O VALOR DA ÉTICA

 

 

Postura certa: Colocar o bem comum acima do interesse individual.

Por Luiz Gonzaga Bertelli1

 

Sempre que denúncias de corrupção varrem o país, entra em cena o debate sobre um valor que, entretanto, deveria orientar o comportamento de qualquer cidadão a todo momento: a ética. Isso vale não só para o profissional já formado como também para o jovem que se prepara para iniciar carreira. Ao contrário do que os pessimistas alardeiam, ética não está fora de moda, nem representa um potencial prejuízo para quem a segue. Ao contrário, é uma prática valorizada no mundo corporativo. Desrespeitá-la quase sempre prejudica os planos de carreira e pode até resultar em demissão.

Ao se formar, o universitário presta um juramento, prometendo respeitar as normas que regem a categoria na qual está ingressando. Praticamente todas as profissões adotam um código de ética, que pode ser explícito (quando definido por normas escritas) ou implícito (não escrito, mas aceito de forma consensual). Ema vários casos, o rigor é tal que existem comissões com poder para expulsar aqueles que cometem falhas graves, como é o caso de advogados e médicos. Em outras palavras, não importa qual a profissão escolhida, ele sempre terá um código de ética a respeitar. Trata-se de um conjunto de valores construído sobre fundamentos comuns, como responsabilidade, compromisso honestidade, respeito às leis, cooperação no trabalho em equipe, agir certo mesmo que não se esteja sendo observado por terceiros.

Postura ética. Com base em sua sólida experiência na inserção dos jovens no mercado de trabalho, o CIEE sempre recomenda que o estudante adote uma postura ética já nas atividades escolares, estendendo-a ao estágio, ao período como trainee e, finalmente, à carreira. Mas, afinal, por que a ética é tão importante? Primeiro, porque estabelece parâmetros que asseguram o correto desempenho da atividade, protegem a categoria e garantem a qualidade do serviço executado. Mais do que elogios - que nem sempre virão, mesmo porque se trata de uma obrigação -, o respeito à ética gera e  consolidada a indispensável confiança que todo profissional de sucesso deverá conquistar, tanto por parte da empresa quanto da sua equipe.

 

Ao dar os primeiros passos no ambiente de trabalho, o jovem logo descobrirá que, além do conjunto de valores pessoais e da categoria profissional, muitas vezes terá de observar a chamada ética empresarial, que contará muitos pontos para definir seu futuro na corporação. Geralmente, são normas para atos como aceitação de presentes e convites de fornecedores ou clientes, contribuição para campanhas eleitorais, uso de drogas, privacidade dos funcionários, utilização dos bens da empresa, incluindo a internet e o correio eletrônico, que devem ser usados quase que exclusivamente para finalidades profissionais. Não é muito difícil descobrir qual é a postura certa: basta colocar o bem comum à frente do interesse individual. A receita vale para qualquer situação, seja ela pessoal. profissional ou social. Por exemplo, tivessem todos os nossos políticos respeito à ética, não haveria tanta malversação de dinheiro público nem a sociedade seria sacudida por tantos escândalos. E, num ambiente bem mais sadio, sobraria mais tempo, mais dinheiro e mais disposição para investir na construção de um país mais justo e mais digno para todos os brasileiros.

 

 

1LUIZ GONZAGA BERTELLI é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE, Presidente da  Academia Paulista de História e Diretor da FIESP.

 

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