NO ESCURO...
 

Não acenda a luz, meu bem,

fiquemos nesse enlevo,

quietinhos, pensando, lembrando,

 dos nossos momentos de amor...

 

Continuemos nosso sonho,

nosso vôo imaginário,

nosso mergulho no mar,

as andanças pela terra.

 

Sentindo o orvalho das nuvens,

o vento batendo no rosto,

o gosto da água salgada,

a poeira em nossos pés...

Tudo aquilo que vivemos,

naquele sublime momento,

em que nosso pensamento,

voou a todo lugar.

 

Não quero que acendas a luz,

pois vais rir de minha face,

uma expressão tão alegre,

o corpo todo suado,

cabelo alvoroçado,

um sorriso alargado,

os olhos arregalados,

do prazer que eu senti.

 

Também não quero sorrir,

ao ver teu rosto cansado,

porém tão iluminado,

o que é normal em ti.

Tuas faces avermelhadas,

com o roçar de minha barba,

como em outras vezes eu vi.

 

Somos, eu sei, dois bobocas,

dois seres extenuados,

amantes, apaixonados

eternos enamorados.

 

Mas, um abraço, um beijinho,

um descanso, um minutinho,

basta um toque de carinho,

um beijinho em tua nuca,

mordida no pescocinho,

para voltarmos felizes,

ao nosso sonho real.

 

Nosso encontro sexual.

 

José Maciel

 

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