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Resumo:
A educação dos filhos, principalmente dos adolescentes,
constitui-se uma tarefa árdua para a maioria dos pais, que despreparados
diante de tantas transformações pelas quais a sociedade passa, não sabem
lidar com situações conflitantes e nem com suas próprias emoções.
Nesse contexto,
este estudo visa mostrar que é a insegurança e a culpa que levam os pais a
tomarem atitudes autoritárias para fazerem valer o seu poder, ou
simplesmente se tornam permissivos, adotando uma postura passiva diante dos
filhos.
Para amenizar
toda a problemática que envolve a relação parental, é imprescindível que os
pais não abdiquem de seu papel, que é o de autoridade máxima dentro da
família e façam isso através de muito diálogo e amor.
É importante que saibam
estabelecer limites, mas que as regras sejam discutidas de forma
não-repressiva para que os filhos possam aceitá-las como uma forma de
orientação.
Palavras-chave:
insegurança, culpa, autoritarismo, permissividade, autoridade, diálogo.
Introdução
Relacionamento pais e
filhos adolescentes: o diálogo como equilíbrio entre o autoritarismo e a
permissividade abordará, através de estudos bibliográficos, a delicada
questão relacional familiar.
Muitos pais não
sentem-se seguros quanto ao manejo educacional mais adequado e nem como
tomar atitudes austeras na hora certa, sem contudo, serem autoritários, haja
vista estarem vivendo num momento de grandes transformações sociais, que
afetam o comportamento do jovem de maneira direta.
Dessa forma,
conhecer mais sobre o período da adolescência e como lidar com os conflitos
familiares, é um modo de aprender a ser democrático em suas relações e
acreditar no diálogo para orientar os filhos a serem pessoas emocionalmente
independentes.
Relacionamento Pais e
Filhos Adolescentes: O Diálogo como Equilíbrio entre o Autoritarismo e a
Permissividade
Educar filhos é uma tarefa
da qual não se pode tirar férias, pelo contrário, é contínua e exige
persistência e dedicação. Cada nova etapa do desenvolvimento da criança é um
desafio aos pais, tanto pela cobrança social quanto pelos filhos.
Nas últimas décadas uma
série de informações sobre a educação dos filhos até então restrita apenas a
profissionais, passou a ser difundida através dos meios de comunicação e
tornou-se acessível a pessoa leigas: os pais.
A partir daí, educar os
filhos, em especial o adolescente, transformou-se num exercício de extremo
esforço dos pais, que ora seguem suas convicções e tomam atitudes
relacionadas à educação que receberam, ora tentam se encaixar num novo
padrão parental de maneira insegura e confusa. Zagury afirma que “[...] é
uma mudança inquietante e surpreendente esta que vem ocorrendo [...]” (1991,
p.17), pois com todas as contribuições positivas que esses conhecimentos
trouxeram, vieram também os questionamentos de quase tudo que se fazia
antes, provocando uma lacuna no ponto de referência para se estipular um
manejo educacional.
Os pais de hoje não
querem fazer as mesmas coisas que seus pais fizeram, mas não sabem ao certo
como agir. Segundo Dias “[...] a maneira pela qual nossos pais foram
educados diverge dos valores do grupo social no qual vivemos” (1992, p. 45).
As dificuldades que esta
geração de pais enfrenta deve-se também ao estilo moderno e liberal imposto
pela sociedade. A tendência de democratização chegou ao relacionamento
familiar, mas a questão dos deveres não foi discutida e aplicada como
deveria.
A partir desses fatos, o
que se percebe é uma inversão de papéis na família, na qual os pais passam
por uma prova, conforme, declara Zagury “[...]eles deixaram de ser senhores
da relação[...]” (1991, p. 21), exatamente o oposto da situação de quando
eles foram adolescentes.
Um outro fator que tem
desnorteado os pais quanto ao relacionamento com o filho, principalmente o
adolescente, é o tempo que passam fora de casa, no trabalho ou outras
atividades.
Em muitos lares os filhos
ficam o dia todo à mercê de influências perniciosas advindas da internet,
vídeo-game e até da televisão. Para compensar a distância e o tempo
perdidos, muitos pais tornam-se permissivos, transformando seus jovens em
consumidores compulsivos e autoritários.
