Castello debate sobre a vida e obra de João Cabral de Melo Neto
O escritor e jornalista José Castello
conversará sobre o seu livro João Cabral de Melo Neto: O
Homem sem Alma & Diário de Tudo, na próxima edição
do programa de debates Literato, a realizar-se no cineteatro do
Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano
Peixoto, 941 Centro fone: (85) 3464.3108), na próxima
terça-feira, 26, às 19 horas. O livro é uma biografia crítica
do pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), um dos
maiores poetas brasileiros de todos os tempos. A obra é
resultado de 21 encontros de trabalho e 30 horas de entrevistas
gravadas com o artista, em seu apartamento na praia do Flamengo,
Rio de Janeiro, entre 7 de março de 1991 e 6 de abril de 1992.
Ampliada, esta nova edição, agora com o selo da editora
Bertrand Brasil, traz uma segunda parte inédita, intitulada Diário
de Tudo, que reúne anotações feitas pelo autor após cada
encontro com o poeta.
Tendo por mote o seu livro, José Castello debaterá sobre a vida e a obra poética de João Cabral, com os editores de Cultura dos jornais Diário do Nordeste e O Povo José Anderson Sandes e Regina Ribeiro, respectivamente. A conversa será mediada por Roberto Maciel, editor da coluna Comunicado, do Diário do Nordeste. Sobre a obra de João Cabral - João Cabral é o poeta da matéria, do exato, do seco, do sólido sem ilusões, da emoção omitida para que o leitor seja atingido plenamente diante de uma poesia descarnada. É uma poesia que causa algum estranhamento porque não é emotiva, mas sim cerebral. Melo Neto não recorre ao pathos (paixão) para criar uma atmosfera poética, mas sim a uma construção elaborada e pensada da linguagem e do dizer da poesia.
Quando o leitor é confrontado com a poesia de Melo Neto, apercebe-se, a princípio, de um certo número de dualidades antitéticas, por vezes obsessivas, entre espaço e tempo, entre o dentro e o fora, entre o maciço e o não-maciço, entre o masculino e o feminino, entre o Nordeste árido e a Andaluzia fértil, ou entre a Caatinga desértica e o úmido Pernambuco.Algumas palavras são usadas sistematicamente em sua poesia: cana, pedra, osso, esqueleto, dente, gume, navalha, faca, foice, lâmina, cortar, esfolado, baía, relógio, seco, mineral, deserto, asséptico, vazio, fome.
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Jornal Making Of
Setembro de 2006
24/09/2006 12:39:26