D. Gabriel de Sousa, abade do Mosteiro de Singeverga

 

Cuadro de texto: D. Gabriel e Sousa, abade que foi de SingevergaO Notícias da Póvoa de Varzim tem o seu débito para com Singeverga. O Dr. Adérito Ferreira, seu primeiro director, estudou lá vários anos. Aqui escreveram e ainda escrevem alguns monges de Singeverga, como o ratense P.e Abel Matias (autor de Angola. Paz só com Muxima) e outros; aqui se noticiou há poucos anos a ordenação de um outro ratense que também é monge de Singeverga. Nós mesmo, autor destes artigos, em Singeverga estudámos um largo período e aí conhecemos a primeira biografia de Alexandrina – vai para 40 anos -, que aliás não nos deixou boa impressão. (Que impressão poderia deixar a biografia, semeada de fotografias «cadavéricas», de uma mística da bitola de Alexandrina a um adolescente de cerca de treze anos?)

Mas venhamos à relação de D. Gabriel de Sousa com Balasar. Este douto abade beneditino (nascido em Besteiros, Paredes, em 1912 e já falecido) surge nos escritos de Alexandrina nos derradeiros anos da sua vida; e surge em companhia de outro beneditino, o espanhol P.e Ramirez. D. Gabriel de Sousa deveria então andar grandemente empenhado na gigantesca obra do novo mosteiro (que nunca se concluiu). Presidia à abadia desde 1948. Teve ele o mérito de ser um dos primeiros dignitários da Igreja a aderir à Alexandrina. (O lousadense Cardeal Cerejeira talvez se lhe tenha antecipado, mas manteve sempre distanciamento físico para não causar melindres.)

O abade de Singeverga ia ser agora o presidente duma segunda comissão, apoiada pelo arcebispo de Braga, para estudar a Alexandrina. Integravam-na o P.e Dr. Sebastião Cruz e outros, como o prof. da Universidade de S. Tiago de Compostela e sacerdote, Dr. Luís Filipe Cavalhero, e o já mencionado P.e Ramirez. A própria Alexandrina se refere a estes sacerdotes numa carta ao P.e Mariano Pinho. Escreve, por exemplo, a dada altura:

«O secretário do arcebispo, Dr. Sebastião Cruz, trouxe aqui um cónego e professor de Salamanca. Dizem que partiu muito satisfeito; perante ele, o Dr. Cruz disse-me que tem estado e está do meu lado.

Parece que vem um místico de Salamanca para estudar o caso com ele e com o abade de Singeverga, que está a examinar os escritos.

Como vê, temos muitos amigos e muito inimigos; mas os amigos são mais.» (3/11/53)

Quem não se convencia inteiramente dos méritos de D. Gabriel de Sousa era o Dr. Azevedo: não o considerava à altura da tarefa.

Ficou célebre um breve seu escrito relativo a Balasar:

«A lembrança que me ficou.

Às vezes, de visita a lugares célebres, trago entre as folhas do canhenho a pétala duma flor; ela seca, perde o aroma, e só fica a valorizá-la a data que se lhe inscreve. Fui a Balasar um dia. Voltei uma segunda vez. E também trouxe de lá, entre as folhas do Livro de Horas de minha pobre vida, uma pétala de lembrança. Mas essa ainda não murchou, ainda não perdeu o aroma: a visão duma alma angelical, através duns olhos de pureza, como nesta derrancada terra se não encontram. E, do Calvá­rio da Alexandrina Costa, foi esta a dolorosa e ima­culada lembrança que me ficou.»

O escrito, que surgiu originalmente no «Boletim Mensal» de Alexandrina, serve de prefácio ao livro de Gabriel Bosco Alexandrina de Balasar e, em tradução italiana, vem numa das páginas iniciais de Figlia del Dolore, Madre di Amore e de Anima Pura, Cuore di Fuoco.

D. Gabriel de Sousa ainda pôde estar presente, em 13 de Outubro de 1996, à celebração, em que se fez a recepção solene do Decreto sobre as Virtudes Heróicas de Alexandrina, como então noticiou o Dr. Adérito Ferreira neste jornal:

«A recepção solene, em Balasar, do Decreto sobre as Virtudes Heróicas de Alexandrina foi motivo uma merecida celebração, a que presidiu o arcebispo bracarense de então, D. Eurico Dias Nogueira.

Concelebraram o bispo de Bragança, D. António Rafael, o bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves, os bispos auxiliares de Braga, D. Jorge Ortiga e D. Jacinto Botelho, a Abade Emérito do Mosteiro de Singeverga, D. Gabriel de Sousa, o postu­lador da causa da beatificação e várias dezenas de sacerdotes, quase todos do arciprestado de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, entre os quais estava o arcipreste, Monsenhor Manuel Amorim. A afluência de devotos e peregrinos foi muito grande. Comemorava-se também o 41.º ano do falecimento da Venerável.»

 

Hosted by www.Geocities.ws

1