Existem casos em que os
pais, para não competirem com a TV, tiram uma peça do aparelho ao saírem
para o trabalho, alegando que seus filhos não fazem a tarefa porque se
distraem, mas na verdade estão negando o seu fracasso como autoridade, pois
como declara Zagury “[...] a presença física dos pais nunca foi necessária
para que a autoridade deles exista de fato” (1997, p.38.
Entretanto, para que as
regras sejam obedecidas, os pais devem ser firmes. Se ficam fora em tempo
integral, podem verificar se os filhos fizeram as atividades que lhes foram
incumbidas à noite, quando chegam do trabalho. Ainda citando Zagury “[...] é
preciso [...] que haja disponibilidade por parte dos pais desde os primeiros
anos [...]” (1997, p.41.
Existe também o
questionamento quanto à autonomia dos filhos. Na ânsia de protegê-los da
violência, dos erros e das frustrações, os pais os colocam, numa redoma de
vidro e se posicionam como super seres, capazes de mantê-los longe do mal.
Para Waddell “[...] os
pais precisam, eles próprios de confiança para deixar seus filhos expor-se
aos riscos, cometer erros, sofrer as conseqüências, mas dentro de uma
fronteira de limites conhecidos e negociados” (1995, p. 73), haja vista que
é a adolescência a fase em que o indivíduo tem a chance de projetar-se
socialmente através do auto-conhecimento, que só pode ser conquistado se os
pais tiverem maturidade emocional suficiente para se desprenderem dos filhos
permitindo que eles vivam suas próprias experiências e aprendam a crescer
como seres humanos.
Entretanto, na maioria dos
lares brasileiros, onde predomina a cultura protecionista, o que se observa
é o autoritarismo nas relações entre pais e filhos. Para não perderem o
poder, os pais impõem-se através do seu papel de mantenedor. Em
contrapartida, o adolescente sente-se desafiado a provar que já pode
conduzir sua vida independentemente de sua família. Aí surgem os conflitos.
Vale ressaltar que, a
adolescência é realmente um período muito conturbado, principalmente se na
infância o indivíduo não recebeu afeto, compreensão e limite.
Essa etapa da vida,
caracteriza-se por ser uma fase de transição entre a infância e a juventude.
É uma etapa extremamente importante do desenvolvimento humano, com
características muito próprias e indefinidas.
Além das transformações
físicas e, conseqüentemente sexuais, existe um conflito social permanente,
como declara Souza “[...] se o adolescente quer trabalhar, não encontra
emprego com facilidade; se quer estudar, depara-se com programas defasados”
(1999, p.9), sendo assim, muitas vezes, sem a devida orientação, têm
comportamentos fora do padrão tido como normal pela sociedade.
Também são relevantes os
avanços intelectuais, que permitem ao adolescente um aperfeiçoamento da
capacidade de pensar de forma abstrata, fazer diferenciações mais precisas e
desenvolver o raciocínio hipotético-dedutivo e simbólico.
Diante de tantas
transformações, o adolescente não consegue agir como se fosse uma criança.
Ao chegar a essa fase, as modificações sociais são muito apelativas. O grupo
de amigos passa a ter papel fundamental e, para desespero de alguns pais, a
tendência à imitação se acentua novamente, mas agora o modelo não são eles,e
sim o grupo.
Como forma de amenizar os
problemas dos pais na relação com o adolescente, o diálogo, a conversa
aberta e a negociação dos limites aparecem como o equilíbrio entre a
indiferença, a permissividade e o autoritarismo, pois ser aberto a um bom
diálogo, ser flexível de vez em quando, não tira a autoridade paterna, pelo
contrário, dá crédito à relação.
Para Osório “[...] o
exercício das funções familiares não é uma via de mão única e sim um
constante processo de trocas, mutualidades e interações afetivas” (1996,
p.98) uma vez que é nesse caráter interativo que reside a psicodinâmica que
configura o perfil da família.
Dessa forma,
tratar os filhos com autoridade não implica em suprimir o diálogo da
relação, pelo contrário, é perfeitamente possível uma pessoa ser democrática
e ter autoridade ao mesmo tempo.
Zagury diz que
“[...] autoridade relaciona-se com o fenômeno do poder. É inegável que, na
família, o pai e a mãe ocupam uma função que por si só lhes dá poder” (1997,
p.67), por isso, quanto mais os pais dialogarem e imporem limites, melhor.
