Chuva de
misericórdia
A Doutora da Igreja Santa Teresinha de Lisieux prometeu que após a sua morte faria cair do céu uma «chuva de rosas». Veja-se o que a sua «irmã gémea», como se considerava a Venerável Alexandrina, prometeu:
No céu estarei como o pobre cego à beira
da estrada, de mão estendida, pedindo esmola. Eu pedirei graças a Deus para as
espalhar sobre a terra.
Ouça-se agora esta promessa que lhe fez Jesus:
Repito mais uma
vez: tu hás-de do Céu salvar tantas almas como se o teu martírio se prolongasse
até ao fim do séculos. Hás-de acudir a muitos males, a todos os males; mas as
almas, as almas...!
- Já compreendo,
Jesus, para essas cairá sempre, sempre a chuva da Vossa misericórdia.
- Está tudo dito, minha filha.
Compreendeste bem.
Tu és a heroína
vitoriosa, a heroína triunfante: triunfas na terra, hás-de triunfar no Céu.
Concedo-te todo
o poder para as salvares. Nunca será em vão, nunca será em vão uma prece
dirigida a ti em favor das almas, quando estiveres no Céu. 1/5/53
No dia 13 de Dezembro de 2002, fizemos uma visita ao médico Dr. Jorge Barbosa, que vive na Póvoa de Varzim. Ele é um homem que conhece a biografia da Venerável e que certamente a visitou, pois já teria uns bons trinta anos quando ela faleceu. Acrescente-se que, no âmbito da história local, é um escritor de mérito.
A determinada altura da conversa, contou-nos ele três «milagres da Alexandrina». Bem pena temos de não possuir as suas palavras, bem mais ajustadas que as que vamos apresentar. Em síntese, contudo, disse-nos:
A Sra. D. Margarida de Lacerda casara para o Luso. Uma vez, andava ela
bem descontente por o seu marido ter cortando relações com o pároco, por razões
ligadas a obras na igreja. Se via o padre vir na rua por um lado, mudava ele
para o outro. E não arredava na sua teimosia. Resolveu então ela vir à Póvoa
pedir a intercessão da Alexandrina.
Chegada ao Calvário, expõe o caso. A Alexandrina, como sempre em situações semelhantes, convida-a a rezar, que ela também rezava.
Regressada a senhora ao Luso, o marido (que nada sabia das diligências da esposa) logo lhe anuncia que tinha falado com o padre: vira-o e dirigira-se-lhe para deslindar a situação, que não havia razões para andarem assim desavindos.
A que hora fora isso? À hora a que a Alexandrina e ela haviam rezado...
O segundo milagre, como o terceiro, passou-se com crianças deste ilustre médico.
Em tempos da sua primeira esposa, tinha o casal uma menina que, à noite, insistia em mamar do peito da mãe para adormecer. Como já tinha dentes, magoava-a muito.
Vai então ela a Balasar. Depois de rezar com a Alexandrina, a senhora regressa.
Claro que desde então a menina adormecia feliz e sem mais exigências...
Uma outra menina, já mais crescida, à tarde, após o lanche, frequentava a catequese em casa de um padre que morava na praça principal da cidade. A partir de certa altura porém começou a não querer ir às lições. Resmungava e resistia, teimosa.
A mãe vai então a Balasar. Quando volta, dá o lanche à pequena e ela mesma logo avisa:
- Quero ir à catequese!
Estas narrativas falam por si quanto quando ao poder de intercessão da Venerável.