Jornal Making Of
Setembro de 2006
Desvendando a Caixa Preta - Artigo
Por Carlos Perobelli *
A evolução da sociedade está diretamente ligada à
descoberta de novos recursos pelos seres humanos e a aplicação
deles para a melhoria das atividades nas empresas ou na vida
pessoal. A disseminação desse conhecimento traz a tona novos
recursos, geradores de produtividade e avanços para a sociedade,
que são traduzidos em benefícios; se ao contrário, faz-nos
reféns de atividades pouco produtivas e nada evolutivas. O
perfil de alguns profissionais de Tecnologia da Informação
(TI), até bem pouco tempo era: especialista em hardware,
software e suporte técnico, repetindo incansavelmente a frase:
reinicie o computador, como se todos estivessem
programados para dizer tais palavras.
Por muitas vezes retinham as informações que poderiam trazer
melhorias para a área e conseqüentemente à empresa. O efeito
era desastroso podendo levar a obsolescência. Não havia a
compreensão da TI como um ativo para a organização. Estavam
preocupados apenas com o posto de trabalho e sem a visão dos
benefícios que poderiam ser gerados. Assim, devido a esses
profissionais que tinham acesso à caixa preta da tecnologia,
muitos gestores tornaram-se reféns da atividade que poderia
beneficiar-lhes com rapidez e funcionalidade, trazendo mais
oportunidades de negócios.
Com o passar do tempo as amarras foram quebradas, o perfil de
emperrador do sistema foi derrubado e entrou em cena
o profissional que deve obrigatoriamente manter a TI alinhada aos
negócios da empresa. As características dos funcionários
também foram alteradas: de usuários que pouco entendiam da
tecnologia; com as mudanças, não apenas corporativas, mas
sociais, muitos passaram a ter acesso a computadores e
informações e adotaram uma postura integrada e canalizadora de
atividades lucrativas. Hoje, o usuário é visto pela TI como um
cliente interno da área, pois o sucesso das organizações está
relacionado aos talentos que possui. Este talento precisa de
ferramentas e instrumentos tecnológicos capazes de suprir as
necessidades de sua função, que no contexto geral trará
resultados a toda a organização. O CIO Chief Information
Officer transformou-se num gestor, muito além da técnica, tem a
missão de obter e transpor os benefícios da TI, de forma que a
empresa se estabeleça competitivamente em seu mercado de
atuação.
A caixa preta da TI deve ser desvendada por seus gestores e ser
incorporada à cultura da organização e à rotina dos seus
funcionários. Ou seja, não haverá atividade nenhuma se houver,
dentro da empresa, alguma área que apresente algum enigma ou
dificuldade que a empeça de atender a demanda vigente. Estamos
na era da informação e as empresas, que mantiverem
práticas retrógradas, não sobreviverão no mercado moderno,
depois do advento da informática. Entende-se que a atividade
pró-ativa e direcionada é a que mais benefícios traz. É
preciso construir e mapear as redes internas para que haja uma
demonstração real de como está sendo gerido o negócio.
Com o cenário mundial pautado em questões como competitividade,
inovações e nas tomadas decisões em um clique, tudo isto deve
estar solidificado por ferramentas que permitam uma visão das
atividades da empresa em tempo real, com monitoramento de
processos, mensurar riscos e introdução de soluções e atender
aos clientes e não ficar restrito a máquinas, assim o
investimento em TI não se resumirá em desperdícios.
* Carlos Perobelli (e-mail:
[email protected]) é formado em Administração com
ênfase em Análise de Sistemas e pós-graduado em Gestão de
Projetos pela FASP. É diretor de Operações da 5A Consultoria
em Gestão (www.5a.com.br) e coordenador do seminário Como
comprovar a eficiência e o resultado dos investimentos da área
de TI, a ser realizado em 20 de setembro, no Maksoud Plaza,
em São Paulo.
10/09/2006 15:14:35