Gabriele Amorth, o mais recente biógrafo
da Venerável
O mais recente biógrafo da Venerável Alexandrina é Gabriele Amorth, o autor de Dietro un sorriso, Alexandrina Maria da Costa, já traduzido para português com o título Por detrás de um sorriso, Alexandrina Maria da Costa.
Sobre o caminho que
o levou a Alexandrina, conta
no prefácio:
«Escrevi, no passado, alguns pequenos artigos sobre a Alexandrina. Dirigia a revista mariana “Madre di Dio” e tinha interesse em conhecer o papel importante que a Alexandrina desempenhara na primeira consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, feita por Pio XII em 1942.
A seguir, fui algumas vezes a Balasar. Ali, juntamente com o grupo do Exército Azul que organizara a viagem, rezei sobre a campa da Alexandrina e visitei a sua casa. Mas quando vi a primeira fotografia dela, não fiquei encantado.»
Nascido em 1925, em Módena, Itália, o P.e Gabriele Amorth, da Pia
Sociedade de São Paulo, é muito apreciado pelos seus livros sobre Nossa Senhora
e pela sua actividade jornalística – o seu programa na Radio Maria peninsular
conta com 1.700.000 ouvintes. Tornou-se mundialmente conhecido com o lançamento
de sua obra Um exorcista conta-nos, em 1990. Tal obra alcançou notável
êxito editorial na Itália, tendo a sua tradução portuguesa obtido várias
edições no Brasil. A partir de então, a imprensa internacional tem estado
atenta à actuação desse sacerdote, nomeado Presidente da Associação
Internacional dos Exorcistas. Possui um largo espaço na Internet.
Na apresentação do livro Mio Signore, Mio Dio!, organizado pelo casal Signorile, Gabriele Amorth lembra que foi este casal que o animou a escrever Por detrás de um sorriso:
«Com muito prazer apresento este novo livro sobre Alexandrina Maria da Costa, preparado pelos cônjuges Signorile, os mesmos que me incitaram a escrever a vida de Alexandrina.»
Em Balasar há dois exemplares de um número da revista Madre di Dio,
onde por sinal vem um artigo sobre a consagração de 1942; na rápida leitura que
dele fizemos, não encontrámos lá o nome de Alexandrina. Por isso limitemo-nos a
ouvir um extracto expressivo do seu bem informado livro:
Primeira experiência da «Paixão»
«Ao P. Mariano Pinho foi também concedido ir a Balasar passar uns dias de retiro espiritual. Deste modo, pôde estar presente naquele primeiro acontecimento do dia 3 de Outubro. No dia anterior, a Alexandrina foi advertida, pela voz divina interior, de que passaria através das várias fases da Paixão, desde o Horto das Oliveiras até ao Calvário e que, depois, sofreria novamente aquela mesma Paixão todas as Sextas-Feiras, desde o meio-dia até às três horas da tarde. Jesus perguntou-lhe se aceitava. Inútil será dizer que o consentimento da Alexandrina foi total; manifestou somente o desejo de que, se fosse possível, tudo acontecesse ocultamente, de modo que ninguém se apercebesse de nada. Mas isto não estava nos planos de Deus, se bem que o facto de reviver a Paixão de um modo sensível viesse a ser causa de contrastes e duma autêntica perseguição.
A Alexandrina reviveu a Paixão de Cristo de uma forma sensível de tal modo que os presentes podiam seguir as várias fases — desde 3 de Outubro de 1938 até 27 de Março de 1942, ou seja, por 182 vezes. Dado que o facto se divulgou imediatamente, podemos imaginar quanta gente teve ocasião de assistir.
Note-se que quem assistia, além de ver e ouvir, podia tomar apontamentos, pelo que há muitíssimas relações que descrevem este fenómeno. O êxtase de 29 de Agosto de 1941 foi filmado e a película conserva-se no arquivo paroquial de Balasar. Um sacerdote dos Padres do Espírito Santo, P. José Terças, enquanto assistia escreveu um relatório muito pormenorizado. Ficou tão impressionado e comovido que publicou a sua relação, pensando que um facto tão extraordinário merecesse ser conhecido e suscitasse uma edificação geral. O efeito, pelo contrário, foi desastroso para a pobre Alexandrina, como teremos ocasião de ver.
De 27 de Março de 1942 em diante, a enferma continuará a viver a Paixão até a morte, mas de uma forma invisível, ou seja, sem qualquer sinal exterior. Em contrapartida, desde o dia em que reviveu pela última vez a Paixão com movimentos sensíveis, teve início para ela um novo sofrimento, sensível, controlável e sem explicação humana. Começará o jejum total, com anúria completa, até ao dia 13 de Outubro de 1955, dia da sua morte. Viverá, portanto, somente da Eucaristia durante 13 anos e 7 meses.»