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Eles podem estar
silenciosos, em nada lembrando os caras-pintadas que há treze anos
saíram ruidosamente às ruas no final do governo Fernando Collor de
Mello. Mas engana-se quem pensa que eles estão desatentos ou
indiferentes à onda de denúncias de corrupção que varre o país. Ao
contrário, os estudantes da safra 2005 revelam inesperada maturidade e
uma postura exemplarmente rigorosa na punição aos eventuais culpados,
numa saudável manifestação de apreço à ética.
Se fossem escolhidos para
julgar os corruptos, 40% optariam por enviá-los à prisão, 38% os
obrigariam a devolver o dinheiro público desviado e 17% os condenariam à
perda dos direitos políticos. E a perda do mandato não seria uma pena
adequada? Somente para menos de 6% dos entrevistados. Aqui, a maioria
concorda com os políticos pilhados em flagrante e que preferem renunciar
a enfrentar o risco de condenação mais severa. Afinal, a história
recente mostra que o ostracismo provavelmente durará poucos meses, só
até a eleição seguinte - basta conferir os políticos que foram
reconduzidos ao poder pelo voto após renúncias motivadas pelo
envolvimento em escândalos, no conhecido efeito memória curto dos
eleitores.
Olhar atento na TV. Esse perfil jovem brota das respostas dos
573 estudantes que responderam à pesquisa que o CIEE realizou em seu
portal na internet, no período de 18 a 25 de julho, em pleno andamento
do escândalo deflagrado pelas denúncias do deputado Roberto Jefferson,
envolvendo vários políticos, vários partidos e várias empresas.
Divididos igualmente entre homens e mulheres (51% e 49%), apenas 2% se
confessam desinformados. A esmagadora maioria de 98% está bem informada
(50%) e mais ou menos informada (48%), acompanhando a evolução dos
acontecimento principalmente pela televisão (64%).
O CIEE decidiu detectar a
reação dos estudantes à atual onda de escândalos pois, entre as muitas
análises e discussões sobre suas conseqüências, poucos se preocupam com
os efeitos negativos que poderá ter entre os jovens, que vivem a fase
delicada de consolidação de princípios e valores de vida. A amostra de
opinião levantada entre os estudantes cadastrados no banco de dados do
CIEE aponta para um sintoma que justifica essa apreensão: 21% se
declaram desanimados diante do que presenciam. Só que desânimo não é
exatamente a reação esperada dos jovens, geralmente identificados com
atitudes contestadoras e apaixonadas. Mesmo que eles façam parte de uma
geração marcada pelo individualismo e com pouco gosto pela política,
tanto que apenas 3% participam do grêmio escolar e outros 3% são
filiados a partidos políticos, enquanto 67% não participam de qualquer
organização e 16% integram grupos de jovens nas igrejas. Na
raiz do problema. A expressiva maioria dos entrevistados, num
total de 73%, está indignada com as denúncias de corrupção e apenas 6% se
dizem indiferentes. Numa outra prova de maturidade, rara no conjunto da
opinião pública, apenas 12% dos jovens acham que a corrupção é própria da
natureza dos políticos - um voto e tanto de confiança no cenário atual.
Outras causas, cujo somatório é endossado por especialistas e pelo
bom-senso, são identificadas por 88% como a raiz dessa pandemia que
contamina, em maior ou menor grau, políticos de todo o mundo: leis
insuficientes (28%), falta de fiscalização da sociedade (26%), falta de
transparência do governo (20%) e má qualidade da educação (14%).
Descrentes da eficácia das
investigações e processos em andamento (64%) ou da orientação ideológica dos
partidos (76%) para coibir a corrupção, os entrevistados revelam boa dose de
pragmatismo ao apontar soluções. E mais, não se furtam a assumir a sua
responsabilidade pela predominância da ética na política, tanto que apenas
6% acham que somente as autoridades competentes são responsáveis por apurar
as denúncias e punir os culpados. Aliás, o mesmo pequeno número acredita que
a saída esteja na filiação a um partido político, que seria uma forma de
combater o mal pelo lado de dentro. Um grupo de 21% tem fé na força dos
protestos e manifestações públicas dos estudantes, quase o mesmo percentual
(19%) que opta pela participação em organizações não governamentais que
orientem a sociedade sobre política. A maioria (48%), entretanto, aposta na
maior arma que o cidadão possui para participar da administração pública nas
democracias: a escolha cuidadosa do candidato e o voto consciente em seus
representantes. |