VITÓRIA DO MOVIMENTO, DERROTA DA REITORIA
Domingo, dia 28/10, foi um dia que entrou para
a história dos movimentos sociais brasileiros contemporâneos, principalmente
do ME. Marcado a cassetetes e estilhaços de bombas, pelo apoio da sociedade,
pela violência dos policiais, pela alegria da vitória e demonstração
de força e unidade da comunidade da UFRJ e demais participantes. As atividades
da semana anterior (Assembléia dos Estudantes, da Adufrj e Sintufrj e
Fórum de Públicas) referendaram um grande ato pacífico
para o dia da prova, caso o vil reitor mantivesse a data. Depois de um sábado
de guerra de liminares, enfim a AGU (Advocacia Geral da União), a mando
de Vilhena, garantia o vestibular. Enquanto isso, cerca de 75 manifestantes
se dirigiam para o Sinturfrj esperar o dia seguinte.
Às 7 horas começava a passeata
a caminho do CCMN, contando com estudantes de diversas universidades (UFRJ,
UFF e Federal de Viçosa), sindicalistas, funcionários e professores
da UFRJ e UFF. A polícia já demonstrava intransigência,
forçando o movimento a ocupar meia-pista da vazia Brigadeiro Trompovski
(avenida da ilha do Fundão), fechando a outra parte com viaturas.
Ao chegar no prédio do CCMN,
mais de 100 pessoas esperavam o ato, junto com apreensivos pais e vestibulandos.
A primeira ação foi ocupar a entrada do prédio, garantindo
a entrada dos vestibulandos com um cordão de isolamento pacífico
do movimento. O carro de som explicava o sentido do ato e a garantia da democracia
e autonomia da UFRJ, aviltada pelo reitor com seu vestibular. A facista polícia,
encabeçada pelo despreparado comandante Bin Lopes "demonstrou serviço"
e quebrou o acordo, atacando violentamente os manifestantes, a base de cassetetes
e escudos.
O comando do ato teve clareza em direcionar
a resistência do movimento, organizando o quanto possível a segurança
dos vestibulandos e dos manifestantes. A polícia, não satisfeita,
continuava com sua repressão, impedindo a permanência na entrada
do prédio, quebrando novamente os acordos feitos, utilizando até
bombas de efeito moral, indiscriminadamente em vestibulandos, pais e manifestantes.
Com a tentativa dos policiais em apreender o carro do sindicato, o companheiro
Jessé resolveu enfrenta-los, sendo covardemente atacado, levando uma
grave pancada na cabeça, indo imediatamente com a Kombi do sindicato
para o hospital. Um vestibulando para-médico desistiu de fazer a prova
para ajudar o companheiro, marca da solidariedade nas lutas da sociedade.
A esta altura dos acontecimentos,
todos já sabiam quem estava realmente impedindo os vestibulandos de fazerem
as provas e destruindo o patrimônio da Universidade. Pais de vestibulandos
iam ao carro de som declarar o apoio a manifestação e questionar
a sanidade mental do reitor e de Bin Lopes. Enquanto isso, a grande mídia
jogava nas ondas satélites mentiras do ato, gerando a ira de estudantes
que acompanhavam a transmissão. A polícia reprimiu a liberdade
de expressão de estudantes para garantir as mentiras da mídia
e seu aparato repressor.
Com o sol já escaldando as
moleiras de todos os presentes, às 9 horas (horário de liberação
para sair do vestibular), o movimento comemora a sua luta. 15 minutos depois,
chega ao Fundão o grupo que estava no Cap (Colégio de Aplicação
da UFRJ) com um caderno de respostas e com informes da inviabilidade do vestibular
naquele local. No CT, também sai da prova uma aluna com o seu caderno
de respostas. O movimento sai em passeata pacífica e ordeira, comemorando
as vitórias e lutas ali travadas, com informações da anulação
do concurso. Na comemoração, palavras de ordem, falações
no carro de som e fogos de artifício.
Este último elemento foi a
deixa para a PM mostrar mais truculência e barbárie, prendendo
e maltratando dois estudantes e levando-os para o bloco A do CT, fazendo da
universidade cárcere privado. Os manifestantes indignados tentaram abrir
as portas e soltar os companheiros, mas a polícia impediu a entrada.
Manifestantes mais exaltados quebraram então as vidraças do prédio
para a libertação dos estudantes, sendo fortemente reprimidos
pela tropa de choque, que já se encontrava no local. O CT virou uma praça
de guerra. Professores, pais, todos foram agredidos pelo Choque, que usou inclusive
armas de balas de borracha. Os parlamentares Chico Alencar e Fernando Gusmão
garantiram a libertação dos estudantes e os ânimos acalmaram.
O movimento seguiu sua passeata até o Sintrufrj, escoltado pela polícia.
Meio-dia. Ao chegar no sindicato,
tem-se notícias de que vestibulandos estavam presos e sendo coagidos
no CAp. O movimento segue para o Jardim Botânico, mas os policiais já
haviam liberado o local e os vestibulandos. A UEE declarou que entrará
com ações contra a reitoria, por quebra da autonomia e das decisões
do CEG, e levará exames de corpo delito, chamando a todos que se sentirem
lesados procurarem seu departamento jurídico.
Com o pior já passado e com o sentimento
de vitória, o movimento segue as lutas nesta quarta-feira, num ato no
CEG contra Vilhena. As lutas dos movimentos sociais carregam as marcas deste
ato vitorioso e planejado para ser pacífico...mas esqueceram de avisar
a PM...