Dois biógrafos da
Venerável
São vários os
biógrafos da Venerável. Hoje vamos referir dois. Não é que
tenhamos muito que dizer a seu respeito; bem ao contrário, temos pouco,
porque não conseguimos encontrar fonte que nos informasse.
Francis Johnston é
o sacerdote irlandês que compôs uma biografia da Alexandrina em inglês, Alexandrina.
The agony and the glory, facilitando assim o seu conhecimento aos leitores
anglófonos. Sabemos que fez duas edições, uma em
Dublim, em 1979, a outra no estado americano do Illinois. Esta segunda
edição é ilustrada; nela colhemos a fotografia que aqui publicamos e que
representa, da esquerda para a direita, em primeiro plano, o próprio Francis
Johnston, Deolinda, a irmã de Alexandrina, e o P.e Humberto Pascoal. Em segundo
plano, estão dois ingleses, certamente colaboradores do P.e Francis Johnston.
Num dos últimos parágrafos do livro, escreve este autor:
«Em Agosto de 1978, tive o grande privilégio de encontrar Deolinda na casa de Alexandrina. Agora com quase oitenta anos e com princípios do mal de Parkinson, ela manifestou uma admirável delicadeza e gentileza que me proporcionou uma amostra do zelo sublime que dedicou à sua santa irmã. E, por uma excepcional coincidência, o P.e Humberto Pascoal acabava de chegar de Turim para uma curta estada, depois de visitar a sua amiga Irmã Lúcia, agora uma carmelita de passagem em Coimbra. A sua cordialidade não teve limites. Depois de me mostrar tudo o que havia de interessante na casa e me explicar como a vida de Alexandrina está a ser traduzida para muitas línguas, deu-me como preciosa relíquia o lenço que ela usava imediatamente antes de morrer. Em resposta à minha sugestão de que Alexandrina pode um dia revelar-se como uma segunda Margarida Maria Alacoque, deu-me o mais decidido sim.»
Fácil é de ver que a fotografia de cima corresponderá ao momento evocado no parágrafo. Acrescente-se que, no princípio do livro, Francis Jonhston confessa o seu grande débito para com o P.e Humberto Pascoal, através do seu livro Alexandrina. O que nos parece específico deste sacerdote irlandês, porém, é o seu fôlego de escritor. Realmente, trata-se duma narrativa bem ordenada, de leitura agradável, precedida de um título convidativo.
Um outro biógrafo de Alexandrina de que hoje também pretendemos fazer menção é o salesiano P.e A. Rebesco, o autor de L’Estatica. Nada conhecemos sobre ele; no prefácio italiano declara que escreveu a pedido do P.e Humberto Pascoal e que pretendia fazer uma versão abreviada do livro Alexandrina, pelo que para ele remete para um conhecimento mais aprofundado. O livro é constituído por três partes: a Vida, os Prodígios (o jejum, a paixão, o êxtase) e os Ensinamentos.
Com o objectivo de situar a vida de Alexandrina no meio histórico e cultural português, o autor tece na primeira página um muito belo elogio a Portugal. Veja-se:
«Lusitania felix, Portugal feliz!
Terra ardente de sol, perfumada de flores, terra de cantos e de encanto.
Voltada para o Atlântico, dele ouve os bramidos tempestuosos, mas dele goza também as brisas acariciadoras.
Bastião ocidental da velha Europa: o sol, quando, à tarde, mergulha no Oceano para navegar para as praias americanas, envia-lhe um último beijo, como amigo que parte para uma viagem longínqua.
O seu povo generoso, como tantos outros – Fenícios, Genoveses, Venezianos, Amalfitanos (de Amalfi, próximo de Nápoles) e Holandeses – que têm defronte o mar e pelas costas um solo ingrato, lançou-se à conquista das ondas, de modo que nos séculos das grandes descobertas os navios portugueses aproaram às terras mais distantes da Ásia, da África, da América, conquistando para este povo um império vastíssimo, fonte de riqueza sem fim, e a quem, em troca, ele deu a sua língua, os seus costumes e a civilização cristã.»
Diz-se que os livros têm o seu destino, o seu caminho próprio (habent sua fata libelli). O deste é particularmente surpreendente, pois já tem traduções para tailandês e chinês e, possivelmente, também para japonês.