
José CLAUDIO C. de Oliveira
Técnico em Saneamento
Anualmente, quando chega a época invernosa, aparecem os problemas das enchentes, com bueiros, riachos e galerias pluviais transbordando.
As causas citadas são sempre as mesmas: chuva em excesso; falta de manutenção das galerias e bueiros; descaso dos serviços públicos municipais e por fim a construção indiscriminada de casas nas margens dos rios e riachos, causando a obstrução dos seus leitos e por conseguinte o livre escoamento do excesso de água das chuvas.
É obvio e elementar que todas as causas citadas são consideradas verídicas, entretanto, é necessário analisar com mais profundidade as causas e os efeitos, através do prisma do saneamento básico.
Não devemos esquecer que a água na natureza é um ciclo: evaporação, condensação e sublimação. Entretanto, estamos esquecendo um fator primordial que é a absorção do solo, tão necessária para completar o ciclo da vida na natureza. O solo terrestre em sua maior parte é permeável por natureza para absorver a água da chuva e consequentemente abastecer os lençóis de água subterrânea, grande reservatório natural de água doce que está desaparecendo nas grandes cidades.
Após a analise feita por este prisma, tudo fica mais claro que a maior causa das enchentes vem sendo a impermeabilização do solo terrestre, através do asfaltamento indiscriminado de ruas das áreas centrais e periféricas das grandes cidades.O asfaltamento de ruas prejudica a absorção das águas de chuvas, pelo solo, aumentando o seu volume nas galerias de águas pluviais, com seu efeito em cascata no transbordamento de rios e riachos, causando as famosas enchentes.
Construções e pavimentações asfalticas, indiscriminadas nas grandes cidades, reduzem a renovação da água no subsolo. Em geral, a água da chuva é captada e canalizada, por meio de redes pluviais, a rios ou mares e, portanto, a infiltração no solo é bastante reduzida.
Em cidades situadas à beira-mar, as águas de chuvas que não são absorvidas pelo solo, além de ocasionar a redução do nível do lençol subterrâneo, provoca um fenômeno indesejável: a água do mar tende a avançar mais, provocando a salinização e, assim, fazendo a água de rios e riachos imprópria para o consumo.
Normalmente, os poderes públicos tentam controlar a situação. A tarefa, entretanto, nem sempre é das mais fáceis, haja vista o problema ser lembrado somente durante as estações invernosas e no auge das calamidades públicas. O problema nem sempre é abordado pelas causas e sim pelo efeito, piorando sempre no ano seguinte.
Para se atacar às causas pela raiz do problema, serão necessários aplicações de medidas de controles ambientais mais rigorosos em relação aos tipos de pavimentações e critérios empregados nas indiscriminadas pavimentações asfálticas. O asfaltamento de avenidas com grande movimento de veículo é inevitável e necessário, entretanto é inaceitável o asfaltamento de ruas com pequenos tráfegos de veículos, visando somente o seu embelezamento, em detrimento ao prejuízo causado ao meio ambiente e consequentemente ao homem. Esta é uma das causas constantes das enchentes e da saturação do lençol subterrâneo de água, necessário a sobrevivência atual e futura do homem
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Abril/2006