio querido.
14 horas. Entra Monsenhor no salão nobre da Casa Paroquial Jesus, Maria, José. Admira-se com o número, 25 presentes. Reza o Veni, 1 Ave Maria e a invocação a São José. Silêncio completo por parte das presentes. Em seguida fez que todas repetissem em forma de juramento: "Juramos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos nossos destinos eternos, que não falaremos do que vamos ouvir, senão entre nós mesmas". Monsenhor falou do seu plano, um Castelo, assim o chamava, porque não seria posto em prática.
Senhoritas Josefinas - chamar-se-iam os membros da Congregação Religiosa Leiga, colocada sob o patrocínio de Jesus, Maria e José. Apresentou as regras da Congregação e sua finalidade - Amar a Deus e fazê-Lo conhecido e amado.
Meios para atingir essa finalidade Josefina:
Monsenhor combinou que usaríamos um crucifixo preso em um torçal vermelho, lembrando o martírio. Marcou o dia da imposição para o dia 29 de janeiro. Vieram 35. O mesmo juramento de silêncio. Soleníssima reunião.
Com aspecto nobre, grandemente digno de uma imolação, Mons. Luís Rocha ajoelhou-se e todas se ajoelharam também. Houve uma vibração a sacudir a todas. Ele fez um voto, expressou um desejo veemente, um pedido solene para sermos testemunhas de que ele gostaria de ser mártir de fuzilamento como Pe. Pró. Depois, Monsenhor recitou, em voz alta, com grande entusiasmo, o ato de compromisso, impondo-se o crucifixo pendente de torçal vermelho. Grande sílêncio e forte emoção. Naquele momento estava plantada e bem enraizada a árvore que nenhum vendaval derrubaria - O INSTITUTO JOSEFINO.
Monsenhor passou a reunir as senhoritas josefinas meditando com elas a cada mês e dando-Ihes diretrizes para suas vidas. Recomendava que fossem à missa diariamente e comungassem. Insistia em que continuassem viver incógnitas essa vida de consagração. Levou-as reunidas até julho de 1936. Foram ao todo 25 conferências.
Depois, Monsenhor não falou mais em fundação. Confiou às josefinas todo o catecismo paroquial, centros cateqéticos nos diversos pontos da paróquia, Obras Sociais como o Berço do Pobre, um Externato para crianças; a Adoração diurna do SS. Sacramento, a Obra das Vocações Sacerdotais, a Obra da propagação da Fé e da Santa Infância.
Segue-se, então um período de misterioso silêncio a respeito do Instituto tão sonhado. Muitas resolveram seguir outros caminhos, porém um pequeno grupo de sete continuou firmes ao ideal primeiro.
Com a morte de Mons. Luís Rocha a 11 de setembro de 1949, o grupo, liderado por Rosita Paiva se propôs levar ao conhecimento do Arcebispo de Fortaleza, na época Dom Antônio de Almeida Lustosa, a inspiração que Monsenhor tivera, mas que não fora dado concretiza-la. Dom Antônio, um santo homem de Deus, ao ler a missiva que Ihe foi enviada, interessou-se vivamente pelo assunto e desejou falar pessoalmente com um dos membros do grupo. Todas optaram a ser Rosita a pessoa indicada para dar os esclarecimentos desejados. O Arcebispo, após tê-la ouvido, falou: "Não há dúvida de que Mons. Luís Rocha teve uma inspiração divina". Então, tomou sobre si a tutela das Senhoritas Josefinas, dizendo: "De agora em diante eu irei substituir Mons. Luís Rocha. "Em seu zelo de santo Pastor, procurou elaborar com elas as primeiras Constituições do Instituto Josefino, "ad experimentum". Passou a fazer conferências semanais para o grupo, e já em 19 de março de 1953 deu-se a entrada no Noviciado das sete primeiras que haviam iniciado o Instituto Josefino em 1933 e mais três novas candidatas.
Assim, com as bênçãos do bom Deus, nosso bom Pai do céu, de Maria e de São José, o padroeiro do Instituto Josefino , ele foi crescendo e se irradiando em pequenas casas na cidade de Fortaleza. Novas vocações foram surgindo e logo foi necessário uma casa para as candidatas que iam chegando. Eram pessoas humildes do interior do Estado, porém, bem convictas do que estavam querendo e bem orientadas por Párocos amigos e de comprovado amor a vida religiosa. Foi aberta em 21 de novembro de 1953, uma casa para o postulantado, em Messejana e em 25 agosto de 1954, uma outra para o aspirantado em Parangaba.
Crescendo o número das Josefinas, sempre disponíveis aos trabalhos com os padres nas Paróquias, pela sua vida simples e humilde que as identificava como o povo, foram surgindo pedidos de casa para o interior do Estado: Aracoiaba, Pacatuba e até para outras Dioceses, Ibiapina, Massapé, Coreaú e demais cidades. Em julho de 1962, as Josefinas já partiram em missão para a Prelazia de Pinheiro, no Maranhão. Foram abertas duas casas, uma em São Bento, exclusivamente missionária e outra na sede da Prelazia Pinheiro -com finalidade educativa e missionária. Rosita, sempre atenta ás necessidades da Igreja e obediente aos pedidos dos Srs. Bispos, foi abrindo casas josefinas nos Estados de: Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte.
Em 25 de maio de 1963, já depois de Dom Antônio ter renunciado o governo da Arquidiocese de Fortaleza e estando como Arcebispo Dom José de Medeiros Delgado, nos chegou de Roma a aprovação do Instituto Josefino ou Congregação das Josefinas, de direito diocesano.
A frente do governo da Congregação, sempre esteve Rosita, como Superiora Geral. Mulher possuidora de grandes virtudes: fé, inabalável, abandono às mãos da Divina Providência, amor filial a Nossa Senhora e a São José, dedicação total aos pobres e marginalizados, zelo, respeito e dedicação aos sacerdotes.
Com a renüncia de Dom José Delgado, assumiu a governo da Arquidiocese, Dom Aloísio Lorscheider, em o5 de agosto de 1973. As josefinas contìnuaram servindo na residência Arquiepiscopal, onde haviam iniciado logo à chegada de Dom José Delgado. O novo Arcebispo acolheu com carinho as Josefinas e Rosita continuou com ele e o bom relacionamento que tivera com seus antecessores. Ela repetia sempre: "O pedido do meu Arcebispo é uma ordem para mim".
A pedido de Dom Aloísio, enviou a primeira turma de Josefinas para a Prelazia do Acre - Purus em setembro de 1976.