.

 

Naquele quarto acanhado,

minguado,

o tempo passou,  nem sentimos...

 

De bruços, deitada, dormitavas,

dedinho na boca, tão alfenim.

Acobertada, resguardada, protegida,

por aquele manto vermelho, carmim...

 

Cheguei à janela, cigarro na boca.

O dia se ia, o sol já se pondo,

e eu espiando, e recordando,

o momento inefável,

feliz, inegável.

 

Tu te virastes,

chamou-me baixinho,

com voz bem suave,

mostrando carinho.

 

Mirei-te, pachola e extenuado.

Teu corpo deitado, suado,

teu braço estendido,

buscava meu corpo,

exangue e exaurido.  

 

E eu, num anseio,

joguei-me ao teu lado

e abeberei-me

com a seiva de teu seio.

 

 

José Maciel

 

 

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