Administrar
conflitos é uma arte e um exercício de paciência. Não há resultados
rápidos. O antigo ditado popular “ensinar é repetir” assume,na relação com
os filhos, uma dimensão infinita.
É difícil e até
penoso repetir,dia após dia, quase as mesmas coisas, lembrar, relembrar.
Muitas vezes o adolescente tende a testar o auto-controle dos pais. E tudo
isso fica mais sério com o medo que os pais têm de errarem na educação de
seus filhos, tornando-os inseguros e confusos quanto ao seu papel.
A tarefa de educar
realmente é complexa, principalmente quando os pais sentem-se culpados por
não conseguirem desenvolver o diálogo. Insegurança e culpa: dois aliados
perfeitos e eficazes para complicar de forma total a vida de pais e filhos.
Impasses e
conflitos não podem ser eliminados dos relacionamentos, mas como afirma
Maldonado “[...] a maneira de se lidar com as situações conflitantes é que
determinam a qualidade da relação” (2000, p59), por isso, para que a
convivência seja harmoniosa, para que os problemas possam ser resolvidos sem
grandes transtornos, é preciso que pais e filhos cresçam juntos, pois a cada
etapa do desenvolvimento é necessário fazer ajustes na maneira de lidar com
as situações que surgem.
Entre pais e
filhos não pode haver abismo maior que o silêncio, a omissão e a
indiferença. O que afasta o filho não é o limite, a autoridade paterna, mas
sim o descaso e o autoritarismo, pois segundo Gavaldon “[...] quando o ‘não’
é colocado de maneira não-repressiva, mas como fator de orientação,
constitui-se um ato de amor” (1998, p. 96).
CONCLUSÃO
Ser responsável
pela educação de alguém é, sem dúvida, uma das tarefas mais difíceis que o
ser humano pode realizar, uma vez que para isso, vai estar o tempo todo
lidando com emoções.
Se é complicado
para o indivíduo entender a si mesmo, o grau de complexidade aumenta muito
quando se trata dos sentimentos de uma outra pessoa e que está passando por
uma nova etapa de sua vida, na qual busca sua verdadeira identidade.
Não são raros os
casos de pais que cometem os erros mais absurdos com a melhor das intenções.
Tratam os filhos adolescentes como crianças totalmente dependentes e não
aceitam que eles já tem suas idéias próprias sobre a vida que os envolve.
Assim, o diálogo é
o que servirá de ponto de equilíbrio nas relações. É através da comunicação
aberta, franca e a nível visceral que as regras devem ser estabelecidas e
cobradas.
Dialogar não
consiste simplesmente em conversar sobre coisas agradáveis, pedir desculpas
ou explicar um atraso. Vai além do bate-papo na hora do almoço ou durante o
trajeto para a escola.
Manter um diálogo saudável
com os filhos significa dar uma bronca com firmeza, sem ser irredutível, mas
mantendo a palavra, caso seja testado. É elogiar, é ter percepção para
descobrir quando os filhos estão pedindo ajuda com apenas um olhar. É
entender que os pais não são perfeitos e que de vez em quando também podem
errar, mas acima de tudo, é reconhecer que o maior abismo que pode existir
na relação parental é o silêncio.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1. DIAS, Maria Luiza.
Vivendo em Família: relações de afeto e conflito. São Paulo: Moderna:
1994.
2. MALDONADO, Maria
Teresa. Comunicação entre Pais e Filhos: e linguagem dosentir. 25 ed.
São Paulo: Saraiva, 2000.
3. OSÓRIO, Luis Carlos.
Família Hoje. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
4. SOUZA, Ronald
Pagnoncelli de. O Adolescente do Terceiro Milênio. Porto Alegre:
Mercado Aberto, 1999.
5. TIBA, Içami.
Disciplina: limite na medida certa. 14 ed. Rio de Janeiro: Imago, 1995.
6. ZAGURY, Tania.
Educar sem Culpa. 14 ed. Rio de Janeiro: Record, 1999.
7. ________. O
Adolescente por Ele Mesmo. 9 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997.
8. ________. Sem
Padecer no Paraíso. Rio de Janeiro: Record, 1997.
1Dionéia Foschiani Helbel é
Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Técnicas de Redação no Colégio
Adventista de Ji-Paraná/RO. Formada em Pedagogia pela ULBRA de Ji-Paraná/RO e Pós-Graduada em Psipedagogia pelo
Instituto Cuiabano de Educação.
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