Quando
te falei ao telefone,
senti tua voz tremular...
Por quê?
Emoção, atração?
Não consegui decifrar...
Perguntei e você
não me soube responder.
Só que gostava de me ouvir,
e minha voz te fazia viajar.
Aquilo me pareceu uma deixa...
E eu, covardemente,
me aproveitei
do seu momento
de fraqueza.
Senti que você de mim queria,
ouvir frases, que te enlevassem...
que te fizessem vibrar de prazer...
E eu fui falando,
percorrendo o teu corpo,
com palavras.
Você se deleitando,
gemendo, resmungando,
e eu sonhando,
imaginando,
que aquilo tudo
poderia ser real...
E o que eu descrevia,
do amor que te fazia,
toque a toque narrando,
aumentava meu desejo
que um dia, não tão distante,
eu estarei frente a frente,
olho no olho, boca na boca,
pelo teu corpo Navegando !
Soltando as amarras
que te prendem,
no cais da desilusão.
Levando-te para o alto mar,
por grandes ondas
velejando
sem ter pressa em voltar.